Donna Strickland: conheça a terceira mulher da história a ganhar um prêmio Nobel de Física

3 de outubro de 2018 - Por

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A Academia Sueca anunciou nesta terça-feira (2/9) os vencedores da edição de 2018 do Prêmio Nobel de Física. Entre eles está Donna Strickland, uma canadense especialista em laser – há 55 anos uma mulher não recebia o prêmio Nobel de Física. Além disso, ela foi a terceira mulher a receber a premiação em Física desde que o prêmio foi criado.

Ao lado de Gérard Mourou e Arthur Ashkin, ela desenvolveu um método para a amplificação de pulsos de laser, tornando-os os mais poderosos da história da humanidade. O produto poderá ser responsável pelo avanço das cirurgias oftalmológicas.

“Nós precisamos celebrar as mulheres na física porque nós estamos por aí e, com o tempo, começaremos a avançar mais rapidamente. Estou honrada por ser uma dessas mulheres”, disse Strickland em entrevista à Academia Sueca após a notícia de que havia recebido o prêmio.

Os três cientistas dividirão o prêmio de 9 milhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 4.098.402. Ashkin ficará com metade do valor por também ter sido premiado por sua pesquisa em pinças ópticas e a aplicação delas em sistemas biológicos. Orientada por Mourou, Strickland ainda era estudante do doutorado quando fez a descoberta.

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Lugar de mulher é na ciência! Mas não para o Nobel

Foi preciso esperar 55 anos para ver uma mulher vencer o prêmio de Física. A última da história foi Maria Goeppert-Mayer, em 1963, pela criação do modelo nuclear de camadas. O dado que mais choca é que, antes dela, apenas Marie Curie foi prestigiada pelo Nobel por seu trabalho com radiação, em 1903.

Essa é uma realidade totalmente diferente do universo masculino. Até a edição do ano passado, entre as categorias de Física, Química e Medicina, 581 homens venceram por seus trabalhos científicos. Desde sua criação, em 1901, apenas 3% dos vencedores foram mulheres.

Na divisão por categorias a situação é ainda pior: até 2017, 205 homens haviam vencido o prêmio de Física, contra 2 mulheres. Em Química, foram 4 mulheres e 174 homens. Já em Medicina, 202 homens foram premiados, enquanto apenas 12 mulheres tiveram reconhecimento.

Em 2017, ano em que nenhuma mulher foi premiada, Göran Hansson, vice-presidente do conselho diretor da Fundação Nobel, respondeu a jornalistas, em parte, a razão para a falta de participação feminina. “Nós voltamos no tempo para identificar as descobertas. Nós temos que esperar até que elas sejam verificadas e comprovadas para que possamos entregar o prêmio. Havia um preconceito maior ainda contra as mulheres naquela época. Havia muito menos mulheres cientistas se você voltar 20 ou 30 anos atrás.”

Fotos: Peter Power/Reuters

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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