PIB privado existe? Entenda o crescimento econômico do país

12 de março de 2020 - Por

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O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 2019, que cresceu 1,1% em relação ao ano anterior frustrou as expectativas de crescimento econômico do país. Em 2017 e 2018, tivemos altas de 1,3% após as retrações de 3,5% em 2015 e 3,3% em 2016, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A retomada da economia segue a passos lentos após a recessão entre 2014 e 2016. Por isso, o governo brasileiro tem avançado com uma agenda de reformas para estimular o crescimento econômico. No período que ficou na presidência, Michel Temer conseguiu aprovar o teto de gastos no setor público, a reforma trabalhista que flexibilizou as relações entre patrões e empregados e em 2019, Jair Bolsonaro cumpriu uma promessa de campanha e aprovou a reforma da Previdência que dificulta a aposentadoria dos brasileiros.

“O resultado do PIB é muito condizente com uma economia que tem dificuldade de discutir reformas e de enxergar para onde quer ir e como precisa ir”, diz Juliana Inhasz, doutora em Teoria Econômica pela Usp e professora do Insper.

O PIB privado existe?

Para tentar minimizar a frustração com o resultado do PIB, a Secretaria de Política Econômica, ligada o Ministério da Economia divulgou uma nota para avaliar o desenvolvimento econômico brasileiro. O texto gerou debate nas redes sociais e entre os economistas por conta da expressão “PIB privado” que divide o Produto Interno Bruto entre público e privado para celebrar o desempenho da economia em 2019.

O PIB é a soma de todos os bens e serviços finais produzidos durante um ano, como veículos, alimentos, medicamentos, entre outros que são medidos nos preços que chegam ao consumidor. É o principal termômetro da economia de um país, estado e cidade. Os itens que compõem o Produto Interno Bruto são: consumo das famílias, gastos do governo, investimento e a exportação menos a importação.

Inhasz acredita que a separação entre PIB público e privado não faz sentido. Para ela, o PIB é uma medida de produção e o Estado um demandante que deve garantir condições para que os agentes privados produzam.

“A gente está falando do mesmo PIB. Essa divisão demonstra que o governo tem reduzido muito a sua participação dentro da economia e isso resultou em uma diminuição da atuação em termos de PIB. O governo tem diminuído gastos públicos e investimentos”, afirma. “O Estado é um agente importante na criação de demandas, portanto entra na economia para gastar e criar demandas que vão impulsionar a sociedade, fazendo com que a gente produza mais e crie o PIB. Quando o Estado deixa de demandar, a participação dele reduz, ele deixa de impulsionar a economia e a gente perde esse efeito ‘multiplicador’ ”, explica.

Crescimento econômico: estamos nos recuperando?

O fraco desempenho econômico é reflexo de alguns elementos, segundo Inhasz. “O governo tem um capital político muito baixo que piora o cenário e a ficamos com dificuldade de deixar esse passado recessivo para trás. A falta de capital político para discutir as reformas e um projeto de Brasil acabam travando demais o país. Não conseguimos atrair novos investidores, melhorar o ambiente de negócios e diminuir o desemprego. Criamos amarras que fazem a economia crescer muito pouco”, observa.

De acordo com Inhasz, os investimentos públicos em infraestrutura criam um espaço para que a iniciativa privada também participe da economia e continue investindo. “O governo é importante no investimento público, porque é ele que oferece solidez para a sociedade e boas taxas de retorno”, diz.

Com a taxa de desemprego em 11,2%, o equivalente a 11,9 milhões de pessoas, segundo a Pesquisa Nacional Por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) do IBGE, o ministro da economia, Paulo Guedes continua defendendo a aprovação de reformas para impulsionar o crescimento econômico.

Para 2020, a projeção do PIB foi revisada e passou de 2,4% para 2,1% de acordo com o Boletim Macrofiscal, divulgado pela Secretaria de Política Econômica. A mudança é decorrente do coronavírus, que foi classificado como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

“Com o que acontece agora no mundo: coronavírus, a guerra do petróleo entre Arábia e Rússia, provavelmente o PIB crescerá muito pouco. Além disso, temos as eleições municipais no Brasil e o governo terá pouco espaço para atuação”, finaliza.

Fotos: Adobestock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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