Pílula da inteligência: o mito da velocidade x produtividade no mercado de trabalho

27 de novembro de 2018 - Por

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Em um mercado de trabalho extremamente competitivo, é cada vez mais comum que os profissionais precisem produzir mais em bem menos tempo. Para ajudar a dar conta de tudo, muitos recorrem a remédios conhecidos como “pílula da inteligência” para encarar situações corriqueiras na rotina de grandes escritórios, como longas jornadas, demandas insanas e chefes autoritários.

Algumas dessas pílulas da inteligência têm dois compostos bem conhecidos: Ritalina e Adderall. No documentário “Take your Pills” (tradução livre: “Tome Seus Remédios”), é possível ver quais são os efeitos e o preço de conseguir fazer tudo mais rápido e “melhor”.

O intuito dos medicamentos, utilizados no tratamento de transtornos de atenção, como o TDAH  (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), é estimular levemente o sistema nervoso central. Entretanto, estudantes acadêmicos e profissionais passaram a se automedicar para ajudar na produtividade e performance.

Agora, você já ouviu falar da série de televisão Breaking Bad? Entre os temas centrais, está a produção de metanfetamina, que leva esses dois compostos – a Ritalina e o Adderall – em sua formulação. No mundo real, a droga é utilizada principalmente por aqueles que não têm acesso às medicações legalizadas. Mas, o que isso tem a ver com a produção no mercado de trabalho?

A inserção das drogas no dia a dia das pessoas

Este não é um fenômeno recente. Virginia Heffernan, repórter do site Wired, conta que isso não é algo do mundo moderno, mas sim que acontece há muitos anos nos Estados Unidos.

Em 1933, 46 anos depois de o químico romeno Lazăr Edeleanu ter sintetizado a anfetamina – uma mistura de moléculas de levoanfetamina e dextroanfetamina –, entrou no mercado um medicamento chamado Benzedrine. Entre os usuários, ele é conhecido como uma “ajuda para ficar alerta”. Em pouco tempo, ele foi enviado para os campos de guerra, como em Pearl Harbor.

Ao regressarem para casa, os soldados começaram a buscar pela droga para alimentarem o vício. Não demorou para que suas esposas descobrissem que as substâncias ajudavam na perda de peso e, assim, no final dos anos 60, mais de 9 milhões de norte-americanos usavam anfetaminas prescritas.

Tudo isso culminou no que acontece até hoje com as crianças. A distração também ganhou tratamento com a anfetamina e a Ritalina passou a ser o medicamento de 3,5 milhões de crianças americanas em 2011. Uma formulação recente, Adzenys, é voltada para alunos a partir da primeira série: ela tem sabor laranja e derrete na boca.

Pílula da inteligência: velocidade como inimiga da produtividade

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De fato, a velocidade pode proporcionar às crianças uma maravilhosa experiência nos estudos – e é claro que os pais querem que seus filhos tenham isso. Mas forçá-los a utilizarem estimulantes sintéticos têm consequências graves. É basicamente viver em modo automático desde cedo, com o corpo condicionado a sentir urgência o tempo todo. E, com toda essa pressa, a pessoa tende a abraçar tarefas monótonas, especialmente nas relações sociais e de trabalho.

Heffernan explica que, no organismo, essas substâncias fazem com que os minúsculos músculos que revestem as paredes dos vasos sanguíneos se contraiam. A velocidade também inibe o muco, enquanto relaxa os pulmões. Assim, enquanto os usuários têm sintomas de medo que podem ser vistos como excitação, eles também respiram mais facilmente. Eventualmente, porém, o efeito passa e o paciente pode se perguntar: “por que estou fazendo tantas tarefas monótonas nesse ritmo frenético? Eu realmente aguento tudo isso?”

“Eu tentei Ritalina na pós-graduação. Eu consegui controlar todas as noites sob sua influência e parei de comer. Tive a sensação de que meus chefes estavam satisfeitos com minha produtividade e minha subnutrição. Mas a contração dos músculos dos vasos sanguíneos do meu corpo não era euforia, mas sim uma espécie de sofrimento reprimido e, às vezes, eu confundia minha perda de apetite com essa tristeza. Ao viver com muita velocidade, eu senti como se alguém que eu amava tivesse morrido recentemente. Pior ainda, me senti muito importante e produtiva para lamentar, ou mesmo me importar”, relembra Heffernan.

Adaptado de Wired.

Fotos: AdobeStock

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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