Pesquisa: mulheres gastam 11% menos com juros do que os homens

Pesquisa: mulheres gastam 11% menos com juros do que os homens

É bem comum ouvirmos que nós, mulheres, somos gastadoras por natureza. Somos alvo de piadas machistas quando o assunto é comprar e a situação piora em relação ao cartão de crédito. Para desconstruir o senso comum preconceituoso, uma pesquisa da plataforma de empréstimo Just revelou que as mulheres gastam 11% menos do que homens em juros e parcelas.

O levantamento foi feito com cerca de 114 mil pessoas em todo o Brasil. Em média, as mulheres costumam desembolsar R$ 356,24 com despesas financeiras, enquanto os homens gastam R$ 402,16. O estudo considerou desde dívidas de cheque especial até financiamentos imobiliários e empréstimos.

“A renda pode ser um fator que explica parte do resultado. O fato de elas ganharem menos do que eles – 75% da renda masculina, segundo o IBGE – pode impactar o resultado em diferentes aspectos: tanto técnicos quanto comportamentais. A renda menor implica em menos acesso ao crédito, já que este é um dado que a maioria das instituições consideram na hora de fornecer o limite do cheque especial, do cartão de crédito ou mesmo conceder empréstimos”, comenta Bruno Poljokan, diretor da Just.

Além disso, em termos comportamentais, a mulher está cada vez mais empoderada em relação ao dinheiro. Muitas vezes, vem dela a principal fonte de renda da família. “A renda menor pode incentivá-las a serem mais controladas, diferentemente do que diz o estereótipo, e ponderadas na hora de tomar crédito”, ressalta Poljokan.

Por que os homens gastam mais?

De acordo com Poljokan, itens mais caros, como moto e videogame, estão entre os motivos para os homens gastarem mais. Com isso, o comprometimento deles com o crédito é elevado. Para arcar com esses custos, eles buscam limites e empréstimos maiores e, consequentemente, pagam mais juros.

Para ele, o orgulho pode explicar a diferença entre os grupos. “Infelizmente, é muito comum o homem se endividar e não querer pedir ajuda, e até esconder a situação da família e companheira. E quanto mais tempo demora para tomar uma atitude, maior se torna a dívida. Obviamente, são suposições gerais que não se aplicam a todas as pessoas.”

Idade é fator importante na hora de gastar

A porcentagem de quanto as pessoas pagam de juros e parcelas muda de acordo com a idade. Até os 20 anos, as mulheres costumam gastar R$ 99,06, enquanto os homens desembolsam R$ 110,14, uma diferença de 10%. O ápice é entre pessoas de 40 e 50 anos. A diferença chega a 17%, com elas custeando R$ 626,53, contra 759,12 deles.

cartao-credito

A situação se inverte a partir dos 60 anos, quando os homens (R$ 1.089,63) passam a gastar 5% a menos do que as mulheres (R$ 1.147). “A suposição é que, conforme a pessoa envelhece, ganha responsabilidades e forma família, as obrigações e necessidades aumentam e faz com que ambos os sexos contraiam mais dívidas”, pontua Poljokan.

“Cansei de pagar juros. Agora tudo vai para a planilha”

Contas pagas em dia, planilha de gastos super controlada e não contar com cheque especial é a realidade da funcionária pública Katia Vieira Almeida, 46 anos. Hoje, ela só faz compras que cabem no orçamento e evita os longos parcelamentos com juros. De acordo com a pesquisa, ela faz parte do grupo com maior diferença de gastos entre homens e mulheres.

O objetivo dela é reduzir cada vez mais o consumo e, consequentemente, o pagamento de juros. “Compro estritamente o necessário. Se eu quero muito algo, olho a planilha e observo se cabe na próxima fatura. Se não couber, ligo o botão de alerta e espero mais um pouco”, conta.

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Mas nem sempre foi assim. Quando teve seu primeiro cartão de crédito, há 23 anos, a única noção financeira que tinha era olhar para sua conta bancária e achar que podia gastar todo o seu dinheiro. Com o tempo, passou a comprar mais do que podia e aconteceu o inevitável: juros do rotativo e cheque especial. Passou anos endividada, até precisar de ajuda dos pais para quitar tudo.

“A falta de educação financeira do brasileiro, em uma fase anterior ao ingresso no mercado de trabalho, faz com que o adulto tenha que aprender com tentativas e erros a maneira como o mercado funciona e como se utiliza os produtos financeiros”, assinala Poljokan.

Após 10 anos sem utilizar nenhuma linha de crédito, Katia voltou a fazer compras com o cartão de uma forma muito mais consciente e respeitando os limites do seu salário. “Hoje controlo mais, pago sempre a fatura fechada e jamais, em hipótese alguma, me deslumbro com o meu limite. Voltei a usar o cartão de crédito de forma muito mais controlada e cancelei o cheque especial. Só assim consegui controlar minhas finanças”, conclui.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni

Gabriella Bertoni

Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
Fale comigo! :) gabriella@financasfemininas.com.br

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