Gerd Leonhard: como será a nossa relação com a tecnologia no futuro?

15 de junho de 2018 - Por

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Como era a sua relação com a tecnologia há dez anos? Em 2008, por exemplo, era lançado o primeiro iPhone 3G e o navegador Chrome. A entrada desses produtos no mercado foi algo revolucionário. Hoje, tanto o Iphone quanto o Chrome são comuns no cotidiano das pessoas – ainda que o primeiro continue com o valor bem salgado. Agora, pense em como a tecnologia evoluiu de lá para cá em uma velocidade exponencial e onde estaremos daqui a 50 anos.

Esses foram alguns dos questionamentos de Gerd Leonhard, futurista e autor do livro “Technology vs. Humanity” (Tecnologia versus Humanidade, em tradução livre) que palestrou no Congresso de Tecnologia da Informação para Instituições Financeiras (Ciab), promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Para Leonhard, o exponencial é o novo normal da sociedade moderna, que está tão habituada a se adequar às novidades tecnológicas que aparecem a todo o momento. Porém, o maior problema é onde encaixar a humanidade em um momento de tantas mudanças.

“A tecnologia é exponencial, mas humanos não são. Você já tentou fazer muitas tarefas ao mesmo tempo? Isso não funciona. Nós não conseguimos processar tudo de forma tão rápida e, por isso, nós somos o oposto das máquinas. É importante pensar que a tecnologia não pode resolver problemas políticos e sociais. Não existe um aplicativo para a felicidade ou um sistema contra corrupção”, pontuou.

Você está preparada para tantas mudanças?

Sabe aqueles filmes de ficção científica em que os robôs dominam o mundo e acabam com os seres humanos? Leonhard não acredita que esse será o nosso futuro, pelo simples fato de que os dois lados têm suas limitações. Da mesma forma que nós não conseguimos processar inúmeras informações ao mesmo tempo, as máquinas não são capazes de interpretar sentimentos.

Entretanto, isso não quer dizer que as máquinas não irão desempenhar papéis importantes da sociedade, como já acontece hoje. A tendência é que haja uma maior e mais rápida automação de várias profissões, principalmente as pautadas em rotinas, como operação de máquinas e direção de automóveis.

“Nós vamos viver cada vez mais com o avanço da medicina. Com uma força de trabalho mais velha, a automação irá tirar os nossos empregos e a desigualdade social aumentará, porque tecnologia é poder. Pensem em como o celular já se tornou o nosso segundo cérebro. Em meio a tudo isso, não podemos esquecer de quem nós somos”, ressaltou Leonhard.

Estar preparada para tantas mudanças será fundamental para conseguir se adequar a elas. Para isso, será imprescindível procurar entender como elas se aplicam em nossas vidas e como utilizá-las a nosso favor.

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“Imagine viver em um mundo onde todos são rastreados o tempo inteiro?”

Para Leonhard, dentro de cinco anos um único computador terá a mesma capacidade de uma mente humana. Em 50 anos, um computador terá a capacidade de todas as mentes humanas juntas. Imagine como será daqui a alguns anos se, hoje, o Google e o Facebook sabem muito mais sobre você do que qualquer outro ser humano?

“Imagine viver em um mundo onde todos são rastreados o tempo inteiro? Daqui a poucos anos, os dados serão o novo petróleo, serão as coisas mais valiosas do mundo. A Inteligência Artificial será a nova eletricidade. Tudo o que faremos estará na nuvem, porque é mais eficiente, mais rápido e permite o comércio inteligente. Porém, é preciso colocar um humano dentro do sistema. Quem está no controle da nossa vida?”, comentou.

É preciso dominar a tecnologia

Leonhard não é contra a tecnologia, mas sim um grande entusiasta da relação do ser humano com a modernização dos sistemas. Para ele, a utilização da tecnologia melhora os processos das instituições e constrói uma sólida relação com o cliente. Porém, é fundamental ter um pensamento crítico.

“Nossa inteligência é muito mais complexa e as máquinas nunca poderiam chegar a esse nível. Nós somos lineares e orgânicos. Precisamos abraçar a tecnologia, mas não nos transformar nela. Nesse cenário, devemos ser mais humanos ao escolher a nossa profissão, por exemplo. Einstein foi um gênio porque tinha a liberdade de criar. Temos que ser uma sociedade com foco na ciência, mas também na filosofia e na ética”, concluiu.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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