O que “Cinquenta tons de cinza” pode te ensinar sobre dinheiro

29 de janeiro de 2013 - Por

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Quem aí ainda não leu Cinquenta tons de cinza, meninas? Está difícil de achar alguma mulher que não tenha devorado o livro – e se apaixonado pelo Christian Grey… O livro foi a grande febre de 2012: foram 65 milhões de cópias em todo o mundo, cerca de 2,4 milhões só no Brasil. Dava para ver mulheres (e homens!) lendo a trilogia em parques, no metrô e nas livrarias.

Mas o sucesso não era esperado pela autora, E. L. James. Antes da febre cinza, ela seguia uma vida normal: morava em Londres, trabalhava como executiva de TV, casada e com dois filhos. Sempre adiou o sonho de escrever histórias que apaixonassem seu público. Assim que saiu de seu emprego, leu em cinco dias a série completa de Crepúsculo. Logo que terminou, sentou e começou a escrever seu primeiro livro – Cinquenta tons de cinza. Isso a motivou a criar a trilogia, como mais dois títulos: Cinquenta tons mais escuros e Cinquenta tons de liberdade.

Logo, o livro bombou e a autora ficou, assim como Grey, riquíssima. Mas não pense em todo aquele luxo do personagem: E.L. James mudou pouco a sua realidade. Em entrevista à revista “Veja”, a autora foi clara e disse que tenta não pensar na sua riqueza. As suas aquisições foram muito mais simples do que imaginávamos: um carro e longa férias com marido e filhos.

A história contada por ela é simples, mas bem quente. A virgem e inteligentíssima Anastasia conhece por acaso um jovem de menos de 30 anos multimilionário, Grey. Com o passar dos dias, ele vai se aproximando da jovem e mostrando um mundo de sensações que até então ela não conhecia. O romance dos dois é incomum, o que gera nos leitores uma vontade de saber mais e mais… Quando vê, já terminou o livro e quer mais. As cenas descritas na publicação são claras e mostram o sadomasoquismo, com tudo que tem direito, equilibrado com um romance água-com-açúcar.

Mas além do sexo e do romance, há algumas boas lições financeiras no livro. Confira:

Ele tem mais dinheiro do que eu

Esse é modelo mais velho do que andar para trás: o homem, provedor, garante o sustento de sua amada. Antes da entrada das mulheres no mercado de trabalho, este também era o formato mais comum entre as famílias. Mas hoje em dia, essa realidade já mudou brutalmente – você sabia que 40% dos domicílios brasileiros são chefiados por mulheres? É isso mesmo: no Brasil, em quase metade dos lares as mulheres ganham mais do que os homens (se é que tem um homem na jogada).

O livro mostra a atração que um homem com dinheiro pode exercer sobre as mulheres. Mas e aí? Você vai ficar como a Anastasia, sem graça com os presentes e se sentindo mal por tudo que ele pode te proporcionar? Para não haver conflito na relação, é importante ou você ter a sua independência financeira, para não virar dependente do seu marido ou namorado, ou vocês terem um bom acordo de como vai funcionar a dinâmica financeira entre vocês.

Observar, pensar e agir

Christian Grey é um jovem que ficou riquíssimo, mas sofre por outros problemas pessoais misteriosos. No entanto, uma qualidade ele tem: observa, pensa e age quando tem a melhor oportunidade. Essa característica é boa para aquelas pessoas impulsivas – e pode ser uma boa aliada na hora de tomar decisões financeiras (de escolher os seus investimentos a fazer algumas comprinhas!). No pouco que a autora descreve sobre as relações profissionais dele, essas características sempre aparecem. Que tal tentar ser como ele? Olhe mais em volta, pense como se estivesse num jogo de xadrez e só tome uma ação quando tiver certeza dos riscos.

Viver no luxo e com glamour

Fica claro no livro o conflito da jovem estudante de literatura com o mundo de Cristhian. Além de ele ser conhecido, é charmoso e gosta de coisas caras. Já Anastasia tem como maior qualidade o fato de viver com os pés no chão. Ela luta em aceitar cada presente oferecido – e quando ganha, não esbanja. Por mais que comece a ter mais contato com o luxo e o glamour, eles não fazem parte da sua essência. Sempre que pode, ela volta ao seu passado e resgata as suas raízes mais simples e básicas, comuns para a idade dela.

Não importa a sua idade nem condição social, mas é importante valorizar não só aquilo que é caro. O que o dinheiro não compra costuma ser o melhor da vida…

Você gostou? Tem algum livro ou filme que gostaria que a gente comentasse? Mande a sua dica nos comentários!

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Carol Sandler
Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira. Apresenta o quadro "Carol, cadê meu dindin" semanalmente no programa SuperPoderosas, da TV Band. Autora do livro "Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. Colunista do site da revista CLAUDIA e do portal Tempo de Mulher.

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