Migraflix: projeto ajuda refugiados e imigrantes através da gastronomia

6 de julho de 2018 - Por

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Imagina ter que mudar do seu país às pressas por medo da violência ou por conta da instabilidade econômica, se tornar um refugiado e precisar deixar parte da família para trás em busca de melhores condições de vida em solo estrangeiro? Essa é a realidade de 33.856 pessoas que solicitaram abrigo no Brasil em 2017, de acordo com o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça.

Isso representa quase o triplo dos pedidos registrados em 2016 – foram 10.308 solicitações, uma alta de 228%. Foi pensando em ajudar essas pessoas que o argentino Jonathan Berezovsky fundou o Migraflix, um projeto social com o objetivo de promover encontros entre imigrantes e a sociedade brasileira, integrando-os econômica e socialmente através da gastronomia e do artesanato.

Berezovsky viveu por um tempo em Tel Aviv, Israel, e fez parte do time da Microfy, uma ONG que ajuda refugiados de países africanos por meio de microcrédito. Radicado no Brasil há quatro anos, trabalha com a independência econômica e empoderamento de imigrantes.

“Sendo imigrante no Brasil, entendo que é fundamental criar uma rede de amizades locais quando se chega a um país novo, que possam te guiar e ajudar a dar os primeiros passos. O projeto procura dar essa oportunidade para todos os refugiados que moram em São Paulo”, pontua Berezovsky.

Já passaram pelas atividades do Migraflix mais de 150 refugiados e imigrantes de diversas nacionalidades, entre elas Síria, Venezuela, Colômbia, Bolívia, Costa do Marfim, Serra Leoa e República Democrática do Congo. Em cinco edições, o projeto Meu Amigo Refugiado, que realiza encontros entre refugiados e brasileiros, recebeu inscrições de 3.600 famílias de todos os estados do Brasil e conta com mais de 100 encontros realizados.

“Mudar para um novo país, especialmente quando você não pode voltar para sua origem, coloca os imigrantes em uma condição de grande vulnerabilidade social. Por meio dos nossos projetos, acreditamos poder promover a integração dessas pessoas em nossa sociedade, construindo vínculos sociais e profissionais, além de sensibilizar a sociedade brasileira em prol do acolhimento do estrangeiro em nossa comunidade”, ressalta Berezovsky.

Para o futuro, o plano é ampliar a capacidade da ONG. “Queremos aumentar a quantidade de empreendedores refugiados e imigrantes participando do programa de empreendedorismo gastronômico, o Raízes na Cozinha, além de levar o projeto para o Rio de Janeiro. Quanto ao Meu Amigo Refugiado, o próximo passo é levá-lo para mais quatro outras cidades, além de São Paulo. Acreditamos que o Meu Amigo Refugiado pode ajudar a diminuir as tensões e colaborar na integração desses refugiados”, complementa.

Família fugiu por conta da violência

A história da colombiana Liliana Patricia Pataquiva se mistura em meio à de tantos outros estrangeiros que encontram alento no Brasil. Há quatro anos, ela e a família foram ameaçadas em sua cidade natal por um grupo de narcotraficantes, que cobrava propina para os comerciantes locais continuarem funcionando. Foi então que Liliana decidiu viajar, sozinha, mas de 7 mil quilômetros rumo ao Brasil.

Aqui, ela encontrou o apoio que precisava na equipe do Migraflix para, então, se juntar à família. “Meu marido veio logo em seguida, depois o meu filho mais velho. Depois trouxemos o mais novo. A situação do meu país ainda está difícil, principalmente para oportunidade de trabalho e estudo”, comenta Liliana.

Em solo brasileiro, o medo da violência atingir os sua família novamente persiste. Isso porque os dois filhos de Liliana já foram assaltados e o mais novo teve problemas na escola por conta da sua origem.

“Agora fico um pouco com medo. A diretora da escola do meu caçula disse que não queria meninos colombianos estudando lá. Entrei com processo contra ela, mas ainda não aconteceu nada. Pretendemos viver no Brasil por mais um tempo, mas não sabemos do nosso futuro”, afirma.

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Mudança de vida através da comida

Liliana é considerada uma especialista em Arepas Colombianas, um tipo de tortilha bastante tradicional também na Venezuela. Na Colômbia, a família mantinha um restaurante do que lá é chamado de ‘comidas rápidas’, algo com o nosso fast food. Trouxeram seus temperos para o Brasil e hoje são donos de um bike truck, que vende os quitutes pelas ruas de São Paulo.

“Minha vida mudou muito, porque aqui sinto liberdade para trabalhar com segurança. Respeitamos muito o Brasil e estamos bastante agradecidos, fomos bem acolhidos, temos um teto para morar, emprego e tudo o que a gente precisa. Tudo graças ao Migraflix, que nos deu a oportunidade de trabalhar para melhorar a nossa empresa”, conclui.

Fotos: Mario Castro/Migraflix

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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