Metade dos usuários do cheque especial recorre ao limite todos os meses, diz estudo

5 de julho de 2018 - Por

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Quantas vezes você já recorreu ao limite do cheque especial este ano? Pois saiba que, para 46% dos consumidores brasileiros, isso já se tornou hábito mensal. Para outros 20%, a frequência é a cada dois ou três meses. Já 17% utilizaram a modalidade em algum momento dos últimos 12 meses – sobretudo as classes A e B (29%).

Além disso, 30% dos consumidores já ficaram com nome sujo por não cobrir o limite do cheque especial. Todos esses dados fazem parte de levantamento do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Foram entrevistados 910 consumidores em março, nas 27 capitais brasileiras, acima de 18 anos, de ambos os gêneros e de todas as classes sociais.

Os dados são alarmantes, tendo em vista que os juros praticados no cheque especial estão entre os mais caros do mercado – e mesmo assim ele continua sendo uma modalidade de crédito amplamente utilizada. “O cheque especial deve ser utilizado em situação de extrema emergência e ser quitado o mais rápido possível. É fundamental que a consumidora não conte com esta linha de crédito pré-aprovada e não pense que esse valor faz parte do seu orçamento”, alerta Andrheya Dória, especialista em finanças e planejadora financeira.

Não gaste mais do que você ganha

Ainda de acordo com o estudo, 80% afirmaram não ter usado o limite nos últimos 12 meses. Entretanto, 30% dos consumidores sujaram o nome ao utilizarem o limite do cheque especial e não conseguirem pagá-lo. Dentre esses, 15% já regularizaram a situação e 14% permanecem negativados.

O cheque especial teve como principais finalidades cobrir imprevistos com doenças e medicamentos (34%), quitar dívidas em atraso (23%) e realizar manutenção de automóveis ou motos (18%). Outros 17% entraram no cheque especial por descontrole no pagamento das contas.

A falta de burocracia para conseguir utilizar o recurso fez com que quase metade dos entrevistados (45%) reconhecesse não ter analisado as tarifas e os juros ao utilizar o cheque especial, seja por não ter pensado nisso na hora da contratação (20%) ou porque precisava muito do recurso e acabou contratando independentemente dos custos (19%). Já 63% dos consumidores afirmaram desconhecer as taxas e os juros cobrados pelo uso do limite, principalmente as classes C, D e E (72%). Em contrapartida, 48% disseram ter avaliado os custos na hora de usar.

“É fundamental que não se gaste mais do que ganha, pois qualquer conta a mais pode estourar o seu orçamento. Para que isso não aconteça, organize os seus pagamentos e fique sempre atenta à sua conta-corrente”, pondera Andrheya.

Fuja dos juros do cheque especial e do cartão de crédito

Já falamos aqui como é perigoso utilizar o cartão de crédito como extensão da própria renda – isso também se aplica ao cheque especial. De acordo com o Banco Central, em maio, a taxa média de juros do cheque especial chegou a 311,9% ao ano, passando a do cartão de crédito, que ficou em 303,6% ao ano.

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Para tentar fugir desses juros, que chegam a ser abusivos, mais de um terço dos usuários (36%) do cheque especial tentou outras alternativas de crédito, mas não conseguiu. Já 53% nem sequer cogitaram essa possibilidade.

Se você já estiver enrolada no pagamento da dívida, é fundamental ter consciência de quanto tempo precisará para quitá-la. “Se puder pagá-la em alguns dias, pode ser que valha a pena utilizar o cheque especial. Caso contrário, opte pelo empréstimo. Mas antes, busque a menor taxa de juros – geralmente, o crédito consignado ou empréstimo pessoal são as linhas com juros mais baixos”, ressalta Andrheya.

Fique atenta às mudanças no cheque especial

As mudanças nas regras do cheque especial, que entraram em vigor no último domingo (1/7), têm a intenção de melhorar esse cenário. A partir de agora, as instituições financeiras passarão a entrar em contato com os clientes que usarem mais de 15% do limite da conta por 30 dias consecutivos.

Essa oferta deve ser feita até 5 dias úteis depois que o banco constatar a situação. Caso o cliente não aceite a proposta, o banco precisará refazê-la a cada 30 dias e também poderá reduzir o limite do cheque especial contratado pelo cliente.

Pela nova regra, os bancos deverão oferecer como alternativa um financiamento pessoal mais barato, com a possibilidade de parcelar a dívida. Além disso, passa a ser obrigatório alertar que o cliente contratou um crédito pré-aprovado e o banco precisará oferecer uma opção de parcelamento do saldo devedor com juros mais baixos do que o original. O valor do limite do cheque especial deve ficar claro no extrato, para não ser confundido com o saldo disponível na conta-corrente do consumidor.

“Mesmo com essas mudanças de regras no cheque especial, a dica é não utilizá-lo. O ideal é mudar a postura com relação ao dinheiro, com disciplina e planejamento financeiro, controlar suas contas e fazer uma reserva de emergência. Se for utilizá-lo, que seja com consciência, como uma ferramenta a seu favor. Essa é uma das melhores formas de não se envolver em problemas financeiros”, conclui Andrheya.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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