Medo de segunda onda do coronavírus derruba Bolsa nesta sexta-feira (12)

12 de junho de 2020 - Por

Medo de segunda onda do coronavírus derruba Bolsa nesta sexta-feira (12)

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -2% (92.795 pontos)

Dólar: +2,18% (R$ 5,04)

Casos de coronavírus: 809.398 confirmados e 41.162 óbitos*

Resumo:

  • Ibovespa segue medo de segunda onda do coronavírus e fecha em queda;
  • dólar encerra semana acima de R$ 5;
  • quase 60% dos brasileiros pretendem gastar tanto quanto ou mais do que gastavam antes da pandemia, diz Febraban;
  • Câmara aprova projeto que proíbe inclusão de pessoas na lista de inadimplentes durante pandemia;
  • na quarentena, alimentação pesa ainda mais para as famílias pobres;
  • Bolsonaro diz que vetaria Auxílio Emergencial extra de R$ 600; presidente vetou trechos do projeto de lei que impediria despejos durante o período da pandemia.

O Ibovespa fechou o pregão com uma queda de “apenas” 2% nesta sexta-feira (12). O movimento foi tranquilo quando comparado ao que as bolsas globais passaram nesta quinta-feira (11). Enquanto a Bolsa estava fechada e o brasileiro curtia o feriado de Corpus Christi, o mercado internacional vivia um dia de quedas por causa do medo de uma segunda onda do coronavírus.

O medo é justificável: a universidade Johns Hopkins, que vem contabilizando os casos e mortes por coronavírus ao redor do mundo, revelou aumentos na contaminação em estados americanos como Arizona, Carolina do Sul e Texas. Este resultado pode, inclusive, gerar alerta no Brasil: foram 1.261 mortes registradas nas últimas 24 horas, segundo os últimos dados divulgados pelo consórcio de veículos de imprensa* na quinta-feira.

O tombo foi tamanho que talvez a pausa tenha salvado a Bolsa de um circuit breaker – para se ter noção, somente o índice S&P 500, de Nova York, caiu 5,89% na véspera. A recuperação de hoje (de 0,98%) ajudou a Bolsa brasileira a não cair ainda mais.

Com a queda de 2% nesta sexta-feira, o Ibovespa acumula acumula queda de 1,97% na semana e alta de 6,15% no mês. Porém, o acumulado do ano é uma queda de 19,78%.

Pela primeira vez na semana, o dólar ultrapassou a marca dos R$ 5, chegando a R$ 5,11 no intradiário. Desta forma, a moeda acumulou alta de 0,96% na semana.

Quase 60% dos brasileiros pretendem gastar tanto quanto ou mais do que gastavam antes da pandemia, diz Febraban

Quase 60% dos brasileiros pretendem gastar tanto quanto ou mais do que gastavam antes da pandemia, diz Febraban

Um dos efeitos da pandemia do coronavírus foi fazer as famílias repensarem seus gastos. Porém, quando tudo passar, 58% dos brasileiros bancarizados pretendem voltar ao patamar de consumo de antes da pandemia ou mesmo aumentar os gastos, de acordo com levantamento do Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe) encomendado pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban). Por outro lado, 39% pretendem diminuir o consumo.

Batizada de “Observatório Febraban”, a pesquisa divulgada nesta sexta-feira ouviu 1.000 pessoas bancarizadas para entender como a pandemia está mexendo com seus hábitos de consumo.

Alguns dados interessantes:

  • Quase 85% dos brasileiros descartam se endividar para comprar veículos ou imóvel;
  • 78% manterão ou vão aumentar a frequência em supermercados;
  • 64% manterão ou vão aumentar a frequência em salões de beleza;
  • 46% devem diminuir a frequência em bares e restaurantes;
  • 45% afirmaram que pretendem frequentar menos os shoppings centers
  • 30% dos entrevistados responderam que devem comprar mais pela internet no pós-pandemia;
  • 28% disseram que pretendem usar os serviços de delivery com mais frequência;
  • 37% responderam que devem viajar menos;
  • 16% planejam fazer um plano de saúde; 13% dizem que irão contratar seguro de carro, com percentuais menores, seguro residencial (8%) e de vida (7%).

Clique aqui e veja mais dados.

Câmara aprova projeto que proíbe inclusão de pessoas na lista de inadimplentes durante pandemia

Ficar devendo nunca é uma boa, mas a situação piora quando seu nome vai parar na lista de maus pagadores. Diante da situação crítica causada pela pandemia do coronavírus, a Câmara dos Deputados aprovou, em votação simbólica, o texto original que proíbe por 90 dias a inclusão de consumidores no cadastro de inadimplentes, como o Serasa Experian e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC).

Antes, o texto havia sido encaminhado para os senadores, que realizaram algumas mudanças – que foram rejeitadas pelos deputados. Com isso, o projeto segue para a sanção do presidente Jair Bolsonaro.

O prazo da suspensão começa a contar em 20 de março, de forma retroativa, pois é a data que foi decretado estado de calamidade pública. Contando o prazo de 90 dias, a suspensão seria válida apenas até 20 de junho, porém, a medida pode ser prorrogada por ato da Secretaria Nacional do Consumidor do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Na quarentena, alimentação pesa ainda mais para as famílias pobres

Ficar mais tempo em casa é sinônimo de cozinhar mais e gastar mais com alimentação. Com essa mudança de hábitos, os gastos com alimentação e bebidas voltaram a pesar mais no orçamento das famílias em maio, de acordo com dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Agora, os gastos com este grupo representam 19,97% do orçamento das famílias brasileiras – contra 18,85% das despesas com transportes. Entre as famílias mais pobres, o percentual gasto com alimentação e bebidas sobe para cerca de 22% do orçamento.

“Como os alimentos ficaram mais caros nos últimos meses, os produtos ficaram mais representativos no orçamento das famílias. Ao mesmo tempo, os gastos com transportes, como gasolina, ficaram mais baratos, perderam peso”, disse Pedro Kislanov, gerente do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), durante a divulgação do índice.

Bolsonaro diz que vetaria Auxílio Emergencial extra de R$ 600

Conforme noticiamos aqui, a equipe econômica do governo federal já concordou em estender o Auxílio Emergencial por mais dois meses. Contudo, em sua live semanal via Facebook, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que irá vetar uma eventual decisão do Congresso Nacional de pagar essa extensão com o valor acima de R$ 300.

“Na Câmara por exemplo, vamos supor que chegue uma proposta de duas [parcelas extras] de R$ 300. Se a Câmara quiser passar para R$ 400, R$ 500, ou voltar para R$ 600, qual vai ser a decisão minha? Para que o Brasil não quebre? Se pagar mais duas de R$ 600, vamos ter uma dívida cada vez mais impagável. É o veto”, disse.

Bolsonaro também informou na última quinta-feira (11) que vetou trechos do projeto de lei – já aprovado pelo Congresso – que impediria despejos durante o período da pandemia. Este trecho proibia a concessão de liminar de desocupação de imóveis em ações de despejo até 30 de outubro deste ano – desde que o processo fosse protocolado na Justiça a partir de 20 de março.

O presidente também vetou o dispositivo que ampliaria o poder dos síndicos durante o mesmo período, incluindo a prerrogativa de proibir reuniões e festas no condomínio e restringir o uso de áreas comuns para evitar a contaminação pelo coronavírus.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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