Inadimplência: 46% dos consumidores acreditam que não conseguirão pagar dívida em breve, diz pesquisa

3 de setembro de 2018 - Por

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Apesar de os economistas estarem comemorando o arrefecimento da crise econômica, a inadimplência continua presente na vida do brasileiro. O problema é tão grande que 46% dos inadimplentes não acreditam que terão condições financeiras de pagar suas dívidas nos próximos três meses, de acordo com novo levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Esse é praticamente o mesmo número do ano passado, quando 48% dos inadimplentes também afirmaram que não conseguiriam regularizar a situação nos três meses seguintes à pesquisa. Isso mostra que, para boa parte da população, a população continua sentindo os efeitos da crise no dia a dia.

“Embora a inflação permaneça controlada e a taxa básica de juros esteja em seu menor nível histórico, o grande número de pessoas sem emprego prova que os reflexos da crise ainda se fazem presentes do dia a dia de milhões de brasileiros”, diz Roque Pellizzaro Junior, presidente do SPC Brasil.

Já outra parcela está confiante: 49% acreditam que vão conseguir quitar a dívida, sendo que 36% planejam pagar todo o valor e 13% apenas parte dele.

As mulheres são as maiores vítimas da inadimplência

Em 2018, a situação é ainda pior para as mulheres: a maior parte dos inadimplentes são mulheres, com média de 36 anos e com renda familiar de até cinco salários mínimos. Para que se tenha ideia, seis (58%) em cada dez inadimplentes são mulheres e quatro (42%) são homens.

“Além de ganharem menos, as mulheres possuem papel decisório sobre os gastos de casa. Ela que faz as contas, adquire os bens em seu nome e, por isso, acaba sendo responsabilizada pela dívida”, explica Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.

Por que o brasileiro está com tantas dívidas?

Responder essa questão não é tão difícil quando você está nessa situação ou observa amigos e familiares. Por isso, não é surpresa que a maior parte dos inadimplentes entrevistados (36%) alega que a principal dificuldade para quitar dívidas é a renda insuficiente.

Em segundo lugar está o desemprego, com 27% das menções, e 15% apontam que a dívida é muito superior aos seus ganhos, o que inviabiliza o pagamento. Há, ainda, 9% dos participantes que justificam a situação dizendo que não conseguem abrir mão de gastos com os quais estão acostumados.

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Para Kawauti, o excesso de gastos e, por outro lado, a dificuldade em cortá-los é extremamente problemática para quem já está inadimplente, já que impede a solução do problema.

“Muita gente não enfrenta a inadimplência por achar que é muito complicado e oneroso. Porém, se você coloca como prioridade, vai ver que, mesmo entendendo que a situação exige sacrifícios, é melhor resolver logo do que ficar empurrando com a barriga”, afirma.

O tamanho do problema da inadimplência

Segundo o levantamento, o valor médio da soma de todas as pendências do brasileiro é de R$ 2.615,98. A cifra é maior entre os homens (R$ 2.934,34) e pessoas das classes A e B (R$ 3.718,48), enquanto a dívida média de brasileiros com renda familiar de até cinco salários mínimos é de R$ 2.530,96.

Para completar, há 14% de inadimplentes que sequer sabem o quanto devem – algo crítico para quem deseja quitar as dívidas e limpar o nome, afinal, o primeiro passo é entender o tamanho do problema (saiba mais aqui).

Qual é a estratégia do inadimplente, segundo o levantamento?

A maioria daqueles que têm a esperança de sair da lista de inadimplentes adotarão a renegociação com o credor como principal estratégia – ela foi mencionada por 37% dos entrevistados que se mostraram otimistas.

Enquanto isso, 19% cortarão gastos – as principais áreas de corte são lazer (34%), aquisição de roupas e calçados (32%), idas ao salão de beleza (30%), alimentação fora de casa (29%) e compra de produtos de beleza (25%). Já 18% vão recorrer a trabalhos extras para conseguir renda suplementar para quitar a dívida.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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