FAQ da investidora: como investir meu dinheiro durante a crise financeira?

29 de abril de 2020 - Por

faq-da-investidora-como-investir-meu-dinheiro-durante-a-crise-financeira

quem ama, compartilha!

Desde que a crise financeira desencadeada pelo novo coronavírus começou, as investidoras estão preocupadas com as suas aplicações ou na dúvida de como investir o dinheiro poupado todos os meses.

A desestabilização dos mercados financeiros, o derretimento das bolsas de valores em diversos países e a constante alta do dólar podem causar agitação e pânico. No entanto, é necessário manter a calma e informar-se antes de tomar qualquer decisão sobre o seu dinheiro.

Para te ajudar a enfrentar esse período, listamos as principais dúvidas sobre investimentos em tempos de COVID-19 e convidamos a Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama, para respondê-las*. Confira.

As 16 maiores dúvidas sobre investimentos durante a crise do coronavírus

1. Como as investidoras podem lidar com a volatilidade do mercado financeiro em tempos de COVID-19?

Ter um plano a seguir e objetivo ajudam a investidora a passar pelos momentos de maior volatilidade do mercado financeiro. Um plano bem elaborado leva em conta as variações negativas que poderão ocorrer durante a trajetória e uma carteira adequada ao perfil inclui percentuais de renda fixa e proteções que vão servir de
colchão de amortecimento para esses momentos.

Elas também precisam entender que não é possível conseguir retorno, risco e liquidez em uma única aplicação. Para equilibrar esses três pilares é preciso diversificar. Com os juros na mínima histórica, abrir mão de previsibilidade de retornos significa aceitar um pouco mais de volatilidade na carteira.

2. É um bom momento para resgatar os meus investimentos?

Aquela que segue um plano e é disciplinada possui reserva de emergência e poderá
resgatar para uma eventualidade ou complementar a renda. Por exemplo, uma profissional liberal ou autônoma, que não está trabalhando ou que tiveram redução na renda, vão precisar fazer o resgate para pagar suas contas. Se não for esse o caso, resgatar em meio à crise pode resultar em prejuízos e desvio de curso do plano.

3. O que a investidora deve ponderar antes de fazer o resgate dos investimentos?

Se é uma necessidade para cobrir uma emergência ou complementar a renda, se tem uma oportunidade, se atingiu um objetivo ou se há um desconforto a ponto de a investidora não estar dormindo bem.

Caso a investidora esteja perdendo o sono com as variações das aplicações, é melhor rever o plano e fazer ajustes para adequar os investimentos ao perfil dela.

4. Diante da crise financeira causada pelo coronavírus, como proteger meu dinheiro?

Os Fundos DI ou títulos do Tesouro Selic são investimentos de baixo risco e alta liquidez, ideais para a reserva de emergência e compõem o colchão de amortecimento.

5. Tenho um dinheiro guardado na poupança, como investir?

Quem ainda tem dinheiro na poupança provavelmente tem como prioridade não correr risco. Nesse caso, o primeiro passo é aplicar em produtos conservadores e de alta liquidez, como os fundos DI ou títulos Tesouro Selic.

faq-da-investidora-como-investir-meu-dinheiro-durante-a-crise-financeira

6. Apesar da crise, estou conseguindo poupar uma parte da minha renda. Como investir meu dinheiro?

Excelente. Eu estabeleceria quatro etapas:

  • Montar uma reserva de emergência com valor de 6 a 12 vezes o total de gastos
    mensais, aplicada nos fundos DI ou títulos Tesouro Selic;
  • Reserva de emergência conquistada, ampliar o colchão de segurança para
    fundos de crédito privado;
  • Colchão de segurança assegurado, incluir fundos imobiliários para aumentar o
    rendimento;
  • Continuar buscando por maiores retornos, adicionar fundos multimercado, ações
    ou fundos de ações.

7. Eu estava montando minha reserva de emergência no Tesouro Direto e todos os meses fazia a transferência de um valor, devo continuar?

Sim, siga o plano. Lembrando que para a reserva de emergência, os títulos do Tesouro mais apropriados são o Tesouro Selic.

8. É interessante guardar dinheiro em contas correntes que rendem 100% do CDI ou fundos DI taxa zero?

Sim, rendem mais do que a poupança. Os fundos DI com taxa zero, como aplicam em títulos Tesouro Selic, são de baixo risco de crédito, pois o emissor é o Tesouro Nacional. As contas 100% do CDI correm risco de crédito, a investidora deve se certificar qual o emissor e se há cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

9. Investir no Tesouro Direto é arriscado?

O Tesouro Nacional é o emissor de títulos de mais alta qualidade de crédito do sistema financeiro. Mas há títulos com risco de mercado, ou seja, cujos preços variam em função da oferta e demanda. Assim, os títulos do Tesouro prefixados e os atrelados ao IPCA correm o risco de variação negativa durante o seu prazo a decorrer.

10. Quais aplicações em renda fixa são indicadas neste momento de crise financeira?

Fundos e títulos. Mas como são muitas opções de remuneração, risco e liquidez, é preciso selecionar de acordo com o plano da investidora.

11. Faz sentido aplicar em câmbio (dólar ou euro)?

O mercado de câmbio também é volátil e ele deve entrar nos investimentos como proteção para compor o colchão de amortecimento, principalmente para a investidora que possui parte alocada em renda variável.

12. É um bom momento para investir em fundos imobiliários?

Com a taxa de juros baixos é uma boa opção para otimizar os retornos no médio prazo. Pois em meio à crise deflagrada, alguns fundos imobiliários podem suspender a distribuição dos rendimentos.

13. É comum ouvirmos que é interessante comprar ações quando as bolsas estão em queda. É uma decisão acertada? Quais os riscos nesse momento de crise financeira? O que devemos avaliar?

Sim, é estratégia ganhadora no longo prazo, porém mais recomendada para a investidora de perfil arrojado. É importante ressaltar que há risco de forte variação negativa, -30%, -50% ou mais e de uma empresa virar pó, ou seja, o valor investido vira zero.

Ao investir em ações é preciso avaliar a perspectiva de sucesso e lucro da empresa. Questione quais são seus produtos, seus diferenciais, público-alvo, margens de lucro, governança, concorrência e em qual setor está inserida. Se há barreiras de entradas, riscos regulatórios, entre outros requisitos.

É muita informação. Uma dica para as investidoras que querem investir em ações, são os fundos. Os gestores se encarregam de avaliar todas essas variáveis e selecionar as empresas com maior potencial de valorização.

14. Tenho perfil moderado, comecei a investir em ações e fiquei assustada com as quedas. Devo vender meus ativos? Qual a recomendação neste momento?

A crise atual assustou todo mundo. A magnitude e velocidade das quedas foram sem precedentes. É preciso refletir sobre o próprio perfil, pode ser interessante ajustar as posições para se sentir confortável. Contudo, se o susto não se configurar em perder o sono, há a possibilidade de recuperação das perdas, mas se for possível pense em um horizonte de prazo maior.

15. Há uma previsão de normalização da Bolsa? A volatilidade deve persistir?

É impossível responder isso. A volatilidade deve permanecer alta. Enquanto não se descobrir um remédio ou vacina para que se consiga definir planos de reabertura da economia, a incerteza continua e a volatilidade também.

16. O momento de crise financeira pede uma postura mais conservadora nos investimentos?

Sim, pois o cenário ainda é nebuloso, difícil de fazer previsões para os indicadores macroeconômico que nos guiam. A única certeza que temos é que a taxa de juros continuará baixa por mais tempo.

*As respostas não refletem, necessariamente, a nossa opinião e as recomendações podem não ser aplicáveis a todas as leitoras. Antes de fazer qualquer investimento, informe-se sobre o mercado financeiro, conheça o seu perfil de investidora e procure uma assessoria de investimentos para te orientar.

Fotos: AdobeStock.

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

quem ama, compartilha!

Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
Fale comigo! :) carolnogueira@financasfemininas.com.br

Leia em seguida

Apesar de conflitos no Brasil e EUA, Bolsa fecha em alta nesta segunda (1º)

1 de junho de 2020

O Ibovespa ignorou os conflitos políticos e manifestações antifascismo e antirracismo nos EUA e Brasil, fechando em alta puxada pelos bancos. Veja mais.

Apesar do coronavírus e queda no PIB, Bolsa tem melhor maio desde 2009

29 de maio de 2020

Apesar do coronavírus e da queda de 1,5% no PIB do 1º trimestre, a Bolsa se livrou da “maldição de maio” e fechou com alta. Entenda o motivo.

Tensão entre governo e STF derrubam Bolsa nesta quinta (28)

28 de maio de 2020

O embate entre governo e STF pelo inquérito das fake news deixou o mercado financeiro inseguro, derrubando o Ibovespa. Desemprego bateu recorde. Veja mais.

SIGA O INSTAGRAM @financasfemininas