FGTS: benefício poderá usado na compra de imóvel de até R$ 1,5 milhão

2 de agosto de 2018 - Por

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Sabemos que conseguir comprar a casa própria não é nada fácil, principalmente em grandes cidades, onde o m² costuma ser bem caro. Se você trabalha com carteira assinada e tem o sonho de comprar o seu próprio cantinho, recorrer ao FGTS pode ser uma boa opção. A partir de agora, o benefício poderá ser permanentemente utilizado na aquisição de imóveis de até R$ 1,5 milhão. As novas regras entram em vigor no dia 1º de janeiro de 2019.

Entre fevereiro e dezembro de 2017, o teto de R$ 1,5 milhão havia sido liberado temporariamente. Após o Conselho Monetário Nacional (CMN) comprovar que a mudança não trouxe impacto negativo para o FGTS, o órgão decidiu manter a ampliação de forma permanente. Antes, era possível financiar até R$ 950 mil para compras em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Belo Horizonte, e R$ 800 mil no restante do País. As mudanças foram anunciadas na última terça-feira (31/7).

Para ter acesso ao benefício, é preciso contratar o financiamento dentro das regras do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que prevê juro máximo de 12% ao ano mais a correção monetária pela Taxa Referencial (TR).

Mudanças no Crédito Imobiliário

Também foram anunciadas outras mudanças no Crédito Imobiliário. Agora, o governo flexibilizou as regras de direcionamento dos recursos da poupança pelos bancos. De cada R$ 100 que forem investidos na caderneta de poupança, R$ 65 precisam ir para o financiamento imobiliário. Outros R$ 52 serão emprestados de acordo com as condições do SFH.

Por outro lado, foi retirada a obrigatoriedade de destinar 80% dos recursos às operações contratadas pelo SFH. Sendo assim, todo o montante destinado pelos bancos para financiamento imobiliário poderá ser usado em imóveis de qualquer valor, com taxas estabelecidas entre o mutuário e a instituição financeira – e indexados a qualquer índice econômico.

O Banco Central espera que as novas regras coloquem cerca de R$ 80 bilhões no crédito imobiliário nos próximos seis anos. O órgão acredita que, mesmo com essa maior liberdade das instituições financeiras, os juros do crédito não devem aumentar com as novas regras. Em entrevista concedida ao Estadão, o diretor de regulação do BC, Otávio Damaso, justificou a avaliação dizendo que as taxas dos bancos para o crédito imobiliário variam atualmente, em média, entre 8% e 10% ao ano, isto é, já abaixo do limite do SFH.

Como é algo que ainda acontecerá, não há como ter certeza se os juros não aumentarão de fato. Aqui vale um alerta: antes de contratar um financiamento imobiliário, faça muitas pesquisas em diferentes instituições financeiras, compare os juros e avalie com cuidado o contrato. Afinal, esse é um momento de realização de um sonho, mas que facilmente pode virar um pesadelo se sair do seu orçamento.

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Utilizar o FGTS para comprar um imóvel é realmente uma boa?

Diante de tantas mudanças no universo do Crédito Imobiliário, é importante ficar atenta se você estará, de fato, realizando um bom negócio. Antes de utilizar o seu benefício na compra da sua casa própria, pondere sobre sua atual situação econômica e se esse é o melhor momento para fechar negócio.

“A trabalhadora sempre deve analisar os cenários para saber o melhor momento para sair do aluguel. Apesar do FGTS ser uma ótima opção em financiamento da casa própria, devido ao baixo rendimento que ao fundo nos proporciona, é preciso se perguntar: quanto o seu dinheiro renderia se estivesse aplicado em vez de comprar um imóvel?”, comenta Alvacir Hayashi Ferreira, professor de Economia da IBE Conveniada FGV.

Se o resultado desse rendimento for maior que a parcela do aluguel que você está pagando, o ideal é continuar no aluguel, afinal, você consegue pagar sua despesa e ainda guardar parte do rendimento para futuros investimentos. “Enquanto o FGTS estiver rendendo, a trabalhadora deverá, em paralelo, reservar parte de seu salário para realizar investimentos – preferencialmente de longo prazo por proporcionarem maiores rendimentos. Assim, ao juntar o valor que investiu (e rendeu) com o valor do FGTS, ela terá uma boa quantia para dar entrada no seu imóvel ou, ainda, para comprá-lo à vista”, complementa.

Entretanto, se você fez todos os cálculos e acha que é mais vantajoso utilizar o seu benefício para conquistar a tão sonhada casa própria, é importante incluir no seu orçamento futuro todos os gastos que você terá nesse processo.

“Se a trabalhadora tiver condições de poupar e investir suas reservas, é possível que o rendimento, decorrente do investimento, seja capaz de cobrir os valores das parcelas do financiamento. Para isso, é necessário ter em mente o valor da parcela e analisar as possibilidades de investimento que proporcionarão maior rentabilidade”, conclui Ferreira.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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