Mulheres na ciência: somos tão boas quanto os homens, mas eles se acham melhores, diz estudo

15 de maio de 2018 - Por

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Já comentamos por aqui que mulheres na ciência são extremamente produtivas: só no Brasil, já redigimos metade dos artigos científicos, sendo que o número de autoras cresceu 11% nos últimos 20 anos. Outro estudo, conduzido pela Universidade de Edimburgo (Escócia), também já apontou que as diferenças no cérebro masculino e feminino são mínimas. Sendo assim, é justo pensar que somos tão boas quanto os homens quando o assunto é ciência, certo?

Infelizmente, essa não é a realidade. Pesquisadores da Universidade do Estado do Arizona (EUA) descobriram que, sim, somos igualmente boas em ciências. Porém, acreditamos que somos piores nestes assuntos por puro condicionamento social.

A descoberta aconteceu assim: por meio de um questionário, estudantes descreveram o quão inteligentes eles acreditam que são em relação ao resto da classe. Os rapazes acreditavam ser mais inteligentes que 66% dos colegas, enquanto essa percepção prevalecia entre apenas 54% das moças. Acontece que ambos os sexos possuíam a mesma média de notas: 3.3, em uma escala que vai até 5.0.

Ou seja, menos mulheres confiam no próprio taco a ponto de acreditarem ter maior capacidade acadêmica do que o restante da classe.

Como isso afeta a participação das mulheres na ciência?

A autopercepção tem grande impacto na maneira que os estudantes se comportam em sala de aula. Os pesquisadores descobriram que aqueles que se consideram mais inteligentes reportaram ser 3.22 mais propensos a participar ativamente da aula do que seus colegas em uma atividade em grupo. Enquanto isso, aqueles que não têm a mesma percepção sobre si mesmos reportaram ser 2.36 mais propensos a participar menos do que seus colegas de classe. Em outras palavras, quanto mais confiante, mais participativo é o aluno.

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No longo prazo, essa lacuna na confiança e falta de participação faz com que mulheres hesitem mais em fazer perguntas, recebendo notas menores e até desistindo das aulas por conta do desconforto que sentem. Isso ajuda a explicar porque eles ainda são maioria nas áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática – nos Estados Unidos, apenas 24% dos cargos dessas áreas são ocupados por mulheres.

Este não é o primeiro estudo que aponta que a falta de confiança – e não de habilidade – é responsável pelas menores notas entre o sexo feminino nas áreas citadas acima. Uma pesquisa da Universidade do Estado do Colorado, também nos Estados Unidos, concluiu que este mesmo motivo faz mulheres abandonarem estes cursos. Há, ainda, quem argumente que o medo de falhar faz com que nós mesmas nos excluamos dos campos de ciências e afins.

Todos estes fatores levam a um ciclo vicioso: mulheres passam a infância e adolescência ouvindo que não combinam com carreiras em ciências, matemática e correlatos, diminuindo sua confiança nessas matérias ainda na escola. Como consequência, o gênero feminino é mais escasso nessas áreas, o que, por sua vez, perpetua o mito de que a ciência não é lugar de mulher. No entanto, nunca é demais reforçar: lugar de mulher é onde ela quiser.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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