Mulheres na música: iniciativas apoiam a produção artística feminina

22 de agosto de 2019 - Por

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A produção artística das mulheres vem furando a bolha do machismo e conquistando espaço no mercado musical, que ainda é dominado por homens. O projeto”Por elas que fazem a música”, da União Brasileira de Compositores (UBC), aponta que apenas nove mulheres figuraram a lista dos 100 maiores arrecadadores de direitos autorais da música brasileira em 2018. A participação delas diminuiu 1% em relação ao ano anterior.

Esses dados comprovam a urgência de mudar a indústria musical, expandir e valorizar a produção feminina no palco e bastidores. Diante desse cenário desigual, algumas iniciativas desenvolvidas por mulheres propõe o compartilhamento de experiências, apoio mútuo, potencialização das vozes femininas e o empoderamento.

Escuta as minas

Por mais mulheres na música e por mais mulheres sendo ouvidas, o Spotify inaugurou a Casa de Música Escuta as Minas. O espaço feito por mulheres para mulheres está selecionando 12 artistas em começo de carreira para gravar seus singles em um estúdio profissional com equipe técnica experiente e formada por alguns dos maiores nomes do mercado musical brasileiro.

As mulheres selecionadas terão como como “madrinhas” Negra Li, Priscilla Alcântara, MC Pocahontas, Maiara & Maraísa e Liniker que estarão disponíveis para conversas e conselhos sobre a carreira artística.

As inscrições podem ser realizadas até o dia 28 de agosto neste site. Para participar é necessário se identificar com o gênero feminino, morar na Grande São Paulo, ser artista solo ou banda em início de carreira. Ter um trabalho autoral e disponibilidade de uma semana para se dedicar ao projeto e às gravações em horário comercial.

Lugar de mulher é no palco e onde ela quiser

Quando tornou-se produtora executiva da própria carreira, a cantora e compositora Camila Garófalo, percebeu que poderia apresentar oportunidades de negócio para mulheres em todas as etapas da cadeia produtiva no mercado musical. “Com as vendas dos shows, várias artistas se aproximaram para saber como tornar sustentável a própria carreira, até que com algumas consultorias informais eu percebi que estava rolando um movimento. Pela primeira vez pensei na Sêla como um negócio e marca”, conta.

A Sêla se posiciona como um selo trans-feminista para ampliar a voz das mulheres e valorizar o trabalho no palco e nos bastidores. Atua em diversas frentes, entre elas, a produção de eventos que começou com um festival em 2017 e posteriormente uma mostra, marcando o protagonismo feminismo no cenário musical.

Mostra SÊLA no Bananada / Foto: HAI studio

Outro produto é o site www.mulhernamusica.com.br, portal que funciona como fonte de pesquisa e divulgação das mulheres na música. A plataforma é colaborativa, mas a artista precisa ter uma jornalista para escrever sobre seu trabalho.

Além disso, no primeiro semestre de 2019, a coletânea Sêla lançou diversos singles inéditos interpretados e produzidos por mulheres. A agência também oferece assessoria de imprensa, consultoria, produção executiva e de campo. Para saber mais informações, entre em contato pelo e-mail: selamusical@gmail.com.

Apoio profissional e emocional

A preocupação com a cena musical segura, que permitisse a livre criação artística, reciprocidade, troca de experiências e diálogo entre as diversas expressões artísticas das mulheres, uniu artistas e bandas para formar a Efusiva em 2015.

Intitulado selo fonográfico feminista, a Efusiva tem investido na produção de materiais em áudio, vídeo e imagem das bandas que fazem parte do cast. Ademais promove, divulga, desenvolve oficinas de instrumentos, montagem de palco, entre outros, em esquema de trocas e contrapartidas. “Não queremos ser um selo que coloca um crivo financeiro para as artistas com quem trabalhamos, determinando um valor fixo para o nosso trabalho, mas precisamos entender qual tipo de troca pode existir para que a relação seja positiva”, afirma a produtora cultural Leticia Lopes.

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Banda Tuíra / Foto: Divulgação

O trabalho desenvolvido pela Efusiva ultrapassa o âmbito da produção e as artistas recebem suporte para entender as inseguranças, debater os anseios e desejos na carreira artística. “Ao longo dos anos trabalhamos com muitas mulheres com acessos e privilégios diversos. Com isso, percebemos que a lógica de “trabalhar por amor” e ter que se “desdobrar” para realizar projetos não deve ser romantizado porque, geralmente, só beneficia e é vantajoso para quem já acessa um certo tipo de privilégio, e acaba corroborando para que a cena não mude muito”, explica Hanna Halm, historiadora e produtora cultural.

Mulheres negras na música resistem

A lacuna de mulheres no mercado musical vem diminuindo, mas se olharmos para as mulheres negras podemos perceber que o abismo é ainda maior, afinal quando o racismo entre em jogo as oportunidades ficam escassas e a produção artística ainda mais difícil.

A guitarrista Thais Catão da banda Tuíra, que faz parte do cast da Efusiva, conta que existem várias camadas de preconceito com as mulheres negras. “As pessoas te olham como se você não pudesse estar ali, como se aquele espaço não fosse seu. É complicado se manter na música enquanto mulher, mas para a mulher negra que tem essas cargas de preconceito e dificuldade de acesso, é muito pior e às vezes isso não é observado por meios feministas. É árduo e temos que matar um leão por dia”, desabafa.

Neste sentido, Catão considera vital o trabalho realizado pela Efusiva, que apoia as mulheres fazendo o recorte de gênero, raça e classe. “Todas nós precisamos de apoio e sem essas iniciativas, a Efusiva seria como vários outros espaços que são elitistas e misóginos. Trabalhar com toda essa diversidade é enriquecedor”, finaliza.

Atualizado às 12h04

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Carol Nogueira

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