Medo de segunda onda do coronavírus derruba bolsas nesta segunda-feira

11 de maio de 2020 - Por

Medo de segunda onda do coronavírus derruba bolsas nesta segunda-feira

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,49% (79.064 pts)

Dólar: +1,47% (R$ 5,82)

Casos de coronavírus: 165.475 confirmados e 11.309 óbitos*

Resumo:

  • Medo de nova onda de coronavírus pressiona mercado internacional e Ibovespa sente;
  • para CNI, queda do PIB brasileiro pode ser de até 7,3% neste ano;
  • governo ainda não tem nem data para liberar segunda parcela de auxílio emergencial;
  • Caixa libera saque do FGTS para demissões por “força maior”.

O primeiro pregão da semana sofreu pressão nacional e internacional, resultando em volatilidade. Esta segunda-feira (11) foi marcada por cautela no mercado financeiro por conta do aumento no número de contaminações por coronavírus em países como Alemanha e a Coreia do Sul, que flexibilizaram a quarentena. Os novos casos colocam em xeque a reabertura de economias e, com isso, o otimismo em torno da questão.

Também segue em pauta a tensão entre China e Estados Unidos. Houve trégua até o momento do fechamento de sexta-feira (8), o que ajudou os mercados a operarem em alta no dia. Porém, não demorou muito para que, ainda na sexta, o presidente dos EUA Donald Trump reiterasse que acredita que a COVID-19 possa ter saído de um laboratório chinês.

No cenário político brasileiro, essa semana pode ser decisiva nas investigações sobre o presidente de Jair Bolsonaro, acusado pelo ex-ministro Sérgio Moro de querer interferir nas atividades da Polícia Federal. Tal pressão afeta, sim, a B3, visto que situações do tipo deixam os agentes econômicos inseguros.

Mercado e entidades estimam queda de até 7,3% no PIB brasileiro para 2020

De acordo com o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira (11) pelo Banco Central (BC), economistas do mercado financeiro passaram a esperar uma redução de 4,11% no Produto Interno Bruto (PIB), ante à queda de 3,76% projetada na semana passada. O indicador foi revisado para baixo pela 13ª semana seguida.

Medo de segunda onda do coronavírus derruba bolsas nesta segunda-feira

Enquanto isso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) usou o Informe Conjuntural para mostrar três cenários traçados. No pessimista, a queda do PIB brasileiro poderia atingir 7,3% caso as medidas de auxílio econômico se mostrem insuficientes. No mais otimista de todos, a queda seria de 0,9% e, no classificado como “base”, haveria queda de 4,2% no PIB em 2020.

Já o Itaú, em relatório divulgado nesta segunda (11), revisou a projeção para o PIB brasileiro para uma retração de 4,5%.

Quanto à inflação para 2020, a expectativa dos economistas que concederam entrevista ao BC foi de 1,97% para 1,76% – a nona redução seguida da expectativa IPCA mostrada no Focus.

Por que você precisa saber? As expectativas para a economia durante a crise provocada pela pandemia da COVID-19 vêm sendo revisadas a cada semana, e geralmente mostrando projeções mais pessimistas. Este é um alarme não apenas para economistas, mas para a população em geral – um PIB em queda é resultado de falta de emprego, diminuição de consumo e muitos outros fatores que nos afetam diariamente.

Auxílio emergencial: governo ainda não tem nem data para liberar segunda parcela

Duas semanas depois da data anunciada originalmente para começar a pagar a segunda parcela do Auxílio Emergencial, o governo segue sem divulgar o novo calendário para liberação do recurso.

A princípio, a segunda parcela deveria ser paga entre os dias 27 e 30 de abril, enquanto a terceira ficaria para os dias 26 a 29 de maio, de acordo com calendário apresentado pelo ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni.

No dia 20 de abril, a Caixa Econômica Federal chegou a conceder entrevista coletiva para anunciar a antecipação da segunda parcela para o dia 23 do mesmo mês. Porém, no dia 22, o Ministério da Cidadania divulgou nota informando que a antecipação não poderia seria feita. Desde então, não foi apresentada nenhuma nova data.

Por que você precisa saber? O governo está com o cronograma 14 dias atrasado. Passar todo este tempo devendo um boleto ou sofrendo ações de juros estratosféricos podem fazer uma grande diferença no orçamento. Essa é a hora de pensar suas contas friamente, analisando se há algo que pode ser deixado para depois, e priorizar serviços essenciais.

Indicador de tendência de emprego cai ao menor nível da história com coronavírus

A Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgou nesta segunda-feira (11) o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) – que “procura antecipar a evolução do mercado de trabalho brasileiro nos meses seguintes”, de acordo com a instituição. Os dados mostram que o mês registrou a maior queda mensal e o menor nível na série histórica, que começou em 2008: tombo de 42,9 pontos, em abril, para 39,7 pontos.

“Os impactos da pandemia de coronavírus se mostram cada vez mais fortes no IAEmp. O resultado do mês registra um aumento do pessimismo em relação ao mercado de trabalho. Os níveis recordes de incerteza tornam empresários e consumidores cautelosos, gerando uma deterioração das expectativas nos próximos meses”, afirmou Rodolpho Tobler, economista da FGV IBRE, ao Valor Investe.

Por que você precisa saber? Apesar dos dados serem cada vez mais claros sobre o impacto do coronavírus na saúde e no bolso da população, ainda existem correntes negacionistas. No entanto, conforme estudo que já comentamos aqui, os efeitos da pandemia na economia são maiores sem isolamento social.

Caixa libera saque do FGTS para demissões por “força maior”

A crise causada pela pandemia do coronavírus está fazendo mais empresas quebrarem – e, com isso, mais demissões acontecem. Antes, a trabalhadora que passasse por isso e quisesse sacar o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) teria que acionar a Justiça para receber o benefício. Agora, quem for demitida por motivos de “força maior” poderá sacar o dinheiro sem apresentar a decisão judicial, até então exigida para comprovar a causa da demissão.

A Caixa também liberou saque para funcionários demitidos por culpa recíproca – quando tanto empregado quanto empregador se prejudicam mutuamente e encerram o contrato.

Por que você precisa saber? Com o aumento das demissões por coronavírus – conforme notícia anterior –, é fundamental que a trabalhadora tenha mais meios de prover seu sustento. Poder contar com esse dinheiro com menos burocracia poderá salvar o orçamento de muita gente.

*Até o fechamento do texto. Fonte: G1, via levantamento feito junto às secretarias estaduais de saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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