#MeToo: mulheres substituem quase metade dos acusados de assédio sexual

30 de outubro de 2018 - Por

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Apesar de ter sido fundado em 2006, o movimento #MeToo – ou #EuTambém, em tradução livre – ganhou as páginas dos jornais no final do ano passado, quando milhares de mulheres, entre elas atrizes, denunciaram o assédio sexual em seus ambientes de trabalho. Algumas denúncias renderam acusações criminais – e, entre estes “poderosos”, estão o produtor americano Harvey Weinstein, denunciado por atrizes como Uma Thurman.

A hashtag foi repostada por mais de 500 mil mulheres nas redes sociais e, hoje, podemos colher as flores da luta: de acordo com análise do jornal The New York Times, ao menos 200 homens em cargos de destaque perderam o emprego depois de serem publicamente acusados de assédio sexual.

A boa notícia é que, depois da demissão dos acusados de violência sexual, quase metade destes cargos foram ocupados por mulheres – 43%, mais especificamente. Um terço delas está na mídia, enquanto um quarto no governo e um quinto no mundo do entretenimento e das artes.

Entre as mulheres que substituíram homens derrubados pelo #MeToo estão a atriz Robin Wright, que tomou para si o posto de protagonista do seriado House of Cards depois que Kevin Spacey foi afastado. Já Tina Smith assumiu o lugar de Al Franken no Senado do Minnesota. Na revista The Paris Review, a escritora e ilustradora Emily Nemens assumiu o posto de editora no lugar de Lorin Stein.

 

#MeToo traz boas notícias, mas pela metade

Já mostramos aqui no Finanças Femininas: mulheres atuam de forma diferente enquanto líderes e, de modo geral, promovem ambientes de trabalho mais respeitosos. Casos de assédio se tornam menos frequentes e, quando ocorrem, funcionárias lideradas por mulheres se sentem mais à vontade para denunciar. Empresas lideradas por mulheres também lucram 21% mais.

A diversidade no mundo do entretenimento também ganha. Depois da demissão de Roy Price, a executiva Jennifer Salke assumiu a direção da Amazon Studios e afirmou que a empresa precisa de “mais séries grandes e atraentes para mulheres”. A atitude de Salke corrobora os resultados da pesquisa Panorama Mulher 2018, que mostrou que mulheres na liderança promovem mais igualdade de gênero nas empresas.

Apesar disso, ainda há relutância na contratação de mulheres, assim como no pagamento igualitário para ambos os gêneros. Este estudo, da Universidade de Princeton, mostrou que ainda somos penalizadas pela maternidade. Já esse aqui, da ICTS Outsourcing, apontou que assédio sexual e assédio moral são os mais denunciados nas empresas. Este outro, da Thomson Reuters Foundation e Rockefeller Foundation, afirmou que o medo de demissão ainda impede que mulheres denunciem assédio.

Mais do que nunca, precisamos fazer nossas vozes serem ouvidas e nossas habilidades serem notadas – afinal, somos tão competentes quanto os homens e podemos, sim, assumir cada vez mais cargos de liderança e recebermos salários igualitários.

Para conferir outros efeitos da campanha #MeToo depois de um ano de seu “boom”, confira a ferramenta que o Google preparou:

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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