O que você faria se soubesse que iria morrer?

22 de março de 2016 - Por

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*Carolina Ruhman Sandler

Que assunto tétrico, não? Mas assim como a gente adora imaginar o que faria se ganhasse na loteria, vamos parar um minuto para pensar se você mudaria o seu comportamento se soubesse que este seria o seu último ano de vida.

Você imaginaria que ao saber que tem somente um ano de vida,  passaria a gastar mais (ou comer mais, beber mais, etc), certo? Errado. Um estudo recente mostrou que ao parar para pensar na morte, quem ganha valor é o futuro, e não o presente. Os participantes do estudo, ao serem relembrados da sua própria mortalidade, passaram a gastar menos do que antes.

Nessas situações, o que acontece é que você para de pensar tanto em bens, em ter tantas coisas e foca mais no que é importante na vida. Pensar na morte é um tipo de meditação usada por monges budistas – não é para ficar sofrendo, e sim, para pensar como viver melhor.

Segundo um artigo recente do New York Times, “(pensar na morte) faz com que os discípulos percebam a natureza transitória das suas próprias vidas e estimula um realinhamento entre os desejos temporários e os objetivos existenciais. Em outras palavras, nos faz questionar: ‘Estou fazendo o melhor uso da minha escassa e preciosa vida?’”.

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A ideia aqui não é deixar ninguém mórbido, mas apenas trazer um pouco de perspectiva a essa nossa vida. Com perspectiva, é possível perceber quais preocupações são reais e quais não valem a pena. Quais desejos são nossos mesmos e quais são apenas “desejos de consumo”. Se o que estamos fazendo hoje está alinhado com o que queremos para nossas vidas.

Muito filosófico e sem aplicação prática para a sua rotina? Não acho. Estou fazendo o meu #desafioseismesessemcompras e ao ler sobre este estudo, passei a pensar muito sobre como estou revendo a minha relação com consumo e nos desejos vs necessidades.

Se para você ficar tanto tempo sem comprar parece uma maluquice, por que não parar então para pensar um pouco sobre tudo isso? Pensar um pouco na nossa própria mortalidade (sem peso e com leveza, por favor!) pode ser um santo remédio para os pequenos impulsos do dia a dia. Afinal, quanto é que vale mesmo um novo batom ou corretivo?

*Carolina Ruhman Sandler é a fundadora do site Finanças Femininas e coautora do livro “Finanças femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva). Jornalista, tem 31 anos, é casada e mãe da Beatriz.

 

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