Em dia de queda na Bolsa, Banco Central mantém Selic em 2% a.a.

16 de setembro de 2020 - Por

Em dia de queda na Bolsa, Banco Central mantém Selic em 2% a.a.

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -0,62% (99.575 pontos)

Dólar: -0,92% (R$ 5,23)

Casos de coronavírus: 4.392.351 confirmados e 133.355 mortes*

Resumo:

  • Comitê do Banco Central brasileiro mantém taxa Selic em 2% ao ano;
  • comitê do banco central dos EUA mantém juros zerados; decisão faz dólar cair no Brasil;
  • desvalorização da moeda estadunidense impacta exportadoras, puxando o Ibovespa para o vermelho;
  • Brasil ultrapassa 133 mil mortes por coronavírus;
  • economia brasileira cresceu 2,4% em julho, aponta Monitor do PIB-FGV.

Em dia decisivo para a política monetária do Brasil e dos Estados Unidos, a nossa Bolsa fechou em queda nesta quarta-feira (16). Decisivo porque, coincidentemente, ambos os países fizeram a reunião de seus comitês de política monetária.

Lá, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês), do Federal Reserve (Fed, o banco central estadunidense). Aqui, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

E o que isso tem a ver com a nossa Bolsa? Tudo.

A queda no Ibovespa, principal índice da B3, aconteceu como efeito da decisão tomada no Fomc: o banco central estadunidense manteve a taxa básica de juros entre zero e 0,25% ao ano, e reforçou que pode mantê-la assim por muito tempo. No anúncio, o presidente do Fed, Jerome Powell, reforçou que a autoridade monetária terá mais tolerância à inflação.

Este movimento – que já explicamos aqui – desvaloriza o dólar, porque significa na prática que a os investidores estrangeiros têm menor incentivo para aplicar no Brasil. Sempre que a diferença entre os juros brasileiros e americanos é mantida ou reduzida, sofremos com a desvalorização do câmbio.

As principais impactadas foram as maiores exportadoras listadas na Bolsa. É o caso da Vale (equivalente a 10% da carteira teórica do Ibovespa), que caiu 2,6% e ajudou a puxar a Bolsa para baixo no pregão de hoje. Aliás, a mineradora teve baque duplo: com a queda do dólar e com a desvalorização do minério de ferro, que sofreu queda de 5% na China.

Tudo isso aconteceu antes do Copom divulgar sua decisão sobre a taxa Selic, já que a B3 encerra os trabalhos às 17h. Porém, o mercado financeiro já esperava que o Banco Central mantivesse a taxa, conforme você verá a seguir.

Em dia de queda na Bolsa, Banco Central mantém Selic em 2% a.a.

Comitê do Banco Central mantém taxa Selic em 2% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, em reunião encerrada na tarde desta quarta-feira (16), manter a taxa básica de juros em 2% ao ano. Este é o menor nível da história.

Para você entender melhor, o principal principal papel da taxa Selic dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. A crise vem diminuindo bruscamente o consumo das famílias, especialmente daquelas que enfrentaram perda de renda – e, com isso, a inflação também vem caindo.

Este cenário deu espaço para que o Comitê mantivesse a taxa básica de juros em um patamar tão baixo.

Ao manter essa política monetária, o BC também pretende estimular a demanda por crédito e o consumo das famílias, um dos possíveis combustíveis para fazer a economia girar e atenuar a crise.

“O Comitê avalia que a inflação deve se elevar no curto prazo. Contribuem para esse movimento a alta temporária nos preços dos alimentos e a normalização parcial do preço de alguns serviços em um contexto de recuperação dos índices de mobilidade e do nível de atividade”, afirmaram os membros do Comitê em nota de divulgação do resultado.

Você pode conferir a nota na íntegra aqui.

Economia brasileira cresceu 2,4% em julho, aponta Monitor do PIB-FGV

Dados do Monitor do PIB-FGV, divulgados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira, mostraram que a economia cresceu 2,4% em julho em comparação a junho. No entanto, ante ao mesmo mês de 2019, a queda foi de 6,1%.

De acordo com a Fundação, nos trimestre encerrado em julho, houve queda de 4% em comparação aos três meses anteriores. Já frente ao mesmo período do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) caiu 8,9%.

Em nota, Claudio Considera, coordenador do Monitor do PIB-FGV, afirmou que o Brasil “segue com cenário de alta incerteza e com o nível de atividade em patamar ainda muito baixo e se recuperando muito lentamente”.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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