Qual é o valor do trabalho da mulher em casa?

22 de janeiro de 2013 - Por

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“Meu marido veio reclamar esta semana que estou ganhando muito pouco. Sei que se somar o que ganho com as minhas tarefas como mãe e dona de casa vou ganhar tanto quanto ele, mas eles so entendem números! Vocês sabem como posso levar este cálculo para ele? Obrigada!”, Marina (o nome da leitora foi alterado por questões de privacidade).

Depois de ter filhos, a vida – e consequentemente a carreira – de muitas mulheres muda. Cada uma lida de uma forma e não existe uma fórmula certa para encontrar o equilíbrio entre o trabalho e a vida pessoal. Para solucionar a dúvida da Marina (nome fictício), conversamos com Viviane Mourão, diretora da empresa Meta&Vida Desenvolvimento em Recursos Humanos.

Segundo ela, a forma mais fácil de avaliar o valor do trabalho como mãe e dona de casa é calcular o valor que o casal deixa de gastar com empregada, babá, cozinheira, perua escolar e motorista, por exemplo. “Você poderia ver as funções que está ‘substituindo’ e ver quanto isso custa no mercado”, sugere ela. No entanto, esse cálculo serve apenas para dar uma ideia – existe um valor intangível, que é a mãe junto com os filhos no dia-a-dia, que não existe forma de avaliar. “A mãe tem um papel fundamental na parte emocional e psíquica do ser humano”.

Para pensar neste valor intangível, a consultoria de tendências Mindset, do grupo WGSN, desenvolveu o conceito de “purple money”. “As mulheres passam a reconhecer o papel de mediadora e agregadora social que têm no ambiente de trabalho e em casa. Elas sabem o valor que essa doação tem para harmonia e estabilidade dos que estão ao seu redor, e passa a usá-la como uma nova moeda de troca, o purple money. Todo o trabalho e esforço que elas têm para manter a harmonia e estabilidade emocional das pessoas que as cercam custam tempo e dedicação, geram valor e, por isso, devem ser recompensadas de alguma maneira”.

Viviane recomenda para mulheres na mesma situação que revejam o acordo com os seus parceiros.  “Quando você decide ficar em casa para cuidar dos filhos, é uma decisão que tem que ser tomada em comunhão com o marido. Se não existe mais este acordo, a questão é olhar para o relacionamento dos dois e rever o combinado”, recomenda.

Para esta conversa, a especialista em RH explica que o casal deve discutir os objetivos pessoais de cada um, do próprio casamento e da educação dos filhos e rever os papeis de cada um, dentro e fora de casa. “Como se fosse uma empresa mesmo”, diz.

Existe um preconceito de que não existe valor em ficar em casa para cuidar dos filhos“, reconhece, mas ela acredita que o cenário está mudando. “Hoje o homem participa mais do dia-a-dia da casa, desde a definição do orçamento doméstico e na participação em reuniões na escola, como no acordo em quem trabalha e quem cuida da casa e dos filhos. Já vejo alguns casos em que os homens, insatisfeitos com seus empregos, fazem um acordo com as esposas para que elas trabalhem, enquanto eles se requalificam para uma mudança de carreira”.

A decisão será de vocês: voltar a trabalhar ou continuar em casa. “Este é um momento importante e a mulher deve se sentir amparada pelo marido, principalmente se resolver voltar a se dedicar ao trabalho”, diz Viviane. E se a ideia for ficar em casa, não se esqueça de estabelecer o valor do seu purple money!

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Carol Sandler
Carol Sandler é fundadora do Finanças Femininas, a maior plataforma online do Brasil de empoderamento feminino através da educação financeira. Apresenta o quadro "Carol, cadê meu dindin" semanalmente no programa SuperPoderosas, da TV Band. Autora do livro "Detox das Compras (Saraiva, 2017) e coautora do livro “Finanças Femininas – Como organizar suas contas, aprender a investir e realizar seus sonhos” (Saraiva, 2015), junto com o economista Samy Dana. Estudou Jornalismo na PUC-SP e Economia e Relações Internacionais no Institut d’Études Politiques de la France, em Paris. Colunista do site da revista CLAUDIA e do portal Tempo de Mulher.

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