Estudo: consequências do crescimento do emprego informal no Brasil

Estudo: consequências do crescimento do emprego informal no Brasil

A crise econômica que o Brasil vem enfrentando nos últimos anos resultou em uma triste realidade para os trabalhadores: o aumento da informalidade. Apenas em 2017 foram criadas 1,8 milhão de vagas no setor informal, enquanto 685 mil vagas com carteira assinada foram perdidas. Os dados foram divulgados em março deste ano pela consultoria de Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central.

O que pode parecer uma solução para a falta de emprego é, na verdade, uma forma de desvalorização profissional. “Com o elevado número de pessoas disponíveis no mercado sem receber um salário formal, a renda familiar total tende a cair. Não estar amparado pela carteira assinada significa não ter acesso ao crédito e a direitos fundamentais. Além de ser prejudicial tanto para o trabalhador quanto para o próprio País, já que menos pessoas contribuem para a Previdência”, pontua Alexandre Prado, especialista em finanças.

“Com todo os problemas nos cenários político e econômico que o Brasil vem enfrentando, o crescimento de empregos informais é uma consequência natural. Com a taxa de desemprego superior a 12%, as pessoas buscam na informalidade uma forma de continuarem a ter renda. Nós enfrentamos recentemente dois ciclos. Em 2012 e 2013, as pessoas enxergaram uma oportunidade de empreender e chegaram a deixar empregos formais para criarem seus próprios negócios. O motivo agora é justamente o contrário. Não é mais pela oportunidade, e sim pela necessidade”, comenta Leandro Trajano, especialista em planejamento financeiro.

Piora na oferta de vagas impacta diretamente o crescimento econômico

O mesmo estudo revelou que, em 2011, o País tinha 39,9 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Em 2017, esse número caiu para 38,4 milhões, mesmo período em que havia 12,3 milhões de desempregados, 26,4 milhões de subempregados e 4,4 milhões que desistiram de buscar emprego. No ano passado, no entanto, houve melhora no comportamento do varejo. Segundo os dados do levantamento, isso pode ter ocorrido em função da liberação de R$ 44 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), quando o brasileiro pôde destinar o dinheiro às compras.

Segundo o Ministério do Trabalho, os postos de trabalho formais diminuíram pelo terceiro ano seguido em 2017. Segundo Prado, isso influencia diretamente no crescimento de empregos informais no País. “Só no ano passado perdemos quase 21 mil postos formais. Aliado a isso, temos o ritmo de retomada da atividade econômica, que ainda é muito suave e não é suficiente para gerar os postos de trabalho demandados pela população.”

“A partir do momento em que temos um grande número de empregos informais e não ocorre uma educação financeira por trás, os resultados podem ser devastadores. O INSS e FGTS constroem um futuro para o empregado e dão a base para o amanhã. No primeiro momento, o salário informal parece maior, mas o trabalhador esquece que perderá alguns direitos. No longo prazo, isso trará problemas”, alerta Trajano.

O consumo da sua família continuou o mesmo nos últimos anos?

Muito provavelmente sua resposta será não. Isso se deve ao fato de que a taxa de consumo quase não se moveu entre outubro e dezembro de 2017, tendo em vista que o Produto Interno Bruno (PIB) cresceu apenas 1% em comparação à 2016. O consumo das famílias em patamar baixo fez com que as empresas cortassem gastos.

“Essa redução nas vagas formais têm dois aspectos: o primeiro, relaciona-se ao nível de atividade econômica que está mais lento do que o esperado. Assim, as empresas precisaram reduzir seus quadros, o que gerou cortes de custos e despesas. O segundo é que, em virtude da forte demanda por empregos, algumas empresas têm preferido realizar contratações informais, de acordo com suas necessidades momentâneas”, explica Prado.

trabalho-informal

Para Trajano, outro motivo é a empresa querer crescer, mas à medida que isso acontece, também aumentam os encargos. “Por isso, muitos optam por contratar de maneira informal. A instabilidade política e econômica do País também influencia, já que isso gera uma insegurança no empregador sobre rumos futuros. Isso tudo se refere ao pequeno e médio empreendedor, visto que as grandes empresas e multinacionais vão contratar de uma maneira ou de outra.”

Como se encaixar nessa nova modalidade e garantir uma renda mensal?

Infelizmente muitas pessoas não possuem outra alternativa a não ser o trabalho informal, ainda que temporariamente. Afinal, é necessário ter dinheiro para manter a família. Para conseguir um emprego temporário, é importante ter algumas habilidades e se destacar em meio a tanta procura.

A principal habilidade requerida neste momento, de acordo com Renato Grinberg, consultor de gestão e liderança, é a capacidade de se adaptar às mudanças de maneira rápida e efetiva. “Além disso, as empresas querem empregados com ‘mente de dono’. Ou seja, que tenham iniciativa própria para solucionar os problemas do dia a dia, como se a empresa fosse deles. Esse movimento é condizente com o desejo de empreender das novas gerações — é possível fazê-lo mesmo sendo empregado de uma corporação.”

“As novas gerações têm, hoje, um relacionamento diferente com o trabalho. Não são todos aqueles que buscam empregos com horário certo para entrar e sair, por exemplo. Já em relação à renda, o profissional freelancer tem a possibilidade de estimar o quanto quer e precisa ganhar por mês. Com organização e planejamento, é possível conquistar seus objetivos, além de estabelecer um plano de crescimento dentro de sua carreira”, conclui Guillermo Bracciaforte, cofundador da Workana, plataforma de trabalho freelancer.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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