Projeto leva renda para mulheres da periferia através de venda de iogurtes

13 de dezembro de 2016 - Por

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Assim que descobriu que estava com câncer de colo de útero, Regiane Mota Monteiro viu seu marido sair de casa, deixando-a sozinha para cuidar das três filhas. Ela, que estava desempregada, passou a procurar “bicos” às pressas, afinal, a quimioterapia não a permitia entrar em um trabalho em tempo integral. “Fui ao centro comunitário para fazer um currículo e a atendente me contou que a ong Visão Mundial estava contratando pessoas para um novo projeto, então, me candidatei”, conta.

Era o Projeto Kiteiras, criado em 2011 pela Danone em parceria com as ongs Aliança Empreendedora e Visão Mundial. “A iniciativa visa impactar socialmente as comunidades, sobretudo mulheres, proporcionando uma fonte de renda complementar e profissionalização a partir da venda de iogurtes em kits, no modelo porta a porta”, diz Mauro Homem, gerente de sustentabilidade da Danone. Sua implantação começou em Salvador e, em 2016, chegou nas zonas sul e leste de São Paulo, ABC, Baixada Santista e em cidades como Sorocaba, Itapecerica da Serra e Osasco. Regiane mora no Jardim Ângela, zona sul de São Paulo, que já foi considerado pela ONU o bairro mais violento do mundo.

A princípio, Regiane foi contratada como a primeira mobilizadora da capital paulista, profissional responsável por cadastrar trabalhadoras – que são chamadas de “kiteiras” – no projeto. A boa notícia é que ela poderia trazer dinheiro para casa e, como trabalharia apenas nas horas vagas, não comprometeria o tratamento do câncer. “Abracei a causa. Sou da comunidade e sei como é depender de um marido, sofrer abuso e ser agredida por um homem. Mostrei que elas também poderiam dar o grito de liberdade, sair de relacionamentos abusivos e dar uma condição de vida melhor para seus filhos e para elas mesmas”, desabafa. Conforme ela reunia essas mulheres, também ia se tornando amiga delas, colocando-as para cima toda vez que faltava ânimo para continuar.

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Regiane em sua comunidade

Seu empenho foi tão grande que ela acabou se tornando madrinha, profissional que acompanha as kiteiras, supervisionando as vendas e também dando suporte emocional caso elas precisem. Ela conta o caso de uma participante que foi abandonada pelo marido desempregada, com dois filhos para criar e uma despensa vazia. “Conseguimos cesta básica e cadastrar as crianças em um Centro da Juventude para frequentar depois da escola. Depois de uma semana, ela me ligou de madrugada, chorando, para agradecer, pois o dinheiro da venda dos kits a permitiu comprar arroz, feijão e leite. Nada paga isso”, relata.

Dia após dia, a madrinha foi vendo a vida dessas mulheres mudar para melhor. Uma das grandes vantagens é que, graças à flexibilidade de horários, cada kiteira pode se organizar para trabalhar da melhor maneira para elas, o que as permite se dedicar aos filhos e a si mesmas. “Aquelas que trabalham em média cinco horas por dia podem alcançar renda média de um salário mínimo e meio”, afirma Homem.

Foi o que aconteceu com Regiane, que pode largar todos os trabalhos extras para se dedicar somente ao projeto – e, além de tudo, conseguindo tempo para ficar com suas filhas. “Antes, quando fazia quimioterapia, meu ex-marido dizia que eu estava horrorosa e que eu iria morrer. Hoje tenho uma boa autoestima e me sinto linda, pois agora posso sustentar minhas filhas e ganhei muitas amigas”, relembra. De acordo com a Danone, o objetivo é alcançar duas mil mulheres até o final deste ano, totalizando mais de 200 toneladas de produtos por mês.

Fotos: Shutterstock e Reprodução/vamosmudarahistoria.com

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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