Incertezas sobre contas públicas pesam e Bolsa fecha no vermelho

19 de agosto de 2020 - Por

Incertezas sobre contas públicas pesam e Bolsa fecha no vermelho

quem ama, compartilha!

Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,19% (100.853 pontos)

Dólar: +1,13% (R$ 5,52)

Casos de coronavírus: 3.418.306 confirmados e 110.171 mortes*

Resumo:

  • Apesar de Guedes dizer que fica, contas públicas seguem preocupando e Bolsa fecha no vermelho;
  • Maia volta a defender limite para juros do cartão de crédito e cheque especial e ações dos bancões caem;
  • banco central dos EUA assinala que os efeitos da pandemia do coronavírus ainda devem seguir por um tempo, deixando o mercado financeiro apreensivo; dólar sobe;
  • Brasil ultrapassa 110 mil mortes confirmadas por COVID-19
  • governo prorroga por três meses programa de crédito para micro e pequenas empresas;
  • 4 em cada 10 brasileiros estão pessimistas com futuro da economia, diz Datafolha.

O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, fechou em queda esta quarta-feira (19), com o mercado financeiro repercutindo a ata da reunião do banco central dos Estados Unidos (Federal Reserve, ou Fed) e a incerteza em relação ao que acontecerá com a política fiscal do Brasil.

Apesar de Paulo Guedes, ministro da Economia, ter garantido que fica, o mercado segue de olho nos problemas com as contas públicas que o governo enfrenta. A desconfiança é tanta que, pelo menos nesta quarta-feira, os investidores preferiram colocar suas fichas em empresas exportadoras, que são menos afetadas por instabilidades econômicas internas.

Essa conversa ainda tem uma série de dúvidas, que vão impactar diretamente nas contas públicas: o governo vai estender as parcelas do auxílio emergencial?
Como a entrada do “Centrão” na liderança do governo no Congresso vai afetar as reformas?

As ações dos bancões caíram depois que Rodrigo Maia, presidente da Câmara, voltou a defender que haja um limite para juros do especial e do cartão de crédito. Para ele, isso deve ser feito sem interferência do Estado, apenas como autorregulação. Porém, sabe-se que os juros são boa parte da receita dos bancos. Isso mesmo: nem sempre o que é bom para os cidadãos é exatamente benéfico para a Bolsa.

Já lá fora, por volta das 15h (horário de Brasília), o Fed divulgou ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês). O documento atestou que os juros básicos nos EUA seguirão entre zero e 0,25% ao ano – pelo menos enquanto os efeitos da pandemia do coronavírus seguirem pesado na economia estadunidense e “confiantes de que a economia resistiu aos eventos recentes e está caminho para atingir as metas de emprego e estabilidade de preços”.

Em outras palavras, os dirigentes do banco ainda estão inseguros quanto aos impactos da economia e, principalmente, quanto tempo o país demorará para se recuperar. Essas afirmações passaram para o mercado financeiro do mundo inteiro um sinal de que as coisas não vão tão bem como parecem – o que, por sua vez, freia a vontade dos investidores de se arriscarem.

Todos esses fatores ajudaram a empurrar o dólar para cima.

Incertezas sobre contas públicas pesam e Bolsa fecha no vermelho

De quebra, vale lembrarmos que isso tudo vem acontecendo com a pandemia do coronavírus como pano de fundo – e, de certa forma, uma maestrina que conduz os rumos da economia, de acordo com o jeito que os países lidam com ela. No Brasil, já são mais de 110 mil mortos e 3,4 milhões de casos confirmados de COVID-19.

Dois estados, além do Distrito Federal, tiveram alta no número de óbitos: Minas Gerais e Amazonas. Para acompanhar a situação no seu estado, o portal G1 elaborou um infográfico, que usa a variação da média móvel – que aponta com mais precisão a evolução da doença e é calculada somando o resultado dos últimos sete dias, dividindo por sete. Clique aqui e veja.

Governo prorroga por três meses programa de crédito para micro e pequenas empresas

Os micro e pequenos empresários terão mais três meses para solicitar apoio do Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, o Pronampe. O governo federal publicou nesta quarta-feira a prorrogação do programa – que foi criado para socorrer o setor por conta dos impactos econômicos da pandemia do coronavírus – por três meses.

Quem assina a portaria é o secretário Especial de Produtividade, Emprego e Competitividade, Carlos da Costa.

Lembrando que todas as instituições financeiras, públicas ou privadas, estão aptas a oferecerem essa linha de crédito, que é voltada a:

  • microempresas com faturamento de até R$ 360 mil por ano;
  • pequenas empresas com faturamento anual de de R$ 360 mil a R$ 4,8 milhões.

4 em cada 10 brasileiros estão pessimistas com futuro da economia, diz Datafolha

Para 41% dos brasileiros, a situação econômica do País deve piorar nos próximos meses – incluindo avanço da inflação, perda do poder de compra e aumento do desemprego –, mostrou levantamento do Datafolha. Este é o maior pessimismo já registrado pelo instituto de pesquisa no governo Bolsonaro.

Para 29%, a economia brasileira ficará igual, enquanto outros 29% acreditam em uma melhoria. Já 1% não souberam responder.

Para chegar às conclusões, o Datafolha ouviu 2.065 pessoas por telefone nos dias 11 e 12 de agosto.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

quem ama, compartilha!

Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) [email protected]

Leia em seguida

Nova onda de COVID-19 e escândalo de bancos derrubam Bolsa nesta segunda (21)

21 de setembro de 2020

A nova onda de coronavírus nos EUA e Europa e suspeita de lavagem de dinheiro em bancos globais fizeram um grande estrago na Bolsa. Entenda.

Bolsa cai aos 98 mil pontos, mas semana fecha perto do zero a zero

18 de setembro de 2020

A Bolsa foi arrastada pela onda negativa dos índices globais, mas conseguiu fechar a semana empatada. O que houve? Saiba tudo que rolou nesta sexta-feira (18)!

Bolsa se descola de perdas internacionais e fecha em leve alta

17 de setembro de 2020

De ressaca da decisão do banco central dos EUA, bolsas do mundo inteiro caíram, menos do Brasil. Descubra quais ações salvaram a pátria!

SIGA O INSTAGRAM @financasfemininas