Jovens mães solo: como encarar a maternidade sem abandonar os estudos

Jovens mães solo: como encarar a maternidade sem abandonar os estudos

Imagine o seguinte cenário: uma jovem, que acabou de completar 18 anos e se prepara para entrar na faculdade, descobre que será mãe solteira. Encarar a maternidade nessa situação e conciliar com os estudos não é tarefa fácil. Recentemente, recebemos o depoimento de Maria Clara*, que se encontra neste momento de muitas mudanças na vida e não sabe muito bem o que fazer.

“Estou com dois meses (8 semanas), serei mãe solteira, acabei de completar 18 anos e estou fazendo cursinho preparatório para o Enem. Não quero largar os estudos, principalmente agora. Tenho que pensar no futuro de ambos, mas com tantas tarefas e obstáculos, estou sem forças pra continuar os estudos. Não consigo tirar tempo para estudar e, como viajo constantemente para resolver outros assuntos, acabo perdendo muitas aulas. Não sei como conciliar tudo!”

Ela pediu nossa ajuda e buscamos dicas com especialistas sobre o que é possível fazer nessa situação. Além disso, trouxemos o relato de quem viveu algo parecido de perto. É o caso da Karen Almeida, responsável pela parte Financeira e Organizacional do Finanças Femininas, que engravidou do pequeno Arthur aos 19 anos, ainda no início da faculdade.

“Fiquei chocada, era muito nova quando descobri, havia começado a faculdade e estava em um emprego maravilhoso. Eu tinha outros planos e não havia nenhuma estrutura para ter um filho tão nova. Sabia que não seria nada fácil, não caía a ficha de que tinha um bebê dentro de mim. Meu pai não aceitou no começo e parou de falar comigo até o sétimo mês de gestação, o que foi bem difícil. Mas eu segui firme e forte, porque já amava muito o meu pequeno”, conta Karen.

Primeiramente: tente, ao máximo, manter a calma

Descobrir uma gravidez não planejada em um momento de tantas mudanças na vida de uma mulher é de assustar qualquer pessoa. São comuns questionamentos do tipo: será que vou conseguir voltar a estudar? Terei dinheiro suficiente para arcar com todas as minhas despesas? O que será do meu futuro?

Nesse momento, o mais importante é manter a calma e encarar os problemas em busca das melhores soluções possíveis. Para Barbara Hannelore, especialista em desenvolvimento pessoal do projeto Arrase Mulher, em uma situação como essa, é preciso, antes de tudo, trazer clareza para o processo que está sendo vivenciado.

“Principalmente porque tendemos a colocar unicamente uma ou outra opção. E, ao fazermos isso, naturalmente nos sentimos incapacitadas de pensar fora da caixinha que criamos. O mesmo acontece quando falamos ‘mas eu já fiz de tudo para resolver isso’. Quando usamos essas palavras, estamos dizendo ao nosso cérebro que não existe mais solução possível.”

Então, o primeiro passo é ter consciência do que dizemos para nós mesmas. E, nesse momento, fazer seguinte pergunta: ‘O que mais posso fazer a respeito disso?’

Procure ter clareza em suas decisões

Esse será um momento de muitas mudanças e decisões que impactarão diretamente não apenas a vida da mulher, mas também a do filho que está sendo gerado. Para agravar ainda mais a situação, a produção hormonal durante a gestação – no caso, a progesterona -, prejudica a capacidade de raciocínio.

“Por isso a Maria Clara pode estar sentindo-se sem forças diante dos obstáculos, porque parece que os problemas ficam mais difíceis de serem resolvidos. Para ajudar no processo de decisão entre continuar ou não os estudos, ela deve elencar primeiramente quais são as coisas mais importantes para ela. Quando sabemos quais são os nossos principais valores, as decisões ficam mais fáceis de serem tomadas, e certamente serão mais assertivas”, ressalta Barbara.

Pensar nos prós e contras para cada situação também é importante, para que se consiga mensurar os possíveis cenários decorrentes de uma escolha. A Barbara fez uma lista de motivos para ajudar na decisão de parar os estudos.

Prós

– Vou ter mais tempo para curtir minha gestação
– Vou poder cuidar com mais tranquilidade das coisas do bebê
– Vou poder pensar com mais calma sobre o curso que quero fazer
– Posso me preparar em casa
– Estar mais tempo com a família

Contras

– Vou demorar mais para me formar
– Vou atrasar a minha progressão salarial e de carreira
– Vou sentir que estou perdendo tempo de vida
– Posso me arrepender depois
– Posso acabar descontando isso no meu filho no futuro

“Essa análise diz respeito às minhas percepções pessoais. Muito provavelmente, a análise dela será diferente, principalmente se considerarmos o apoio ou não da família na criação do filho, e outros fatores que somente ela poderá ter conhecimento”, comenta Barbara.

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Um bebê mudará todo o seu planejamento financeiro

A chegada de uma criança pode ser um momento de muita alegria, mas certamente também ocorrem muitos gastos. Pensando do ponto de vista do novo planejamento financeiro e familiar, que irá passar por mudanças importantes com o bebê, é essencial analisar o real momento em que a mulher se encontra.

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Como estão as contas? Possuo dívidas? Como os novos gastos serão adequados a esse orçamento? O quanto os estudos irão agregar para que eu consiga melhorar meu salário e carreira? O quanto será prejudicial caso eu pare os estudos? E em longo prazo, o quanto essa decisão irá me afetar?

“Para se ter uma ideia, em média, pais de classe alta podem desembolsar de R$ 1 milhão a pouco mais de R$ 2 milhões dos 0 aos 24 anos do filho, se considerarmos um gasto mensal de aproximadamente R$ 2 mil. Na classe média, passa facilmente dos R$ 500 mil, chegando sem dificuldade a R$ 1 milhão. É claro que esse valor não será gasto da noite para o dia, mas é importante ter uma noção dos gastos que envolverá a criança”, pondera Leandro Trajano, especialista em planejamento familiar.

Na gestação, por exemplo, existem custos para o pré-natal, montagem do quarto e os primeiros itens essenciais para o bebê. Logo ao nascer, há mais despesas naturais, como fraldas e itens de farmácia. Para conseguir se preparar melhor, faça um planejamento dividindo ao menos três fases iniciais da vida do filho: a gravidez, o primeiro e o segundo ano de vida, listando todas as despesas que espera ter em cada uma delas.

Uma mudança de vida (para melhor)

Lembra-se da Karen, que se descobriu grávida aos 19 anos e no início dos estudos? Após pensar em todas essas questões, ela decidiu por trancar a faculdade e se dedicar aos cuidados com o filho. Mas a história não para por aí:

No começo eu falava que não ia parar de estudar e ia tentar fazer as aulas presenciais. Mas não tive como me dedicar aos estudos e ao pequeno ao mesmo tempo. Precisei parar, mas voltei depois de dois anos. Fiquei com a consciência pesada de deixar meu filho em casa, mas precisava voltar, principalmente por pensar no futuro dele.

É extremamente difícil sair cedo, deixá-lo na escola, ter um dia corrido no trabalho e estudar. Mas quando chego em casa e recebo um abraço e um sorriso, tarde da noite e ainda querendo brincar, supre tudo.

Voltar a estudar é de máxima importância. Eu demorei bastante, por causa dele, sempre adiava. Tinha dó de deixar ele em casa, tanto que no primeiro semestre eu estava bem desmotivada. Chorava bastante, faltava muito e me sentia culpada.

O meu conselho para a Maria Clara e outras mulheres na mesma situação é que, independentemente do que aconteça, façam até o que julgarem impossível. Não só pelos filhos, mas por vocês também. Terminar a faculdade é um grande avanço na minha vida, um orgulho para mim e principalmente para os meus pais.

*Nome fictício para preservar a identidade da leitora.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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