Pantera Negra: por mais “Shuris” no mundo real

Pantera Negra: por mais “Shuris” no mundo real

*Mônica Costa

Shuri, interpretada pela atriz Letitia Wright, é uma expert em tecnologia e ciência. A jovem ousada, corajosa e muito inteligente, dispõe de um “lab” onde testa e lança todas as inovações que são essenciais para o progresso de Wakanda, um país africano, utópico e futurista, cenário do filme Pantera Negra – aclamado e mais recente longa metragem produzido pela Marvel.

Wakanda é o lugar dos sonhos de muitas de nós (por diversos motivos), mas vamos focar somente no fato de que Shuri, responsável por incrementar o uniforme do Pantera Negra e desenvolver toda a tecnologia de que o super-herói precisa para lutar contra os vilões, não tem seu talento questionado. Ela conta com o apoio e o respeito de toda a sociedade, o que certamente, lhe dá a segurança necessária para seguir inovando.

Já por aqui, no mundo real, as áreas da inovação e tecnologia têm pouco espaço para a mulher. Se ela for negra, praticamente nenhum. Em 2014, quando a Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP) completou 121 anos, um levantamento feito pelo Poligen – coletivo de estudos de gênero da Poli- USP, mostrou que apenas sete mulheres negras passaram pela instituição desde sua fundação. Em sua sexta edição, das 19 pioneiras da ciência brasileira homenageadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), nenhuma era negra.

“Somos nós, mulheres negras, que podemos transformar este País. E isso passa por entender melhor as inovações e tecnologias”,afirma Silvana Bahia, jornalista, diretora de projetos da Olabi – empresa focada em criatividade e tecnologia para a inclusão social – e coordenadora da Pretalab, que estimula a inclusão de meninas e mulheres negras e indígenas no universo das novas tecnologias.

Umas das iniciativas é o levantamento de uma base de dados que ajudará a entender os desafios enfrentados por essas mulheres e dar visibilidade aos seus talentos. “Tanto a iniciativa privada quanto a pública precisam estar preparadas para incluir esta mulher no mercado de trabalho.”, afirma a coordenadora da Pretalab, que está fechando uma parceria com a Thought Works, consultoria global de tecnologia. “A parceria precisa considerar a realidade das mulheres negras e indígenas e dar a elas condições para o pleno desenvolvimento de seu potencial”.

O Pretalab também realiza workshops e cursos de formação e o projeto mais recente é o “Minas de Dados”, que em sua primeira turma, está capacitando cinco mulheres negras para o uso de dados abertos na promoção de temas raciais e de gênero no debate público.

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A ONU Mulheres defende o aporte de maiores investimentos públicos e privados para inclusão de meninas e mulheres nas áreas de Ciência e Tecnologia. Segundo a organização, as mulheres têm somente 18% dos títulos de graduação em Ciências da Computação e são, atualmente, apenas 25% da força de trabalho da indústria digital.
Em São Paulo, a Infopreta, empresa de serviços tecnológicos idealizada e constituída por mulheres negras, está na vanguarda. “Valorizamos a capacitação das mulheres e meninas da periferia porque sabemos que o acesso às universidades para este grupo é sempre mais difícil”, diz Danniele Lourenço, sócia da empresa desde o ano passado.

A Infopreta foi fundada em 2013 por Buh D’ângelo, que ostenta uma extensa lista de cursos nas áreas de tecnologia e inovação, mas que nunca conseguiu se encaixar nos “padrões” do mercado. Em 2017 ganhou destaque, quando Buh foi convidada a participar em Berlim, na Alemanha do prêmio Wommen 20 Summit promovido pelo G-20, de onde voltou com a terceira posição pelo projeto Note Solidário, que incentiva a doação de computadores para universitários, na maioria, bolsistas negras que são mães. Em troca, os alunos contemplados precisam comprovar a frequência, mandar boletins e a matrícula do curso a cada semestre.

Outra iniciativa é a ressocialização de mulheres de rua e ex-presidiárias. Sem parcerias ou subsídios, a Infopreta “banca” um curso técnico de seis meses nas áreas de eletrônica e manutenção de computadores. “Estamos atendendo duas mulheres, e uma delas já saiu das ruas e começa a expandir suas expectativas profissionais, e isso para nós é grandioso”, afirma Danniele.

*Mônica Costa é jornalista, mãe de um garoto de 14 e uma menina de 6 anos. Estudiosa de educação financeira e curiosa sobre a condição da mulher negra e o capital.

Fotos: Fotolia e Divulgação

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