Networking para artesã: redes de artesanato ajudam a ganhar mais

6 de setembro de 2018 - Por

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Mais do que uma fonte de renda, o artesanato se tornou uma forma de ver e mudar o mundo para a artesã que o abraça. Há quem tenha um trabalho fixo, mas o use para ganhar aquela renda extra. Outras o adotaram como única fonte de sustento – por opção ou necessidade. Para todas elas, existe o esforço de fazer a arte render dinheiro – desafio ainda maior para aquelas que vivem em cidades pequenas.

Neste contexto, podemos dizer que a união faz a força: quando artesãs se juntam e formam redes de artesanato, fortalecem o trabalho umas das outras e, unidas, podem ir mais longe. Se os grupos de Facebook acabam favorecendo mais aquelas que moram em grandes cidades – como é o caso do Compro de Quem Faz das Minas –, no interior e periferias, essas mulheres se reúnem no mundo offline.

Entendendo este potencial, uma leitora do Finanças Femininas nos escreveu, pedindo orientações para tirar do papel um antigo sonho: um Centro de Difusão Cultural no quilombo onde mora, que usaria o artesanato para promover a autonomia das mulheres negras quilombolas de sua cidade.

Como redes de artesanato ajudam a artesã?

“Sozinhas e em regiões de baixa renda, essas mulheres ficam isoladas em sua realidade. Mas quando se unem com outras artesãs de sua região, elas se fortalecem e passam a vislumbrar oportunidades que antes não existiam. Isso vai se transformando em renda”, diz Angélica Oliveira, coordenadora da Escola de Negócio das Artesãs da Rede Asta – saiba mais sobre essa rede de artesãs de baixa renda aqui.

Suponhamos que você trabalhe com crochê e sua vizinha use palha como matéria-prima. Caso alguém te peça um trabalho em palha, você pode indicá-la – e vice-versa. Além disso, vocês poderão conversar sobre ideias e projetos, oxigenando e colocando mais energia nas suas criações.

Imagine como o volume de trabalho das duas aumentaria apenas com essa atitude. É o que a artesã Juju Cardoso – que mora em Cidade Tiradentes, extremo-leste de São Paulo – tem feito. Enquanto ela produz bichinhos e peças de decoração em crochê, sua vizinha, Talita, foca a produção em tapetes e sapatinhos no mesmo material. Ambas utilizam técnicas diferentes, mas conseguem se unir para todo mundo sair ganhando.“Quando eu tenho muitas encomendas, peço para ela e minha mãe me ajudarem”, conta.

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Agora, imagine o impacto dessa mutualidade em uma rede, com diversas artesãs trocando ideias e se ajudando. Se vocês forem da mesma região, o trabalho ficará ainda mais fácil e vai gerar mais impacto.

Quando essas uniões tomam proporções maiores, podem-se formar cooperativas ou grupos muito fortes. Um dos exemplos mais conhecidos é a cooperativa de artesãs em Alagoas que produz as famosas rendas da estilista Martha Medeiros. A marca de bolsas artesanais cearense Catarina Mina une mais de 30 artesãs (e um artesão) na produção de suas peças. Já a própria Rede Asta contou com grupos como o Fuxicarte.

Como a artesã pode usar a economia solidária ao seu favor

A internet pode ser uma solução fantástica para as artesãs que vivem nos grandes centros, porém, o acesso é extremamente limitado em regiões mais afastadas. Mas nada de pânico: o mundo real está cheio de possibilidades.

“No offline, existe a possibilidade de ver o que a prefeitura da sua cidade está fazendo. Existem muitas políticas públicas relacionadas à economia solidária, é importante estar em movimento e conhecer a realidade da sua região”, indica Oliveira.

No Ceará, por exemplo, existe a Coordenadoria de Desenvolvimento do Artesanato e Economia Solidária (CEART), que sempre procura artesãos da região para fomentar o trabalho artesanal e cultura cearenses. Já em Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, há a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Tecnologia, Trabalho e Turismo (SEDETUR).

Além de realizarem compras públicas, estes órgãos promovem encontros de artesãs e fomentam as cooperativas de artesanato já existentes. Vale a pena procurar o órgão da sua região para se informar.

“Precisamos dar foco no poder das redes. Quando mulheres se conectam, conseguem mudar não só o financeiro, mas cenários, famílias e o mundo. Elas têm total liberdade e empoderamento para transformar a realidade profundamente e criam um movimento que vai reverberando”, finaliza Oliveira.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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