Pink tax: veja como mulheres pagam mais caro nos produtos

5 de julho de 2019 - Por

pink-tax-o-que-e-machismo

quem ama, compartilha!

Você já ficou com a sensação de que, toda vez que vai fazer compras com um homem, paga mais caro? Você não está louca e a culpa não é, necessariamente, do volume de sacolas que você carrega. A responsável é a chamada de “pink tax” (“taxa rosa”, em tradução livre).

O que é pink tax?

Trata-se de um fenômeno onde as versões “femininas” de produtos e serviços custam mais do que as “masculinas” – mesmo que elas sejam iguais. Ou seja, produtos femininos acabam sendo mais caros.

Muitos acreditavam que a teoria era só um mito até que estudos foram conduzidos em diversas partes do mundo. No Brasil, um estudo conduzido em 2018 pela ESPM descobriu que os produtos voltados às mulheres são até 12,3% mais caros do que aqueles destinados aos homens. Segundo o levantamento, este fenômeno atinge as meninas desde a primeira infância: a roupa de bebê feminina é cerca de 23% mais salgada. Porém, a diferenciação é permitida pelo Procon, mesmo que o item seja o mesmo, mudando apenas a cor.

Já um levantamento do departamento de Consumer Affairs (DCA) da cidade de Nova Iorque chegou à conclusão de que, sim, ela é real e pesa no bolso. Foram analisados mais de 800 produtos de 90 marcas, divididos em 35 categorias (entre brinquedos, roupas para crianças e adultos, itens de cuidados pessoais e de saúde para idosos), abrangendo todas as faixas etárias.

Agora, segure-se na cadeira e veja o que o órgão descobriu: a mulher sai em desvantagem em 30 dessas categorias. Produtos voltados para nosso gênero são mais caros em 42% dos casos, enquanto os masculinos são em 18%. O preço variou, em média, 7%, mas chegou a 13% em itens de cuidados pessoais.

O jornal britânico The Times repetiu o experimento e chegou a um resultado similar: produtos considerados femininos custavam, em média, 37% a mais. Entre aqueles que ficaram mais caros apenas por serem rosas estão lâminas, canetas e roupas.

A disparidade já foi motivo de chacota lá fora. A apresentadora Ellen Degeneres simulou o que seria o comercial da “Bic For Her” (“Bic para Ela”, em tradução livre), ironizando as supostas diferenças de uma caneta feita exclusivamente para mulheres. Já a editora sênior do site Mic.com, Liz Plank, atestou as diferenças de preços, experimentou produtos considerados masculinos e contou a experiência em um vídeo divertidíssimo.

No vídeo a seguir, Carol Sandler fala mais sobre a pink tax e como fugir dela, assista!

Gostou do vídeo? Clique aqui e veja muito mais conteúdo em nosso canal no YouTube!

A maior discrepância foi detectada nos cortes de cabelo (lacuna de R$ 110). Sim, você leu certo. Ao final, nós, mulheres, gastaríamos R$ 183,58 a mais do que eles só por usarmos mercadorias destinadas ao nosso gênero. Imagine o impacto dessa despesa ao final de um ano! Ironicamente, nossos salários representam apenas 76,5% do rendimento dos homens, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

pink-tax-produtos-femininos-mais-caros

Pink tax: por que produtos femininos são mais caros?

De acordo com a indústria, vários fatores encarecem os produtos voltados ao público feminino. Um deles é que eles podem ter ingredientes ou tecnologias que aumentam o preço. Por exemplo, em entrevista à Folha de S. Paulo, a Gilette afirmou que “elementos como tipos de pele, comprimentos do fios, área de alcance e ergonomia do aparelho, mostram que as lâminas femininas precisam ser projetadas de forma muito distinta dos produtos desenvolvidos para os homens”. No entanto, o levantamento do departamento de Consumer Affairs (DCA) de Nova Iorque concluiu que, em muitas vezes, a única distinção entre os itens analisados é a cor.

Para a professora Leda Machado – que estudou temas relacionados a Gênero em seu PhD. em Sociologia e Mestrado em Economia pela University College London – o fato de a maior lacuna de preços ser encontrada nos itens de cuidados pessoais diz muito sobre o que a sociedade requer da mulher. “Existe uma expectativa de que vamos fazer tudo e que precisamos estar sempre lindas. Somos avaliadas e julgadas pelo físico o tempo inteiro. Já o homem não tem esse problema”, aponta. Por isso, acabamos mais dispostas a gastar com artigos que prometem nos deixar mais bonitas, dando sinal verde para o mercado aumentar o preço das mercadorias destinadas a isso.

Entramos em contato com o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR), mas não tivemos resposta até o fechamento desta matéria.

Ao final do estudo, o DCA encorajou todas as nova-iorquinas a denunciarem nas redes sociais os casos de discrepância entre o preço de produtos masculinos e femininos. Aqui no Brasil, vale ficar de olho em tudo que você compra. Será que o produto rosa é realmente melhor? Vale a pena levá-lo só por ser “para mulheres”? Pondere as escolhas e economize!

Fotos: Shutterstock

Gostou do nosso conteúdo? Clique aqui e assine a nossa newsletter! 

Se você tem alguma dúvida sobre sua vida financeira ou uma boa história sobre dinheiro para contar pra gente, mande um e-mail!

quem ama, compartilha!

Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

Leia em seguida

black-friday-5-dicas-para-aproveitar-a-liquidacao-e-fugir-das-ciladas

7 de novembro de 2019

Muitas pessoas ficam empolgadas com a Black Friday e acabam caindo em ciladas. Por isso, selecionamos algumas dicas para aproveitar a liquidação. Confira!

selecao_feminina_brasil

27 de junho de 2019

A Copa do Mundo de Futebol Feminino 2019 marcou a campanha de igualdade, Marta como maior artilheira do Mundial e seleção feminina levantando bandeira LGBT.

compras-por-impulso-carol-sandler

7 de janeiro de 2019

Já se arrependeu por comprar uma roupa que uma blogueira indicou? E o ingresso de um show que você não foi? Saiba quais compras Carol Sandler se arrepende até hoje!

SIGA O INSTAGRAM @financasfemininas