Mulheres na política: a importância da representatividade negra no poder legislativo

20 de outubro de 2018 - Por

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*Mônica Costa

A falta de representatividade nas esferas políticas é um fator que contribui fortemente para manter a mulher negra na base da pirâmide social, com os piores postos de trabalho, a média salarial mais baixa e vivendo sob as condições mais vulneráveis no que se refere à saúde, segurança, educação (temas já abordados em minhas colunas anteriores).

Pois bem, se o fim deste cenário de exploração e desigualdades depende de mudanças nos poderes legislativo e executivo, são estes espaços que devemos ocupar. “O mundo da política tem um caráter que parece pouco acessível porque geralmente circula entre os mesmos personagens, mas quando nos debruçamos sobre o processo, percebemos que muitas de nós dominamos boa parte das ferramentas apresentadas”, aponta a cientista social Ana Carolina Lourenço, que ao lado de outras quatro mulheres negras – a jornalista Gabriele Roza, a estatística Juliana Marques, a analista de sistemas Lorena Pereira e a especialista em Relações Internacionais e Políticas Públicas Diana Mendes – criaram a Rede Umunna (que significa clã ou irmandade em igbo, língua falada em parte da Nigéria) e que é responsável pelo movimento “Mulheres Negras Decidem” que promove o engajamento político e desfaz mitos sobre nossa capacidade para mobilizar e assumir espaços de poder. “Queremos a mulher negra como uma força para decidir políticas públicas e assim promover mudanças”, diz Carolina.

Em todo o País, do total de 361 candidaturas de mulheres registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para as eleições gerais de 2018, 190 candidatas (ou 52,9% do total) se autodeclararam pardas ou pretas. Entre elas, duas – Marina Silva, da Rede, e Vera Lúcia, do PSTU – se candidataram à presidência do País. Não nos falta disposição, mas barreiras como recursos financeiros limitados ou inexistentes, infraestrutura precária e um sistema eleitoral confuso e pouco transparente, travam o nosso acesso e, como resultado, 13 mulheres negras (6,84% do total) foram eleitas para cargos legislativos.

Seremos ainda 2% do total de parlamentares nas casas legislativas e 17% das mulheres neste espaço, uma participação ainda abaixo da nossa representatividade na sociedade que é de 27%. Também estamos abaixo do índice de equidade nas prefeituras das cidades do País, 3,29% e nas câmaras municipais, onde somamos 5% dos 57.419 parlamentares (Mapa Étnico Racial das Mulheres na Política Local Brasileira).

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“Existe base eleitoral e é fundamental que as mulheres negras defendam e representem a diversidade dentro da política”, prossegue Lourenço. O movimento “Mulheres Negras Decidem” se espalhou pelos estados da região sudeste, mas ganhou força e relevância principalmente no Rio de Janeiro, onde a vereadora Marielle Franco, mulher negra que obteve a segunda maior votação ao cargo em todo País, foi brutalmente assassinada e até hoje, sete meses depois, não se tem uma resposta para o crime e os responsáveis não foram punidos. “Conseguimos construir uma narrativa que mobilizou as bases eleitorais e garantiu o voto engajado, reduzindo a sub-representação nas casas de poder”. O Estado foi o que mais elegeu mulheres negras: cinco, sendo duas delas assessoras diretas de Marielle.

Em São Paulo, Érica Malunguinho e Erika Hilton serão as primeiras mulheres transgêneros a assumirem cadeiras na assembleia legislativa de São Paulo e poderão juntar forças com Leci Brandão, que foi reeleita para o cargo . Em Minas Gerais, Áurea Carolina, Leninha e Andrea de Jesus serão nossas vozes no poder legislativo. Em Pernambuco, a trans Robeyoncé foi eleita com outras cinco mulheres da chapa coletiva “Juntas” e na Bahia, o estado mais negro do Brasil, Olivia Santana será a primeira mulher negra a atuar na Assembleia Legislativa.

Marielle virou semente e, da mesma forma que nossas ancestrais, seguiremos germinando por mais duras e secas que sejam as terras.

*Mônica Costa é jornalista e educadora financeira. Mãe do Pedro e da Ayana, criou o blog GranaPreta onde fala sobre mulher negra e capital .

Fotos: Fotolia e Psol/Divulgação

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