Hora extra: trabalhar demais faz tão mal à saúde quanto fumar, diz estudo

6 de fevereiro de 2018 - Por

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Trabalhar no máximo 8 horas ao dia é raridade em um mundo onde fazer hora extra é até mesmo admirado pelas empresas e chefias. No entanto, a ciência condena essa cultura: um estudo conduzido pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, concluiu que trabalhar demais faz tão mal à saúde quanto fumar.

A pesquisa monitorou mais de 8 mil trabalhadores e concluiu que aqueles que ficavam fisicamente inativos por mais de 13 horas ao dia tinham o dobro de risco de morrer prematuramente do que os que permaneciam sedentários por 11 horas e meia. Por isso, os autores concluíram que essa mortalidade causada pelas longas horas no escritório é similar à causada pelo fumo.

Esse estudo cai como bomba sobre uma cultura de glamourização do trabalho, na qual trabalhar apenas das 9h à 18h se torna cada vez mais raro. Sim, o regime de trabalho regular do brasileiro de carteira assinada é de 44 semanais. Porém, seja por conta de horas extras ou até mesmo da falta de formalização do trabalho, é comum encontrar profissionais que ultrapassem esse limite com grande frequência.

Quando as horas extras são mortais

Os pesquisadores da Universidade de Columbia não estão sozinhos. Estudiosos da University College London observaram 85 mil trabalhadores – a maior parte homens e mulheres de meia idade – e encontraram uma correlação entre trabalhar demais e ter problemas cardiovasculares, especialmente batimentos cardíacos irregulares ou fibrilação atrial – condições que aumentam o risco de um AVC em cinco vezes.

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Já um estudo da Australian National University descobriu recentemente que trabalhar mais de 39 horas por semana é um risco à saúde – cinco horas a menos do limite estabelecido pela CLT.

A líder do estudo australiano, a pesquisadora Huong Dinh, ainda afirma que as mulheres possuem limite de carga horária menor: 34 horas, devido à dupla jornada e à desigualdade nos salários.

A jornada de trabalho ideal

Segundo o pesquisador americano Alex Soojung-Kim Pang, a maior parte dos funcionários hoje em dia é produtivo por, aproximadamente, quatro horas por dia. O resto das horas é preenchido com preocupações e procrastinação. Por isso, ele defende que é perfeitamente possível diminuir a jornada de trabalho sem afetar a produtividade.

Outros estudos apoiam essa observação. O governo sueco, por exemplo, elaborou um experimento que reduziu a jornada de trabalho de enfermeiras de casas de repouso para seis horas diárias, mas continuaram a pagá-las por oito horas trabalhadas. O resultado foram menos faltas devido a problemas de saúde, menos estresse e um salto na produtividade.

Embora todos estes estudos falem apenas sobre o número de horas trabalhadas, e não sobre as condições do trabalhador neste período, já sabe-se que quantidade não é qualidade: pelo menos não quando o assunto é jornada de trabalho.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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