O que o caso XP Investimentos ensina para quem investe

10 de maio de 2018 - Por

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Na última semana, um caso envolvendo a XP Investimentos tomou os noticiários de economia e deixou muita gente insegura. Afinal, até que ponto podemos confiar completamente nas indicações das corretoras de investimentos?

O caso XP Investimentos

Se você não acompanhou, um resumo: na última quinta-feira (03), a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que a corretora ressarça um investidor em R$ 120 mil. Ele alegou ter sofrido prejuízo por um investimento que ele mesmo havia autorizado, porém, não teria sido devidamente informado sobre os riscos da aplicação, que também não seria compatível com seu perfil de investidor.

A aplicação em questão é uma operação estruturada chamada “Condor Strangle“, que combina diversas operações e premia o investidor caso os ativos escolhidos fiquem dentro de um intervalo de preço. É como uma aposta, porém, fundamentada em conhecimentos específicos de mercado. Parece complexo? Agora, imagine indicar algo do tipo para alguém com perfil conservador e que nunca havia aplicado seu dinheiro em nada além da caderneta de poupança.

Suitability: a importância do perfil de investidor

Esse caso já passou por duas instâncias: BSM, braço de autorregulação da B3 – que deu ganho de causa à XP Investimentos – e, revertendo a decisão, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários (SMI), órgão da CVM.

Foi a SMI que verificou que o investidor não havia respondido o formulário de análise de perfil do investidor, chamado de suitability, algo que é obrigatório, de acordo com a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) e com a CVM.

“O suitability, ou ou API (Formulário de Análise do Perfil do Investidor), é um instrumento formal de coleta de informações, que auxilia o consultor de investimento a adequar um portfólio de investimentos, serviços e operações ao perfil do cliente”, diz Paula Sauer, professora de Economia do Ibmec/SP.

Paula explica que é nele que se colhe informações sobre o chamado “tripé de investimentos”: o prazo que esse cliente pode deixar o recurso investido, sua tolerância ao risco e o objetivo que ele tem para esse recurso.

“Esse questionário é muito simplista, pois identifica o perfil geral, mas é muito difícil entender a fundo qual é o seu momento e qual risco você realmente tolera. Risco é algo relativo”, pondera Luciana Machado, Coordenadora dos Cursos de Graduação em Administração, Processos Gerenciais e Gestão Financeira da Faculdade Fipecafi.

Ou seja, mesmo que você preencha o formulário atentamente, ainda assim terá que analisar com cuidado cada investimento que lhe é oferecido.

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No caso da XP Investimentos, o API sequer foi preenchido. “O consultor não tinha documentado essas respostas e, aparentemente, não as fez, pois caso tivesse conversado minimamente sobre o produto que seria ofertado para o cliente, teria identificado sua pouca experiência como investidor. Sair da caderneta de poupança para um produto mais sofisticado, que apresenta mais risco, demanda uma pesquisa mais aprofundada com esse cliente”, ressalta Paula.

O que você pode aprender com o caso da XP Investimentos?

Trazendo este caso para sua vida, é como se você sempre tivesse deixado seu dinheiro na poupança e, de repente, decidisse colocar tudo em um investimento muito arriscado. É aqui que entra o cuidado em saber exatamente onde está colocando seu dinheiro – mesmo preenchendo o API corretamente, pois, como vimos, ele não é absoluto.

Sua maior arma contra qualquer tipo de cilada ou engano é o conhecimento – tanto sobre investimentos quanto sobre si mesma.

“Muitos cursos de associações conceituadas, como a B3 e a Anbima, oferecem cursos gratuitos para quem não possui experiência com investimentos. São excelentes, super esclarecedores e têm uma linguagem simples”, recomenda Paula.

Além disso, jamais aplique seu rico dinheirinho em algo que você não sabe o que é. “Penso que, se tivessem me oferecido algo que não conheço, primeiro buscaria me informar. Se eu não entender, não colocaria meu dinheiro, pois preciso saber o risco e no que estou apostando. Se há termos técnicos, eles devem ser explicados”, enfatiza Luciana.

Posso confiar no meu gestor de investimentos?

O caso da XP Investimentos levantou a questão da confiança. Claro que isso não quer dizer que você deva ver todas as indicações de seu gestor como suspeitas, mas é preciso entender que, sim, pode haver interesse tanto dele quanto da corretora de investimentos em oferecer determinada opção. Novamente, quanto mais munida de informações você estiver, menor o risco de cair em uma situação de conflito de interesses.

Como os gestores costumam ganhar taxa de performance sobre os investimentos de seus clientes, pode ocorrer de uma pequena parcela indicar fundos de investimentos, mesmo sem que o investidor tenha esse perfil. “É uma realidade que não acomete todos os consultores e agentes de investimentos, mas é sabido que nesse mercado é uma prática comum”, lamenta Paula.

O que fazer antes de topar investir seu dinheiro

O gestor deve funcionar como um guia, jamais como um guru. Aproveite seu conhecimento e ouça com atenção o que ele lhe indica, mas lembre-se de que a decisão final é sua.

Antes de aplicar seu dinheiro, estude a respeito das opções que lhe foram oferecidas e tire absolutamente todas as dúvidas – isso minimizará os riscos e fará você ter mais certeza de que aquilo está, de fato, alinhado com seu perfil, momento de vida e objetivos. Se quiser, procure uma segunda opinião.

O próximo passo é analisar o contrato com cuidado, lendo e perguntando tudo que não entendeu. “Conte ao gestor quais são seus planos para o recurso aplicado, seus prazos, pergunte o quanto do seu patrimônio esse investimento representa. Essas respostas, no mínimo, devem servir como balizadores para orientar o consultor na diversificação dos seus recursos”, diz Paula.

Procuramos a assessoria da XP Investimentos, que se pronunciou por meio de nota:

“Sobre o ocorrido, a companhia informa que de acordo com a conclusão do MRP (mecanismo criado pela B3 para ressarcir investidores por execução infiel de ordens) e da Superintendência Jurídica da BSM, o cliente tinha ciência de todos os riscos envolvidos na operação e no que estava investindo, uma vez que deu a ordem para realização da operação e assinou termo de adesão ao produto. Não houve infiel execução de ordens. A empresa entende que o precedente pode ser ruim para o mercado, trazendo insegurança jurídica e apresentou Recurso Inominado perante à CVM, buscando eventual revisão da decisão e a oportunidade de se manifestar sobre pontos que não foram levantados no processo do MRP.”

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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