Financiamento da casa própria: a Caixa aumentará os juros para a classe média?

10 de janeiro de 2019 - Por

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No início da semana, uma declaração do novo presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, deixou muita gente surpresa, principalmente quem pretende financiar a casa própria pelo banco estatal. Ele afirmou, durante sua posse na última segunda-feira (7), que a classe média terá que arcar com os juros de mercado para o financiamento habitacional. Mas, na prática, o que isso quer dizer?

De acordo com ele, quem recorrer a essa modalidade pagará taxas maiores do que os oferecidos nas operações do Minha Casa Minha Vida, que tem juros subsidiados pelo governo para a população de baixa renda.

“Se hoje você tem zero de empréstimo para pessoas de classe média, não vão ser os juros do Minha Casa Minha Vida. Quem é classe média tem de pagar mais. Ou vai buscar no Santander, Bradesco, Itaú. E vai ser um juros de mercado [na Caixa Econômica Federal]. A Caixa vai respeitar os juros de mercado”, afirmou em seu discurso.

De fato, essa medida impactará a classe média?

A fala de Guimarães gerou tanta repercussão que, na terça-feira (8), o presidente da Caixa negou o aumento de juros para o financiamento imobiliário. Durante a cerimônia de transmissão de cargo ao novo presidente do BNDES, ele reafirmou que a taxa de juros para a classe média permanecerá acima do que é praticado no Minha Casa Minha Vida.

“O menor juros que existe no Brasil para crédito imobiliário é o do Minha Casa Minha Vida; você querer comprar o Minha Casa Minha Vida com crédito imobiliário para a classe média não é correto matematicamente. É óbvio que os juros para classe média é maior”, comentou.

“O Minha Casa Minha Vida é dividido em faixas de enquadramento. A faixa 3, que diz respeito à classe média, tem como limite de renda cerca de R$ 6 mil, algo que está muito além da faixa de baixa renda. O programa em questão é subsidiado pelo governo federal, que arca inclusive com parte do valor do imóvel. Por isso os juros são baixos”, explica Diego Barbieri, professor de gestão e finanças da IBE Conveniada FGV.

Juros praticados no mercado

O portal G1 fez um levantamento sobre as taxas de juros praticados nas linhas de crédito habitacional em cinco bancos. Para quem está fora da faixa de baixa renda, já são aplicados os juros de mercado (veja na tabela abaixo).

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Para conseguir um financiamento com a menor taxa possível, o consumidor precisa passar por diversos critérios, entre eles faixa de renda, tempo de relacionamento com o banco e valor do imóvel, que influencia diretamente nos juros cobrados.

“Estamos com uma taxa de juros baixa, de 6,75%, uma das menores que já tivemos. Por isso é preciso avaliar bem a concorrência entre os bancos. Historicamente, a Caixa Econômica nunca foi o perfil de compra de imóvel no valor de mercado”, pondera Barbieri.

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E agora, qual a melhor opção para financiar a casa própria?

Antes de decidir pedir um financiamento para a compra da casa própria, é preciso avaliar se esse é o momento de vida certo para dar esse passo. Segundo Alvacir Hayashi Ferreira, professor de economia da IBE Conveniada FGV, embora o setor imobiliário tenha sido uma das apostas para a retomada da economia para este ano, é fundamental ter cautela neste momento.

“Como estamos em uma transição de governo, e as mudanças ainda são incertas em vários aspectos da economia, é prudente que as pessoas aguardem para ver se o cenário será propício para a compra de um imóvel. Se esse é o seu caso, é preciso fazer as contas para ver se vale a pena assumir uma dívida de longo prazo, com taxas mais elevadas, ou se deve continuar no aluguel e aplicar recursos em investimentos mais rentáveis”, conclui.

Fotos: Adobe Stock

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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