É possível viver sem cartão de crédito?

22 de setembro de 2016 - Por

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Muitas pessoas vivem uma relação de amor e ódio com seus cartões de crédito. Às vezes, elas se divorciam dele por vontade própria. Outras, por livre e espontânea pressão: a taxa de juros chega a impressionantes 470% ao ano, ou seja, basta piscar para cair em uma dívida absurda. Este é o caso da assessora de imprensa Aline Paz, que vive sem cartão de crédito desde 2010. “Praticamente estava trabalhando para pagar o cartão de crédito, mas o usava cada vez mais, porque meu dinheiro ia embora ao quitar a fatura do mês anterior. Era um ciclo que não acabava nunca.E não era só o cartão do banco, eu também tinha cartões de cada loja de fast fashion que você possa imaginar”, conta.

Ao se ver submersa em dívidas, ela preferiu ficar alguns meses com o orçamento apertado e pagar tudo. O nome sujo obrigou Aline a pagar todas suas contas a vista. “Comecei a perceber que tinha muito mais controle do que eu gastava, pensava melhor no que eu realmente precisava e passei a programar meu dinheiro para durar o mês inteiro, pois eu não teria a ajuda do cartão”, pondera. Sem falar na alegria de ganhar descontos toda vez que comprava a vista. Hoje, ela continua sem usar cartão de crédito, mesmo passando por algumas saias justas, como comprar ingressos para shows internacionais, que só aceitam essa forma de pagamento – mas ela sempre pode contar com amigas, que cedem seus cartões para efetuar a compra. “No começo parece loucura ou impossível, mas ao longo dos meses, ao ver seu dinheiro render mais, você vai se perguntar por que não tinha feito isso antes”, relata.

Para Múcio Zacharias, professor de Economia da IBE-FGV e diretor do Economies Consultoria Empresarial, a grande vantagem de se livrar do cartão de crédito é aprender na marra como se planejar financeiramente, assim como aconteceu com Aline. “Tomar essa decisão é especialmente aconselhável para compradoras compulsivas ou que não conseguem se organizar, pois elas não sabem usar essa forma de pagamento”, expõe.

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Débito, por favor

Para quem não tem controle, apenas deixar o cartão de crédito em casa não funciona, pois, na primeira vontade de fazer compras, lá estará ele para ser estourado novamente. Então, o primeiro passo é entrar em contato com a central de atendimento do cartão e cancelá-lo. “Caso haja dívidas, é aconselhável procurar a Justiça, que mediará um acordo para facilitar o pagamento”, aconselha Zacharias. Não se esqueça de também cancelar os cartões de loja, que representam um verdadeiro perigo de endividamento – eles concedem o parcelamento em suaves prestações e, muitas vezes, oferecem a possibilidade do pagamento em 30, 60 ou 90 dias. Inicialmente isso parece ser uma vantagem, mas, na verdade, pode fazer você perder o controle dos gastos.

Na sequência, capriche no planejamento financeiro, pois é ele que permitirá que você faça compras sem precisar parcelar ou pagar depois. O mais bacana disso é que, ao pagar a vista ou no boleto, você pode conseguir ótimos descontos. “Desta forma, você poderá usar os juros que pagaria no uso do cartão de crédito para investir”, orienta Zacharias. Hoje em dia, até serviços que antes só poderiam ser utilizados com cartão de crédito aceitam outras formas de pagamento, como é o caso do Uber e e-commerces em geral. Então, na hora que te perguntarem “crédito ou débito?”, você já sabe o que vai responder, não é mesmo?

Fotos: Shutterstock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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