Gastos públicos assustam e Bolsa fecha mês com perda de 3,44%

31 de agosto de 2020 - Por

Gastos públicos assustam e Bolsa fecha mês com perda de 3,44%

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -2,72% (99.369 pontos)

Dólar: +1,2% (R$ 5,48)

Casos de coronavírus: 3.866.157 confirmados e 120.976 mortes*

Resumo:

  • Bolsa se descola do exterior e cai aos 99 mil com investidores mais preocupados com as contas públicas;
  • governo entrega ao Congresso o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2021; documento intensifica preocupações e puxa queda do Ibovespa;
  • no PLOA, governo estima salário mínimo de R$ 1.067 em 2021;
  • Brasil já perdeu quase 121 mil vidas para coronavírus;
  • mercado melhora projeção para PIB em 2020, estimando queda de 5,28%

A questão do risco fiscal rodeou a Bolsa agosto inteiro – e não foi diferente no último pregão do mês. Nesta segunda-feira (31), o Ibovespa, principal índice da B3, voltou aos 99 mil pontos, com 67 das 75 ações listadas fechando em queda. Esse movimento foi na contramão das bolsas estadunidenses, que encerraram o mês batendo máximas.

Um dos principais motivos para a apreensão de hoje foi a entrega do Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para 2021 ao Congresso, conforme detalharemos adiante. Como o nome indica, ele dá pistas de como o governo gastará o dinheiro – e como ficará a questão da dívida pública.

A preocupação foi tamanha que, quando o documento foi divulgado (por volta das 15h30), a Bolsa passou a cair em maior intensidade. O PLOA aponta que as despesas deverão se manter acima das receitas até 2023, o que preocupa o mercado financeiro.

O projeto prevê que o governo manterá o teto de gastos. No entanto, há certa preocupação, especialmente por causa das promessas do Renda Brasil e dos flertes de Bolsonaro ao aumento de gastos com obras e outras medidas consideradas populistas – de olho nas eleições de 2022.

Já amanhã (1º), o governo federal deverá divulgar qual será o valor das novas parcelas do Auxílio Emergencial a ser pago até dezembro – que deve ficar em R$ 300, conforme contamos aqui. No entanto, como nada é oficial, os investidores seguem de olho na confirmação.

Desta forma, o Ibovespa encerrou o mês de agosto caindo 3,44%. Já o dólar valorizou 5,02% em relação ao real.

Gastos públicos assustam e Bolsa fecha mês com perda de 3,44%

Governo estima salário mínimo de R$ 1.067 em 2021

O governo apresentou, nesta segunda-feira, a proposta de Lei Orçamentária Anual (LOA) que, resumidamente, estabelece quais serão as despesas e as receitas do ano seguinte – neste caso, 2021. Entre outros pontos, há a projeção para o salário mínimo, que deverá sair do patamar atual de R$ 1.045 (valor atual) para R$ 1.067 – uma alta de 2,1%.

No mês de abril, a estimativa era que o salário mínimo subisse para R$ 1.079 ano que vem. No entanto, como o cálculo considera a inflação – que tem se mostrado menos acentuada –, o governo concluiu que o valor deverá ser mais baixo.

O governo também propôs manter gastos com Educação superiores aos de Defesa – serão destinados, respectivamente, R$ 144,538 bilhões e R$ 116,127 bilhões. Em meados de agosto, chegou-se a cogitar um orçamento maior para a defesa do que para a educação, o que foi alvo de duras críticas de especialistas.

Ainda na LOA, o governo federal prevê crescimento do PIB de 3,2% em 2021.

Mercado melhora projeção para PIB em 2020, estimando queda de 5,28%

Os economistas do mercado financeiro melhoraram as estimativas para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2020, passando a projeção de uma retração de 5,46% para 5,28% – a oitava semana seguida de melhora.

Este dado faz parte do relatório Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central (BC) a partir da opinião de economistas de mais de 100 instituições financeiras. O PIB é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir a evolução da economia.

Para 2021, a expectativa dos profissionais para o crescimento da atividade econômica segue em 3,50%.

Já expectativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do País, passou de 1,71% para 1,77%. Apesar de ligeiramente mais alto, o número segue abaixo do centro da meta de inflação, que é de 4%, assim como do piso do sistema de metas, que é de 2,5% neste ano.

Pela regra vigente, a inflação oficial pode variar de 2,5% a 5,5% sem que a meta seja formalmente descumprida. Quando isso não acontece, o Banco Central deve escrever uma carta pública explicando as razões.

O mercado prevê, ainda, que a taxa Selic seguirá no patamar de 2% a.a. até o final do ano. Para 2021, no entanto, os profissionais diminuíram a expectativa de 3% para 2,88% a.a.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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