O preço de uma traição: como organizar a vida antes e depois de um divórcio

O preço de uma traição: como organizar a vida antes e depois de um divórcio

Passar por um divórcio é sempre complicado. Ainda mais quando há uma traição envolvida. Para além da questão emocional dessa situação, esse é o tipo de acontecimento que muda completamente a vida da pessoa e de uma família, inclusive no âmbito jurídico e financeiro. Para ajudar mulheres que passam por essa etapa de turbulência e consideraram o divórcio, consultamos especialistas para saber o que fazer.

“O primeiro passo para começar a lidar com essa situação e gerar o máximo de aprendizado é entender que a dor é maior e proporcional ao tamanho da expectativa que você colocou no outro. Quando estamos em um relacionamento, tendemos a colocar no outro a responsabilidade pela nossa felicidade, como se, de alguma forma, ele fosse o salvador da nossa vida”, comenta Barbara Hannelore, especialista em desenvolvimento pessoal do projeto Arrase Mulher.

Com isso, quando acontece uma traição, você pode ficar se perguntando ‘por que ele fez isso comigo’, ou ‘onde foi que eu errei pra deixar isso acontecer’. “Muitas vezes, tendemos a achar que a culpa é nossa. Para sair desse efeito de looping e começar a tomar as rédeas da sua vida novamente, é preciso entender que os motivos e as decisões do outro não dizem respeito a você, e sim a escolha dele naquele momento”, acrescenta.

O que fazer para entrar com ação de divórcio?

Segundo as leis brasileiras, o divórcio pode ser realizado de duas formas: extrajudicialmente ou judicialmente. O primeiro é geralmente mais rápido e menos burocrático, sendo realizado em um cartório, perante um tabelião. Pode ser feito quando não existem filhos menores ou incapazes envolvidos, e quando há consenso quanto à partilha dos bens.

Não havendo consenso ou existindo filhos nas condições específicas, o divórcio deverá ser realizado mediante ação judicial. “Em ambos os casos, a presença de um advogado se faz necessária. O profissional analisará o caso concreto e propor o meio mais adequado para a resolução do conflito”, explica o advogado Edgard Dolata.

Ainda sobre a segunda situação, o Ministério Público deverá se manifestar acerca dos interesses do filho. Há a possibilidade de ser fixada a pensão alimentícia e definido o regime de guarda e de visitas.

“Em caso de divórcio decorrente de uma traição, esta por si só não faz com que a mãe ou o pai perca a guarda do filho. O juiz analisará quem tem a melhor condição financeira e emocional para cuidar e educar a criança, visando sempre a qualidade de vida dela. Se a mesma tiver mais de 12 anos, a sua preferência também pode ser considerada pelo juiz na determinação da guarda”, diz Dolata.

Aqui, você pode ver como se preparar financeiramente para o divórcio e reorganizar a sua vida financeira.

De acordo com a legislação brasileira, um dos deveres do casamento é a fidelidade recíproca. Em caso de traição, o cônjuge traído pode requerer o divórcio. Se você está nessa situação, o primeiro passo é manter a calma e buscar formas de valer os seus direitos.

Contudo, o pedido de divórcio não precisa ser justificado. É importante ressaltar que há espécies de regime de bens e pactos antenupciais em que é possível prever um acordo em caso de traição, inclusive em relação à indenização.

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Em caso de traição, posso pedir indenização por danos morais?

Sabemos que esse não é um momento fácil na vida de qualquer pessoa. Muitas vezes, esse é um tipo de separação onde ocorrem muitas brigas e danos emocionais. “A parte traída pode entender que a fidelidade, um dos princípios do casamento, foi quebrada e, por essa razão, teria direito a divisão de patrimônio de forma não igualitária ou ainda uma indenização”, pondera Talita Facina, advogada do escritório Cintia Lima Advocacia e Assessoria Jurídica.

“Em um processo de divórcio, pode-se utilizar provas de eventual traição para justificar seu pedido. Por sua vez, para processar o cônjuge por danos morais, é necessário comprovar que o ato realmente gerou esses prejuízos. A infidelidade em si, sem esses danos, não costuma ser julgada de forma favorável a quem processa. Comprovando a existência de constrangimento ou abalo psicológico, existem chances de conseguir a indenização”, esclarece Dolata.

Como reorganizar a vida depois do divórcio

Antes de tudo, respeite o seu tempo para processar todas essas mudanças pelas quais passará e entenda que uma mulher super-poderosa pode sofrer, se sentir frágil e vulnerável em algumas situações. “Esteja ciente de que todo momento ruim em nossas vidas nos prepara para um grande pico de crescimento, logo que o aprendizado é gerado. Tenha em mente que isso também passará. Ou seja, aprenda o que é preciso sobre você nesse processo, porque ali pode estar sendo formado um grande momento de sucesso na sua vida”, ressalta Barbara.

Para te ajudar a passar por esse turbilhão de sentimentos, a Barbara fez um check-list com o que você pode fazer para se reorganizar:

– Escreva tudo o que te faz bem e que você tinha deixado de lado. Muitas vezes mergulhamos no luto da separação e nos esquecemos de nós mesmas. E é muito comum que na separação você perceba que estava se deixando de lado há muito tempo. Então, fazer as coisas que são importantes para você e se colocar como prioridade na sua vida é muito importante a partir de agora.

– Busque o lazer e a diversão, e mais do que isso, procure se conhecer e estar com você. Muitas mulheres acabam se jogando em um processo de esconder a dor e sair pra se divertir – e tudo bem fazer isso também. Tente lidar com a dor e acolhê-la sem medo. Esse é talvez o maior aprendizado que podemos ter para sair dos momentos difíceis ainda mais fortes. Solitude é esse estado de estar sozinha na sua própria presença, o que é muito diferente de solidão. Aproveite esse momento para se conhecer melhor.

– Elenque o que precisa ser resolvido entre vocês. Se o divórcio vai acontecer, você precisa ter clareza do que precisará ser resolvido. Aqui entra resolver tudo referente às questões burocráticas e de ordem afetiva, caso vocês tenham filhos. Coloque uma ordem de prioridade para que você não fique sobrecarregada com tudo, e vá resolvendo conforme o que vocês determinaram.

E lembre-se, isso que você está sentindo também passará. “Sempre digo que a vida é como um videogame: quando aprendemos o que é preciso, passamos de fase. Uma separação altera a dinâmica familiar, e isso não é necessariamente ruim. É uma mudança, e o que fazemos com relação à mudança é o que faz com que ela seja boa ou ruim. Depende muito da nossa predisposição para lidar com ela. E esse processo vai depender de como o casal conduzirá essa situação”, conclui Barbara.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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