O que é preciso para reagir à crise econômica

24 de setembro de 2015 - Por

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Tire um tempo para lembrar das suas últimas interações sociais, seja na fila do supermercado, no almoço em família de fim de semana ou churrasco entre amigos. Você consegue lembrar-se quantas vezes o assunto “crise econômica” surgiu na conversa?

Em algumas situações, sem que você perceba, passa a conversa inteira girando em torno deste assunto. A constatação não é surpreendente, afinal, o assunto está estampado em todas as capas de revista, manchetes de jornal, portais de internet e preenchendo o noticiário da TV. As atualizações de toda a turbulência do cenário econômico e político, por sua vez, acabam refletindo no comportamento da população. Medo, desconfiança, pessimismo, tudo isso passa a ser uma constante e até nas ruas é possível perceber muita gente com a expressão mais pesada.

É fato que os tempos são ruins, não há como negar. O grande problema é deixar que o medo da crise nos paralise. Na verdade, as informações que recebemos constantemente e a forma como confiamos em nossa memória podem nos conduzir a alguns efeitos catastróficos.

Quer alguns exemplos? Vamos substituir este contexto da crise atual por outros assuntos. Quando houve uma onda de startups surgindo e o conceito começou a popularizar-se, você pode ter pensado na possibilidade de montar a sua ou pelo menos conhece alguém que embarcou nessa ideia, não é mesmo?

Você consegue lembrar-se de alguma loja de paletas mexicanas nas proximidades da sua casa aberta há pelo menos três anos? Com certeza não. Do ano passado para cá, no entanto, dá para encontrar uma a cada quarteirão. Na onda das paleterias, houve quem brincasse dizendo que o produto entrou para a lista de alimentos básicos.

O boom de paleterias e startups também virou febre não só na mídia, mas também no famoso boca a boca. O assunto sendo constantemente alimentado em sua memória te faz associar as duas coisas com sucesso. Você logo pensa: “se a cada esquina tem uma loja com um produto que agrada tanta gente, isso deve ser bom negócio”. A decisão tomada na euforia pode ser um tiro no pé a longo prazo.

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A abertura de um empreendimento depende muito mais de planejamento financeiro, visão de longo prazo, levantamento estatístico e pesquisa de mercado do que simplesmente por mera euforia. Tome por exemplo o que aconteceu com o setor hoteleiro na cidade de Belo Horizonte no ano da Copa do Mundo. Apostando muitas fichas no evento, os empresários ampliaram a rede hoteleira da cidade, que agora enfrenta dificuldades para manter os empreendimentos abertos, tendo em vista a baixa ocupação.

Quando estudamos psicologia econômica, existe um conceito chamado de heurística de disponibilidade – ou viés de disponibilidade. Nós tendemos a puxar os acontecimentos mais recentes da memória e confiar nestes elementos como se eles tivessem força estatística. Se existem muitas paleterias na cidade, você acha que esta é a bola da vez. Se vai ter Copa do Mundo, você acredita que abertura de um hotel não tem como dar errado.

O mesmo acontece com a crise, mas com efeito contrário. Ao contrário da euforia gerada pelos exemplos que citamos acima, as notícias da crise espalham o pessimismo. A mensagem de que “tudo está desmoronando” fica acesa em sua memória e você se deixa levar por isso.

Um momento de instabilidade requer mudança de postura no sentido de ter mais cautela, estudar as decisões financeiras e sobre carreira de modo mais estratégico, além de usar bastante a criatividade para encontrar soluções onde todo mundo está vendo problemas.

Se a crise já tiver te atingido, não tenha medo. Você não é a única. Respire fundo e pense claramente, você precisará disso para reagir. Afinal, de nada adianta recuar, não é mesmo?

 

Fotos: Shutterstock

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