Empoderamento: conheça histórias inspiradoras de mulheres CEOs

Empoderamento: conheça histórias inspiradoras de mulheres CEOs

A liderança feminina foi o destaque do Fórum #EuTenhoDireito, promovido pela revista CLAUDIA. Cerca de 20 mulheres que ocupam cargos de presidência em grandes empresas nacionais e internacionais contaram suas histórias e falaram sobre como conseguiram chegar ao cargo máximo de liderança. Todas elas com questões típicas da vida de qualquer uma de nós, como maternidade, preconceito e diferença de salários.

Entre tantas histórias inspiradoras, trouxemos quatro delas para mostrar que é possível sonharmos alto e conquistarmos posições antes tidas apenas como masculinas.

Equidade salarial (não) precisa levar mais de 100 anos

Tânia Cosentino, responsável pela operação no País da empresa francesa de distribuição elétrica Schneider Electric, atribui o seu sucesso à educação que teve em casa. Por lá, seus pais sempre incentivaram os estudos e valores familiares fortes. Levou para vida o lema de poder atingir o que quiser. Cresceu em uma típica família dos anos 60: pai provedor, mãe dona de casa e três filhos. A diferença é o tratamento igualitário que a ensinou a perseguir seus sonhos da mesma forma que seu irmão.

“Acreditei que eu era a melhor e que podia fazer, fui empoderada desde pequena. De escola pública, me formei em técnica em eletrotécnica e em engenharia elétrica”, conta. Com esses ensinamentos, ela conseguiu mudar a cultura da empresa e, consequentemente, acelerar a equiparação salarial entre homens e mulheres.

De acordo com a executiva, a equidade salarial e de gênero deve levar 100 anos para acontecer. Hoje, essa diferença entre homens e mulheres é de 20% em todo o mundo – no setor elétrico é ainda maior, de 31%. A solução encontrada para mudar essa realidade é a criação de cotas para mulheres nos cargos mais altos das empresas.

“Uma mulher sozinha não vai ter voz, ela precisa de um par para ser ouvida. Não precisei me masculinizar ou ser mais agressiva para chegar onde estou. Na França, 40% do board precisa ser formado por mulheres. Se não for assim, as decisões podem ser questionadas em juízo. Até 2020, 30% do corpo de direção da empresa tem que ser de mulheres e precisamos eliminar o pay gap”, ressalta.

Dificuldade diária: o mercado de trabalho para mães

Quem tem filhos sabe a dificuldade de conciliar a vida profissional com a missão de ser mãe. E não estamos falando sobre as noites mal dormidas, as trocas de fraldas constantes e as idas ao médico que podem acontecer em horário comercial. Falamos da dificuldade do mercado de trabalho em entender que uma mulher pode exercer a profissão tão bem quanto o papel de mãe, e vice-versa.

Para iniciar essa transformação na empresa, Tânia e sua equipe fizeram uma pesquisa entre os funcionários. A pergunta feita a todos era: o que impede as mulheres de chegarem lá? A resposta da maioria: maternidade. “Não porque a empresa iniba, mas a própria mulher tem esse bloqueio. Já aconteceu de mulheres anunciarem a gravidez para mim e pedirem desculpas. Eu, toda feliz celebrando a gravidez das minhas colaboradoras, e elas se sentindo mal”, lembra.

Entre debates e grupos de conscientização, as normas mudaram. Em todos os países que a lei permita, a empresa concede 6 meses de licença-maternidade – mesmo tempo para casais homoafetivos – e 20 dias de licença-paternidade.

A história de Heloísa Simão, presidente do Laboratório Zodiac, é parecida com a de muitas mulheres. Na década de 1990, ela descobriu que precisaria passar por uma fertilização in vitro para realizar o sonho de ser mãe. Com medo de ser demitida, fez todo o tratamento calada. Ninguém no escritório soube das inúmeras consultas, injeções e dias de repouso – justificados como gripe ou infecção urinária. “Quando consegui entrar na empresa, eu era a única mulher a ser gerente de produto, a única com diploma universitário e a única com diploma de economia. Tive medo”, relembra.

Após o nascimento das gêmeas, veio a dificuldade de voltar ao mercado. “Eu tinha culpa em deixar minhas filhas sozinhas. Achava também que estava ‘emburrecendo’, porque só trocava fralda. Achava que nunca mais vai ia fazer um plano de negócios”, brinca. O apoio para voltar ao escritório veio de seu marido em forma de presente. “Ele me deu uma caneta ponteira, uma novidade na época, e falou que era para minhas apresentações. Eu não sabia se voltaria ainda. Ele disse: ‘Você não vai deixar a sua carreira por medo do que pode acontecer’. A igualdade tem que começar dentro de casa”.

Educação: o futuro não virá do passado

Paula Bellizia tinha apenas 4 anos quando desembarcou no Brasil. Angolana e filha de refugiados, viu seus pais investirem tudo o que tinham em educação. E esse é o maior valor que levou por toda a sua vida e que também está enraizado nos pilares da empresa onde trabalha. Paula hoje é presidente da Microsoft no País, uma das globais que mais investe em tecnologia e ensino.

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A primeira lição de humanidade no Brasil veio logo no primeiro dia. Ao chegarem ao aeroporto de Viracopos, em Campinas, seu pai precisava ligar para o único conhecido no País, seu avô, que morava em Santos. Ao se dirigir à telefonista, descobriu que a ligação custava mais do que poderia pagar. A mulher, vendo as condições da família, pediu para que esperasse e cobrou o dobro do próximo passageiro, para que eles conseguissem se comunicar com o parente.

partir daí, Paula estudou em escolas particulares com o objetivo de entrar na universidade pública, esforço dos pais que se privaram de ter casa própria para investir nos filhos. “Nós vivemos um momento incrível de tecnologia, com custos mais baratos e maior acesso. Isso é crucial para a educação. O crescimento de um país depende da qualidade da educação de seus cidadãos. Eu, como líder de uma empresa multinacional de tecnologia no País, tenho um propósito: fazer com que a tecnologia possa criar oportunidades não só para uma pessoa ou para poucas, mas para todos os brasileiros“, pontua Paula.

E foi por acreditar que a educação é capaz de mudar qualquer realidade que Lizandra Freitas, CEO da Clear Channel, dedica suas férias ao trabalho voluntário. Seu propósito mudou durante uma viagem ao Camboja, em 2012, quando ajudou um menino que havia perdido seu único par de sapatos. Sem eles, não seria possível percorrer uma longa distância para ir à escola. Com a ajuda de outra voluntária, ela conseguiu o calçado para a criança.

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Os dois irmãos a convidaram para ir a casa deles. “Ele me falou que, se o irmão fosse para casa com um chinelo que não era dele, a mãe acharia que era roubado. Com mais cinco irmãos, só havia um par de sapatos na porta, que era da mãe. Nesse dia percebi que, da família inteira, só os dois estudavam porque só haviam tido dinheiro para comprar três sapatos. A partir daí, resolvi que iria dedicar minhas férias sempre com crianças e educação, pois só com ela vamos conseguir que as pessoas sejam donas dos próprios destinos”, narra.

Empoderamento: mudança que começou dentro de casa

A vida de Sheila Makeda começou a mudar aos 7 anos. A psicóloga da escola chamou sua mãe, Sandra Silva, para questionar o porquê de a menina dormir tanto em aula. O motivo: violência doméstica. Elas saíram de casa, foram para um abrigo e a matriarca começou a trabalhar como empregada doméstica e, paralelamente, vendia bolo e cachorro-quente. Já adolescentes, Sheila e a irmã pediram para começar a fazer faxina, a fim de ajudar em casa.

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“Minha mãe disse que não, pois queria algo maior para gente, sem desmerecer a profissão”, conta. Na época, Sandra passou em uma seleção do curso de técnica capilar e a empresa também contratou as filhas. Porém, o projeto acabou e elas se viram sem emprego. Tentaram alugar uma cadeira de salão, “mas ninguém queria aceitar uma mulher negra”, ressalta Sheila.

Após buscar inspiração em sua ancestralidade africana e aceitar seu cabelo como ele era, Sheila encontrava produtos específicos para cabelos negros. Após muita procura, conseguiu uma fábrica que aceitou produzir uma pequena linha de produtos específicos. Segundo ela, isso aconteceu após ter encontrado uma gerente que também era negra e acreditou no seu sonho.

“A gente não queria um produto adaptado, mas sim original. Em 2012, vendemos todo o estoque na nossa primeira feira. Em 2014, por meio de clientes, fui para a Angola e pude me conectar às minhas raízes”, diz. Durante três anos, participou de um projeto que possibilitava a venda de pequenos produtores em um shopping no centro de São Paulo. “Em 2017, o projeto acabou. Senti uma forte intuição e pedi à administração para continuar. Mas não tínhamos nenhum dinheiro para montar nossa loja”, recorda.

Com criatividade e ajuda da família, procurou por materiais reciclados em caçambas e entulhos do shopping. Hoje, os 17 produtos estão expostos em uma loja totalmente sustentável. “Essa loja trouxe exatamente o que queríamos: traços africanos. Somos as únicas mulheres negras que têm loja. Passamos por muitos desafios, seja preconceito, por ser mulher ou por ser negra. Pretendemos crescer com filial, ajudar mulheres de baixa renda e baixa autoestima e levar mais autoconhecimento. Acredito que isso seja possível, por isso estou aqui hoje. Faço parte de 54% da população que é negra. Falaram que nosso cabelo era feio, que nossa pele era feia. Mas através da nossa ancestralidade, conseguimos mudar”, conclui.

Fotos: Ricardo Toscani/CLAUDIA

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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