Quanto custa o congelamento de óvulos?

29 de março de 2019 - Por

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A decisão de adiar a maternidade tem levado muitas mulheres a procurar o congelamento de óvulos.

Apesar de não possuir números oficiais de óvulos congelados no Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) conta e monitora apenas a quantidade de embriões congelados. Em 2017, 75.557 embriões foram congelados no País, contra 66.597 em 2016 – um aumento de 13%. Esse dado está no último relatório divulgado pelo Sistema Nacional de Produção de Embriões (SisEmbrio), que é gerenciado e monitorado pela Anvisa.

Alguns procedimentos de reprodução humana assistida, como a fertilização in vitro (FIV), são cobertos pelo SUS e por planos de saúde – falamos mais sobre este tema aqui. No entanto, o congelamento de óvulos em si não entra neste leque. Desta forma, quem deseja realizar o procedimento precisará, sim, se programar financeiramente.

Quanto custa o congelamento de óvulos?

Os custos variam de acordo com o tratamento incluso. “Em média, o processo com os medicamentos pode ficar entre R$ 10 mil e R$ 20 mil, além da anuidade dos laboratórios, que varia de R$ 500 a R$ 1 mil”, afirma Carla Iaconelli, ginecologista e obstetra pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), especialista em Reprodução Humana Assistida pela Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA).

Se esse é o seu sonho, viabilizá-lo exigirá certo planejamento financeiro. Para ajudá-la, vamos calcular o quanto você precisaria poupar para pagar o congelamento de óvulos à vista. Consideraremos o valor de R$ 15 mil.

Como pagar os custos do seu tratamento de congelamento de óvulos?

Apesar de existir a possibilidade de parcelar esse valor, pagar à vista é uma boa ideia porque, além de facilitar sua organização financeira, permitirá que você peça descontos. Para conseguir, você pode usar a técnica do parcelamento invertido – Carol Sandler explica ela aqui.

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Resumidamente, em vez de parcelar no seu cartão, você vai se programar para juntar e investir o dinheiro equivalente a uma parcela mensalmente. Considerando a atual taxa Selic de 6,5% ao ano, você precisará investir R$ 275,97 por mês, durante 24 meses (dois anos). Se for juntar por 12 meses (um ano), o valor é R$ 863,52. Por 18 meses (um ano e meio), R$ 462,82 – estes são valores brutos, sem considerar o IR que incide sobre alguns investimentos de renda fixa.

Como os juros trabalharão a seu favor, você acabará pagando menos do que se fosse, simplesmente, parcelar o tratamento.

Além do tratamento, você precisará pagar a anuidade. Para fazer as contas, vamos considerar o valor de R$ 750 por ano. Essa é uma despesa fixa e previsível – ou seja, você sabe que ela estará ali uma vez ao ano –, assim como o IPTU, IPVA e afins.

Para não ser pega de surpresa, divida este valor por 12. Neste exemplo, seria R$ 62,50. Guarde esta quantia todo mês e, quando chegar a hora de pagar a anuidade, você já estará pronta. Sem surpresas!

O que é o congelamento de óvulos?

Este tratamento – também chamado de criopreservação de óvulos – começa com um processo chamado estimulação ovariana. Nele, durante aproximadamente 10 dias, são injetados na mulher substâncias chamadas gonadotrofinas, que vão estimular o crescimento de folículos ovarianos.

“Ao final desse período de estímulo, é realizado o procedimento de coleta dos óvulos, em centro cirúrgico apropriado, na presença de anestesista e sob sedação anestésica. Após a punção, os óvulos são vitrificados e armazenados em local próprio, com nitrogênio líquido, podendo permanecer assim pelo tempo necessário até a utilização pela paciente”, explica Marcelo Marinho, especialista em Reprodução Humana pela Febrasgo e Rede Latino Americana de Reprodução Humana (RedLara) e Diretor Médico do Centro de Reprodução Humana FERTIPRAXIS.

Congelamento de óvulos: indicações e contraindicações

Segundo Marinho, o congelamento de óvulos costuma ser indicado nestes casos:

  • Pacientes que desejam adiar a gravidez por questões sociais, pessoais e de aspirações relativas ao mercado de trabalho, por exemplo;
  • com diagnóstico de câncer ou outras indicações médicas, que receberão terapias com substâncias tóxicas às células ovarianas;
  • casais que tiveram falha em obter espermatozóides quando da tentativa de fertilização in vitro (FIV);
  • situações de FIV onde se obteve uma grande quantidade de óvulos, com a finalidade de evitar-se um número exagerado de embriões.

Por outro lado, o comitê de ética da Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva (ASRM) lista algumas situações nas quais o congelamento de óvulos pode representar risco a algumas pacientes: pacientes com doenças clínicas, por exemplo cardiovasculares (entre outras), com risco aumentado inerente ao tratamento em si e à futura gravidez.

“Nesses casos, deve-se considerar os riscos do procedimento frente aos seus benefícios. Entretanto, são situações pouco usuais no contexto social, uma vez que a maioria de mulheres que recorrem a esses tratamentos são jovens e, portanto, livres de tais doenças”, completa Marinho.

Por isso, antes de começar a juntar dinheiro para realizar seu sonho de ser mãe, consulte seu ginecologista de confiança. “A idade ideal para fazer o congelamento dos óvulos é até 36 anos”, finaliza Iaconelli.

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
Fale comigo! :) anapaula@financasfemininas.com.br

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