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Marco de saneamento básico anima mercado e Bolsa fecha em alta

Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +1,70% (95.983 pontos)

Dólar: +0,06% (R$ 5,32)

Casos de coronavírus: 1.207.721 confirmados e 54.434 mortes*

Resumo:

  • Senado aprova projeto de lei do marco saneamento básico, animando a Bolsa nesta quinta-feira;
  • PIB dos Estados Unidos tem contração de 5% no primeiro trimestre;
  • Carlos Alberto Decotelli é escolhido como o terceiro ministro da Educação do governo Bolsonaro;
  • em revisão, Banco Central prevê queda de 6,4% no PIB em 2020;
  • Bolsa alta, PIB baixo? FMI alerta para risco de “desconexão entre mercados financeiros e evolução da economia real”;
  • na crise, inquilinos conseguem até 50% de desconto renegociando aluguel;
  • fazer “bicos” e vender pela internet são as principais formas de a classe C complementar renda.

Mesmo começando o dia sem rumo definido, o Ibovespa fechou o dia em alta nesta quinta-feira (25). A tendência de subida se firmou logo depois repercutindo o fato da véspera – a aprovação do projeto de lei do marco saneamento básico pelo Senado. O projeto abre caminhos para privatizações e pode atrair capital estrangeiro para o País, algo bem visto pelos investidores. O projeto seguiu para sanção presidencial.

A alta se intensificou ao final da tarde acompanhando as bolsas estadunidenses, com a expectativa de que o Federal Reserve – ou Fed, banco central dos Estados Unidos – injete novos estímulos na economia. A boa notícia vem depois de uma não tão boa assim: a economia dos EUA teve contração de 5% no primeiro trimestre, de acordo com o Departamento do Comércio do país.

Depois da grande disparada da última quarta-feira (24), o dólar seguiu subindo hoje, mas se estabilizou ao final do dia. Este fato sinaliza que o mercado financeiro ainda está preocupado com uma possível segunda onda de coronavírus, ainda mais depois que o principal assessor econômico da Casa Branca, Larry Kudlow, falou em retomar o isolamento nas regiões que tiveram novos recordes de casos de COVID-19, mas descartando quarentena nacional.

Por aqui, são mais de 54 mil óbitos, o que confere o Brasil o título de segundo país com mais mortes confirmadas por coronavírus no mundo – atrás apenas dos Estados Unidos.

No cenário interno, a escolha do novo ministro da Educação, o economista Carlos Alberto Decotelli, pouco interferiu no fechamento da Bolsa. A nomeação foi vista como um aceno aos militares, visto que Decatelli é reservista da Marinha.

Em revisão, Banco Central prevê queda de 6,4% no PIB em 2020

Com a crise econômica causada pela pandemia da COVID-19 se aprofundando, o Banco Central (BC) revisou a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) para uma queda de 6,4% em 2020. A informação foi divulgada no relatório trimestral de inflação nesta quinta-feira.

Fábio Kanczuk, diretor de Política Econômica do BC, disse que essa é uma projeção pessimista, indicando que a próxima revisão deve trazer um tombo menor.

“Vemos uma assimetria de cenários, esse é um PIB relativamente pessimista, o cenário médio é melhor do que este e números do setor de serviços devem ser melhores do que estes aqui apresentados”, ponderou.

No último documento, divulgado em 26 de março deste ano, o BC projetou PIB zero em 2020 – ou seja, estabilidade na atividade econômica.

Bolsa alta, PIB baixo? FMI alerta para risco de “desconexão entre mercados financeiros e evolução da economia real”

Já reparou que é comum noticiarmos que a Bolsa acumula altas, enquanto os índices que mais afetam a população continuam piorando? Não é só impressão: essa “desconexão” entre as altas nos mercados financeiros e constante retração da economia mundial por causa da pandemia do coronavírus é fonte “tremenda” de incerteza e uma ameaça à recuperação, alertou o Fundo Monetário Internacional (FMI) nesta quinta-feira.

O alerta foi emitido no Relatório de Estabilidade Financeira. Nele, a instituição aponta que, entre as grandes incertezas que cercam a crise atual, “destaca-se a desconexão entre os mercados financeiros e a evolução da economia real”.

No relatório, o FMI também destaca que muitos mercados se beneficiaram da quantidade massiva de ajuda injetada por vários governos, que aumentou as perspectivas de que a recuperação será rápida. No entanto, os dados sobre a confiança do consumidor mostram uma realidade bem mais pessimista.

Conforme mostramos nos relatórios, boa parte das altas nas bolsas globais se deu pela alta do apetite por investimentos arriscados – que veio, justamente, da injeção de ajuda pelos governos. Aqui, o FMI identificou a principal vulnerabilidade: como ficaria a recuperação em caso de “diminuição do apetite por ativos de risco”?

A principal preocupação da instituição é que a recuperação econômica seja comprometida caso haja quaisquer contratempos – como uma segunda onda de infecções, uma recessão mais profunda do que o esperado ou uma intensificação da agitação social.

Na crise, inquilinos conseguem até 50% de desconto renegociando aluguel

A crise causada pela pandemia de coronavírus reduziu a renda de muitas pessoas, que se viram na necessidade de renegociar o aluguel. No estado de São Paulo, pelo menos um em cada cinco aluguéis residenciais passaram por esse processo nos últimos meses, mostrou um levantamento da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (AABIC).

Em entrevista para o Valor Investe, o presidente da associação, José Roberto Graiche Júnior, afirmou que os descontos nos aluguéis variaram entre 10% e 50%, por períodos de aproximadamente três meses. Apenas 10% foram descontos permanentes: em 90% dos casos, os acordos de redução valem temporariamente e os valores deverão ser repostos em parcelas nos próximos meses.

Fazer “bicos” e vender pela internet são as principais formas de a classe C complementar renda

A crise econômica causada pela pandemia do coronavírus diminuiu ou tirou a renda de muitos brasileiros – que, agora, estão se virando como podem para conseguir se sustentar. De acordo com um levantamento feito pelo site OLX, 55% dos entrevistados da classe C estão fazendo “bicos” para complementar a renda, enquanto 28% vendem itens inusitados na internet.

A pesquisa mostra que 44% das pessoas que vendem on-line ganham de R$ 100 a R$ 1.000 por objeto, enquanto 29% faturam até R$ 100, 10% conseguem tirar de $ 1.000 a R$ 10 mil e 6% ganham acima de R$ 10 mil. Já 11% não responderam.

Ainda de acordo com o levantamento da OLX, o principal motivo para que as pessoas vendam objetos pela internet é a necessidade de ter mais dinheiro (49%). Em segundo lugar vem a justificativa de não ficar com itens parados em casa (43%).

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Categorias: Atualidades
Ana Paula de Araujo: Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões. Fale comigo! :) <a href="mailto:anapaula@financasfemininas.com.br">anapaula@financasfemininas.com.br</a>
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