Petróleo negativo? Cotação cai 300% para a mínima histórica

20 de abril de 2020 - Por

Petróleo fica negativo e Bolsa fecha zero a zero

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -0,02% (78.973 pts)

Dólar: +1,33% (R$ 5,30)

Casos de coronavírus: 40.581 confirmados e 2.845 óbitos (fonte: Ministério da Saúde)*

Resumo:

  • Apesar de os preços do petróleo americano derreterem, Bolsa fecha no zero a zero;
  • Brasil registra 383 novas mortes por coronavírus em pior dia desde o início da pandemia;
  • Selic deve terminar 2020 em 3% a.a.; PIB retrairá 2,96%, estimam economistas;
  • Caixa cria nova linha de crédito para micro e pequenas empresas;
  • Brasileiros estão deixando de pagar boletos por causa da crise;

Pela primeira vez na história, o preço do petróleo nos Estados Unidos atingiu valor negativo. Isso tem tudo a ver com o impacto do coronavírus na economia global e, como não poderia deixar de ser, também causou grande perturbação na Bolsa nesta segunda-feira (20).

A queda de mais de 300% de hoje foi, especificamente, no petróleo americano WTI. As empresas produtoras vendem aos investidores o chamado contrato futuro de petróleo, que busca compradores para os barris que ainda serão produzidos.

No entanto, o impacto do coronavírus na economia reduziu drasticamente a demanda global por petróleo e derivados. As empresas produtoras americanas não têm mais onde deixar seus barris. Diante do excesso de produto armazenado, quem possui contratos que vencem nesta terça (21) tentou vender o que tinha a todo custo, mesmo que isso significasse pagar para não precisar se preocupar com o armazenamento. Ou seja: muito petróleo para pouca gente interessada resultou em um excesso de barris estocados.

Então você se questiona: o que isso tem a ver com a Bolsa de Valores brasileira?

Ao longo do dia, a instabilidade do preço do petróleo nas bolsas americanas acabou afetando o desempenho da Petrobras por aqui – as ações da empresa chegaram a cair mais de 2% ao longo do dia, fechando com queda de 1%. O desempenho do Ibovespa só não foi pior por causa das ações de empresas varejistas, que valorizaram ao longo do dia.

Outro fator que prejudicou a Bolsa nesta segunda foi o ruído político causado pelas manifestações que ocorreram no último domingo (19) a favor da volta da Ditadura Militar. Quando o presidente da República, Jair Bolsonaro, acena a favor dos manifestantes, acaba gerando insegurança no mercado financeiro.

Quanto ao coronavírus, nesta segunda o Brasil registrou o pior dia desde o início da pandemia: foram 383 novas mortes nas últimas 24 horas, um aumento de 15,5% em relação ao dia anterior.

Petróleo fica negativo e Bolsa fecha zero a zero

Selic deve chegar a 3% ao ano até dezembro, segundo economistas

Como você acha que estará a taxa Selic no final de 2020? De acordo com o Relatório Focus divulgado nesta segunda-feira, o mercado estima que a taxa básica de juros caia para 3% ao ano até dezembro. Na semana passada, a projeção era de 3,25% ao ano.

Essa estimativa é uma média entre as projeções dos economistas entrevistados. No entanto, entre os profissionais que mais acertam as apostas – o chamado Top 5 –, a Selic pode ficar ainda mais baixa: 2,50% a.a.

Quanto ao Produto Interno Bruto (PIB), que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo País e indica se a economia cresceu ou encolheu, a média das estimativas caiu pela décima vez consecutiva, apontando uma retração de 2,96%. Na semana passada, a projeção era de -1,96%.

O Relatório de Mercado Focus é divulgado todas as segundas-feiras pelo Banco Central e mostra as expectativas do mercado em relação à economia brasileira.

Por que você precisa saber? A taxa Selic influencia desde os seus investimentos em renda fixa até os juros cobrados pelos bancos. Apesar disso, um menor percentual não garante que as instituições financeiras pesarão menos a mão quando o assunto é tomar crédito. Explicamos tudo sobre a taxa básica de juros aqui.

Caixa cria nova linha de crédito para micro e pequenas empreendedoras

Diante das dificuldades que microempreendedores individuais, micro e pequenas empresas estão passando com a crise provocada pelo coronavírus, a Caixa Econômica Federal, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), anunciou nesta segunda uma nova linha de crédito para este público.

Os empréstimos poderão ser solicitados a partir desta quarta-feira (22) por empresas cujo faturamento anual seja de até R$ 4,8 milhões.

Cada faixa de empreendimento terá suas próprias condições. Microempreendedores individuais, por exemplo, poderão solicitar um máximo de R$ 12,5 mil por CNPJ, terão nove meses de carência, 24 meses para pagamento após esse prazo de carência e taxa de juros de 1,59% ao mês.

Microempresas terão carta de crédito de até R$ 75 mil de crédito por CNPJ, 12 meses de carência, 30 meses para pagamento após esse prazo de carência e taxa de juros de 1,39% ao mês.

Já pequenas empresas poderão solicitar o valor máximo de R$ 125 mil de crédito por CNPJ, terão 12 meses de carência, 36 meses para pagamento após esse prazo de carência e taxa de juros de 1,19% ao mês.

Por que você precisa saber? Além dos contratempos para garantir o auxílio emergencial de R$ 600, muitos microempreendedores vêm esbarrando em dificuldades para conseguir crédito nos bancos privados. Essa medida vem para suprir essa lacuna. No entanto, todo empréstimo pede cuidado: apenas solicite crédito se realmente for necessário.

Brasileiro deixa de pagar pelo menos uma conta por mês, aponta estudo

Diante dos boletos que não param de chegar, 91 milhões de brasileiros – o equivalente a 58% da população adulta do País – deixaram de pagar pelo menos uma conta de consumo no mês de março. É o que descobriu uma pesquisa do instituto Locomotiva.

Para que se tenha ideia, em fevereiro – antes dos impactos econômicos do coronavírus chegarem ao Brasil –, eram 59 milhões de cidadãos com contas em aberto. Isso representa um salto de 54% de um mês para outro.

O levantamento apontou que cada brasileiro, em média, deixou de pagar quatro contas. As que foram deixadas de lado com maior frequência foram as consideradas não essenciais, como carnês ou crediários de lojas (não pagas por 46% dos entrevistados) e empréstimos com instituições financeiras (deixadas para depois por 36%). 37% da amostragem deixou de pagar a fatura do cartão de crédito e o cheque especial – que possuem taxas de juros altíssimas.

A pesquisa foi feita por telefone com 1.131 pessoas.

Por que você precisa saber? O momento de escolher qual boleto pagar é sempre delicado. Na dúvida, observe qual impactará menos sua rotina. Por exemplo, deixar de pagar a fatura do cartão de crédito pode resultar em uma grande bola de neve de juros, trazendo prejuízos no longo prazo. Priorize as contas com maior taxa de juros e cujos serviços sejam indispensáveis.

*Até o fechamento do texto

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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