Empréstimo para negativados: 4 em cada 10 admitem que não resolveram seus problemas financeiros

25 de junho de 2018 - Por

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Pegar um empréstimo para negativados foi o grito de socorro para 16% dos inadimplentes brasileiros limparem o nome, segundo levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). O percentual sobe para 21% entre os consumidores inadimplentes das classes A e B. Para chegar a essas e outras conclusões, foram entrevistados 800 consumidores inadimplentes ou que estiveram inadimplentes nos últimos 12 meses nas 27 capitais, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

No entanto, nem todos conseguiram resolver seus problemas financeiros – mais precisamente, quatro (43%) em cada dez entrevistados. Além disso, 20% não conseguiram limpar o nome e ainda terão de pagar pelo empréstimo. A pesquisa apontou ainda que 8% não resolveram a situação porque usaram a grana do empréstimo para pagar contas, em vez de quitarem a dívida. Entre os entrevistados, 51% consideram que a situação foi resolvida. A adesão a esse tipo de empréstimo acende um alerta em função dos juros astronômicos que são cobrados.

Por que as pessoas contratam empréstimo para negativados?

Há instituições que oferecem este tipo de crédito com a assustadora taxa de juros de 700% ao ano. Isso é quase o dobro dos 396,9% a.a. cobrados para quem não paga nem o mínimo da fatura do cartão de crédito, segundo dados do Banco Central (BC) referentes ao mês de abril.

“Quanto mais risco a empresa corre de levar calote, maiores os juros que ela cobra”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Essa premissa não foi empecilho para quem optou pelo empréstimo para negativados. De acordo com o levantamento, três em cada dez (29%) consumidores disseram que essa foi a única maneira que eles encontraram para quitar as dívidas. Enquanto isso, 27% fizeram essa escolha por acreditarem ser uma maneira rápida de limpar o nome, enquanto 25% não conseguiram obter crédito em bancos convencionais.

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As ciladas do empréstimo para negativados

Na ânsia de limpar o nome, muita gente acaba cavando um buraco ainda maior. O estudo mostrou que 21% não estão conseguindo honrar o compromisso em dia, alguns por falta de controle dos gastos (7%), outros por perda de emprego (5%).

De acordo com Kawauti, é comum que essas instituições financeiras apenas cedam o crédito se o pagamento for feito diretamente com desconto em folha ou débito automático. Assim, caso a parcela caia sem que a conta tenha fundos para isso, o consumidor acaba caindo em outra dívida: o cheque especial.

“Por isso, é importante que a pessoa faça pelo menos uma avaliação prévia, para entender o tamanho do buraco que está cavando. Ela pode estar pegando a pior alternativa, sendo que até poderia refinanciar a dívida de outra forma.”, alerta Kawauti. Ou seja, fica reforçado o alerta para não recorrer a empréstimo para negativado. Por mais que possa parecer uma solução rápida, o custo não compensa e pode te deixar em uma situação muito pior.

Empréstimo para negativados e o apelo do marketing

O papel da propaganda – seja na televisão, jornais ou revistas – é enorme quando se fala sobre empréstimo para negativados. Para que se tenha ideia, essa foi uma das formas mais comuns pelas quais os entrevistados tomaram conhecimento desse tipo de serviço, opção mencionada por dois em cada dez (21%). A internet surge empatada, também com 21% das menções, seguida da indicação de amigos e parentes (17%) e panfletagem na rua (16%).

Para Kawauti, a propaganda está diretamente relacionada ao fato de 27% dos entrevistados acreditarem que o empréstimo para negativados seria a forma mais rápida de limpar o nome.

“A consumidora não pode evitar ser impactada pelo marketing, mas pode, sim, se informar mais. Vá em um site de buscas e digite ‘empréstimo para negativados é bom?’. A propaganda vai falar que sim, mas ela pode ir além da narrativa que a empresa quer contar”, recomenda.

Existe o cuidado para checar a idoneidade da empresa: 95% afirmaram ter procurado informações a respeito disso para evitar fraudes ou golpes. Porém, a alta adesão a essa modalidade de crédito mostra que não existe o mesmo cuidado na hora de checar se o empréstimo para negativados é, de fato, a melhor alternativa.

“Embora existam muitos bancos e financeiras que operam regularmente e que possuem credibilidade, o consumidor deve ficar atento na hora de contratar esse tipo de serviço. Em parte dos casos, instituições falsas ou não autorizadas oferecem facilidades fora da realidade de mercado e exigem depósito prévio para liberarem o dinheiro, principalmente em contas de pessoas físicas”, conclui Kawauti.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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