Mercado de trabalho: por que os salários das mulheres ainda são menores?

Mercado de trabalho: por que os salários das mulheres ainda são menores?

As disparidades do mercado de trabalho são um desafio muito grande para as mulheres. Desde o estágio até a presidência de uma empresa, o que se vê são mulheres desempenhando as mesmas funções que os homens, porém com salários menores. De acordo com uma pesquisa realizada pela Catho, divulgada recentemente, nós ganhamos 38% a menos do que eles.

Elas levam maior desvantagem quando o assunto é nível de escolaridade – mesmo sendo as que mais se especializam. Em alguns casos, as mulheres chegam a ganhar quase a metade do salário dos homens com o mesmo diploma. A pesquisa realizada com mais de 7.900 profissionais revelou que, quem se profissionalizou e conquistou um MBA, ganha 42% a menos. A diferença reduz com a diminuição da escolaridade, mas o fato é que o salário dos homens é sempre superior.

“Estamos em meio a um movimento de mulheres em várias frentes. Mostramos que sim, somos mulheres e podemos nos casar ou não, ter ou não filhos e isso não impacta na nossa carreira. Embora tenhamos mulheres em cargos de poder, isso ainda é muito pequeno. Temos mais mulheres do que homens no mundo, mas não vemos isso representado”, pontua Rita Ritz, professora de desenvolvimento organizacional da IBE Conveniada FGV.

Não faltam mulheres nas posições de liderança, mas sim equidade

Outro estudo, da Grant Thornton, divulgado nesta quinta-feira (8/3), mostrou que o Brasil ultrapassou a média global de mulheres em cargos de liderança. Já correspondemos a 29% – crescimento de 10 pontos percentuais em relação ao mesmo período do ano passado -, contra a média global de 24%. A International Business Report (IBR) – Women in Business percorreu cerca de 5 mil empresas em 35 países.

Mas do que adianta ficar no topo do ranking mundial se ainda somos desvalorizadas em tantos outros aspectos? “Precisamos lutar muito pela igualdade salarial e considerar a qualificação técnica, nível de formação e requisitos de um perfil de vaga. Com isso, realmente teríamos melhores resultados de empoderamento feminino nos aspectos salariais, poder de compra e outras variações de equilíbrio de renda familiar”, comenta Sonia Garcia, consultora de RH.

“Sabemos que existem diversas famílias em que a mulher faz o controle de gastos e distribuição da renda mensal. A partir do momento em que essas, além de serem responsáveis pelas compras do mês, pagamento de contas e outras responsabilidades financeiras, também têm a maior renda da casa, existe maior força feminina na escolha. Isso traz maior igualdade e um avanço econômico para o local”, acrescenta Bárbara Miranda, gerente comercial do Wimoveis.

Ter mulheres desenvolvidas na profissão é bom para o País

A pesquisa da Grant Thornton também apontou algo que há muito já sabemos: a diversidade em todos os sentidos é boa para as empresas, “pois incentiva diferentes modos de pensar e abre novas oportunidades de crescimento”, diz o relatório. A América Latina foi onde ocorreu a maior melhora no último ano, onde 65% das empresas têm pelo menos uma mulher em administração sênior. Por outro lado, a América do Norte registrou o menor número de empresas com mulheres na chefia (21%).

Proporcionar condições igualitárias para que a mulher cresça na carreira não atinge somente a ela, mas todos a seu redor e, consequentemente, o Brasil. “Se a igualdade salarial fosse estendida para todo o País, as famílias seriam mais bem cuidadas. Sabemos que, quando a mulher tem um poder aquisitivo melhor, ela direciona isso para a família. Não é só uma questão econômica”, ressalta Rita.

Brasília: único lugar em que as mulheres ganham mais do que homens

Um outro levantamento mostrou que, em Brasília, as mulheres ganham, em média, R$ 5.261,80. Já os homens recebem R$ 5.196,10. Os dados, da Relação Anual de Informações Sociais (Rais), do Ministério do Trabalho, são referentes aos dez últimos anos. Essa realidade se contrapõe à quantidade de mulheres no mercado (38%) e de homens (62%). São 1,25 milhão de trabalhadores na capital federal, mas apenas 474 mil são do gênero feminino.

mercado-trabalho

O motivo dessa diferença salarial está no setor público. Por mais que as mulheres estejam, em sua maioria, no setor de serviços (50,7%), é na administração pública (29,5%) onde os salários são maiores. “Este dado não é expressivo para uma conotação de empoderamento feminino, se considerarmos que, quando analisamos os dados do mercado de trabalho em relação à posição da mulher, ainda existe muita discriminação salarial entre os gêneros. Elas ocuparem cargos na Administração Pública é uma particularidade do DF”, argumenta Sonia.

No restante do País, as mulheres continuam sendo maioria na administração pública. Dos 8,8 milhões de postos de trabalho, 59% são ocupados por elas. Porém, os cargos mais comuns são de auxiliar de escritório, assistente administrativo e vendedora no comércio de varejo.

“Ainda estamos muito longe de alcançar essa igualdade, mas, ainda assim, estamos lutando. O País teria muito mais saúde nos termos de relacionamento, realização profissional, tranquilidade e felicidade. Hoje, para conseguir esses cargos de poder, a mulher tem que se mostrar melhor do que o homem para se fazer merecedora. Tem toda uma voz feminina sendo falada, gritada e que começa a ser ouvida, inclusive nas políticas públicas”, conclui Rita.

Fotos: Fotolia

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Desabafa!

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande através do formulário abaixo.

O conteúdo da sua mensagem poderá ser utilizada em nossas matérias. Caso você prefira não ter o seu nome identificado, é só selecionar a opção "Mensagem Anônima".

personNome

personSobrenome

Mensagem anônimainfoSim

local_post_officeEmail:

commentMensagem: (obrigatório)

Este conteúdo foi útil para você?

Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

close