Possível saída de Moro faz Bolsa despencar e dólar fechar em R$ 5,52

23 de abril de 2020 - Por

Possível saída de Moro faz Bolsa despencar e dólar fechar em R$ 5,52

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Esse texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: -1,26% (79.673 pts)

Dólar: +2,21% (R$ 5,52)

Casos de coronavírus: 49.492 confirmados e 3.313 óbitos (fonte: Ministério da Saúde)*

Resumo:

  • Bolsa despenca com boatos da demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro;
  • promessa para curar o coronavírus, o antiviral Remdesivir falhou no 1° teste clínico;
  • dólar bate recorde e fecha a R$ 5,52;
  • governo recua e suspende adiantamentos do auxílio emergencial;
  • Caixa anuncia ainda hoje 9 milhões que receberão auxílio;
  • entenda o que é o Plano Pró-Brasil;
  • se não houver isolamento de 50%, Doria pode rever reabertura de SP;
  • mortes por coronavírus em São Paulo saltam, segundo dados oficiais.

A Bolsa até operou positiva durante a manhã, mas uma série de acontecimentos derrubou o Ibovespa ao longo da tarde. O destaque ficou com o pedido de demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, de acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo. Vamos explicar por ordem cronológica para facilitar sua compreensão.

O primeiro baque foi o anúncio de que uma das principais apostas para combater o coronavírus, o antiviral Remdesivir, falhou no primeiro teste clínico, de acordo com o jornal Financial Times. A má notícia deixou os mercados internacionais voláteis, o que impactou a nossa Bolsa.

Por volta das 14h, a Folha deu a notícia de que Moro pediu demissão após o presidente Jair Bolsonaro anunciar sua decisão de trocar a diretoria-geral da Polícia Federal, hoje ocupada por Maurício Valeixo – aliado do ministro. Segundo informações do jornal, Bolsonaro tenta reverter a demissão.

A notícia foi suficiente para acentuar as perdas no Ibovespa: por volta das 15h, o índice operava em -2,17%, aos 79.114 pontos. Pouco antes do fechamento, a perda era menor, de 0,59%. O dólar, por sua vez, bateu o recorde nominal de fechamento ao alcançar os R$ 5,5285.

Governo recua e suspende adiantamentos do auxílio emergencial

Apesar da promessa, o Ministério da Cidadania anunciou, por meio de nota divulgada nesta quarta-feira (22), que não poderá antecipar o pagamento da segunda parcela do auxílio emergencial para trabalhadores informais, autônomos e MEIs. O anúncio da antecipação havia sido feito na última segunda (20) em uma coletiva de imprensa promovida pela Caixa Econômica Federal.

De acordo com o Ministério da Cidadania, a antecipação foi suspensa porque muitas pessoas sequer receberam a primeira parcela da renda básica emergencial. Desta forma, faltaria dinheiro para terminar os primeiros pagamentos. Para conseguir distribuir todos os auxílios necessários e antecipar a segunda parcela, seria necessário abrir um crédito suplementar.

A nota divulgada não informa a data do pagamento da segunda parcela.

Para quem ainda está com o pedido em análise, há luz no fim do túnel: o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, afirmou que a partir das 18h de hoje, quem fez o cadastro na última semana saberá se receberá ou não o auxílio – um total de 9 milhões de pessoas das 36 milhões que solicitaram.

Governo recua e não vai mais adiantar segunda parcela do auxílio emergencial

Dessas, 3,5 milhões receberão o depósito ainda nesta quinta; 1,5 milhão até este sábado; e 4,2 milhões de pessoas sem conta em banco até segunda-feira (27).

Por que você precisa saber? Quem estava contando com o adiantamento terá que rever seu planejamento financeiro, uma vez que a previsão é passar mais um fim de semana sem o auxílio. Diante da falta de recursos do governo federal, continuaremos atentas para trazer informações sobre possíveis alterações no calendário.

Plano Pró-Brasil: o que é e como te afeta o planejamento pós-coronavírus

Na última quarta-feira (22), foi anunciado o Plano Pró-Brasil, que pretende recuperar o País dos impactos causados pelo coronavírus por meio de geração de emprego e obras de infraestrutura. A proposta – divulgada por meio de um power point – começará a ser implantada a partir de outubro, de acordo com cronograma elaborada pelo ministro da Casa Civil, general Braga Netto.

Chama a atenção o fato de que a elaboração do plano não contou com a ajuda da equipe econômica do Palácio do Planalto, incluindo o ministro da Economia, Paulo Guedes, indicando falta de unidade no governo federal.

Ainda são poucas as informações disponíveis, sabe-se apenas que a base do plano são obras de infraestrutura – tal como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo Dilma Rousseff – e que o investimento previsto é de R$ 250 bilhões de concessões à iniciativa privada e R$ 30 bilhões em obras públicas conduzidas pelo governo.

Por que você precisa saber? A falta de unidade na equipe do Executivo dá sinais complicados tanto para o mercado financeiro quanto para nós, cidadãs. Ainda não se sabe como o plano será executado, quem está envolvido ou se ele será efetivo para a criação de novos empregos depois que o furacão causado pelo coronavírus passar. Continuaremos de olho.

Se não houver isolamento de 50%, Doria pode rever reabertura de SP

Em coletiva de imprensa realizada nesta quinta-feira (23), o governador de São Paulo, João Doria, divulgou que, na última quarta (22), o índice de isolamento no estado foi de 48% – abaixo do mínimo esperado de 50%.

Diante do baixo percentual, Doria anunciou que pode rever a reabertura de São Paulo caso os índices de isolamento social continuem insatisfatórios.

“Não poderemos fazer flexibilização se não tivermos um índice mínimo de 50% de pessoas em casa. Ontem esse índice não foi atingido, mas nos quatro dias anteriores superamos os 50%, portanto, é perfeitamente possível”, disse.

De acordo com os últimos dados da Secretaria de Saúde do estado de São Paulo, o dia 21 de abril teve 56 mortes por COVID-19; 22 de abril, 41; 23 de abril, 211, representando um salto de 170 óbitos em relação ao dia anterior. Os dados podem ser consultados no site oficial.

Por que você precisa saber? Para preservar a sua vida e de quem você ama. Por se tratar de um plano dinâmico, a reabertura de São Paulo dependerá de como diversas áreas da economia e regiões do estado estão se saindo, conforme explicamos aqui. Ele afetará sua vida diretamente, seja por causa da reabertura da escola dos seus filhos ou da retomada da sua atividade financeira.

Se puder, fique em casa. Se não conseguir, cuide-se na medida do possível. O ritmo de achatamento da curva – e, com isso, a capacidade de atendimento do sistema público de saúde – depende da colaboração de todos.

*Até o fechamento do texto

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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