Quatro em cada dez brasileiros terminaram 2017 com contas no vermelho

5 de janeiro de 2018 - Por

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Depois das festas de fim de ano, geralmente vem o susto. Fatura do cartão de crédito alta e pouco dinheiro para pagá-la. Terminar o ano no vermelho é a realidade de muita gente: quatro em cada dez consumidores (38%) terminaram 2017 com dívidas, aponta indicador do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).

O levantamento mostrou ainda que 22% dos entrevistados possuem parcelas de empréstimos e financiamentos em atraso, e 47% tiveram um aumento na fatura do cartão de crédito. Apenas 13% conseguiram ter dinheiro guardado em dezembro.

“O principal fator do endividamento hoje no País é a crise. Embora estejamos nos recuperando, ainda temos 12 milhões de desempregados. A melhora do indicador de desemprego ocorreu muito pelo lado da informalidade. E mesmo entre aqueles que têm emprego fixo, há o medo de perder o cargo”, comenta Flávio Borges, superintendente do SPC Brasil.

Por outro lado, a falta de planejamento é um fator que pesa no número crescente de endividados. “Sabemos que têm aqueles que ganham bem e poderiam estar em uma situação mais confortável. Mas, por falta de planejamento, impulso de compras, falta de disciplina de poupança e de objetivos, acabam fechando o mês no vermelho”, pontua Borges.

Estar no limite do orçamento é comum para 45% dos entrevistados. Porém, 48% garantiram que pretendem diminuir os gastos em janeiro. Para essa parte da população, o que mais pesou no bolso foi a elevação dos preços (24%), o desemprego (18%) e uma difícil situação financeira (16%).

Para o professor de economia da IBE-FGV Anderson Pellegrino, a entrada de dinheiro extra no fim do ano e a falta de planejamento financeiro é outro fator que contribui para esse alto índice de inadimplência. “Devemos nos lembrar de que não há uma cultura muito forte de planejamento financeiro no Brasil. Infelizmente, esses recursos extras acabam sendo alocados para consumo, ocasionando gastos em excesso que podem se tornar motivos para inadimplência e endividamento.”

Os vilões do orçamento

A pesquisa apontou ainda que, fora os itens de supermercado, 27% dos consumidores pretendem comprar roupas, calçados e acessórios em janeiro. Em seguida, o maior gasto é com remédios (17%), acompanhado da recarga para celular (13%), perfumes e cosméticos (10%) e móveis (8%).

O item que mais pesou no orçamento dos brasileiros neste fim de ano foi o cartão de crédito, modalidade em que 47% dos entrevistados admitiram um aumento no valor da fatura – uma média de R$ 1.035. Pelo menos 37% recorreram a alguma modalidade de crédito – cartões de crédito (31%), crediário (10%) e cheque especial (5%). Por fim, 3% dos consumidores recorreram a empréstimos e 3% a financiamentos.

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Em novembro, 47% dos usuários de cartão de crédito aumentaram o valor da fatura, com gastos em supermercados representando 66%, e remédios, 51%. Nas demais posições do ranking, estão gastos com combustível (36%), bares e restaurantes (33%), roupas e calçados (31%).

Em contrapartida, seis em cada dez (63%) dos brasileiros declararam não terem utilizado nenhuma modalidade de crédito em novembro. “O crédito pode ser utilizado para diminuir o pagamento de dívidas. Se você tem dívidas vencidas, dificilmente irá conseguir tirar do seu orçamento normal o valor suficiente para quitá-las. Neste caso, pode sim usar o crédito para lhe ajudar, seja através de uma renegociação ou uma mudança de financiamento em que terá um crédito mais barato em um prazo maior. Mas a dica é lembrar que, ao tomar um crédito, ele irá consumir parte da sua renda. Refaça seu planejamento orçamentário e, se necessário, reduza seu padrão de consumo”, alerta o professor de gestão financeira da IBE-FGV e consultor de negócios,  Alcidney Sentallin.

Proponha mudanças para um ano mais tranquilo

Sair do vermelho não é tarefa fácil. Organizar gastos por categorias, fazer planilhas e mudar o padrão de vida pode ser assustador no início, mas irá proporcionar maior tranquilidade no futuro. Para te ajudar, os especialistas em economia deram algumas dicas rápidas para colocar as contas em dia.

Crie o hábito de poupar. “Use uma planilha, um caderno ou até mesmo um aplicativo para te ajudar a organizar as despesas. Para quem é autônoma, faça um planejamento das receitas médias que tem. Separe o que são gastos básicos e os supérfluos. Depois de pagar as contas fixas, poupe uma parte do que sobrar de dinheiro e só então gaste com outras coisas”, alerta Borges.

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Seja comprometida com as metas estabelecidas. “Se você colocou como meta quitar dívidas e procurar as instituições financeiras para renegociar os saldos negativos, faça isso. Esse passo é importante para começar o ano com suas contas mais bem administradas”, observa Pellegrino.

Lute por seus sonhos. “2018 é um bom ano para empoderar-se da sua vida financeira e mudar o quadro de devedora para poupadora. O controle é essencial. Adeque seu estilo de vida ao seu orçamento, ainda que seja necessário que você mude alguns hábitos de consumo. Pense que, ao sacrificar um período, você terá benefícios no futuro”, aconselha Sentallin.

“Lembre-se da importância do exercício de planejamento. Agora é o momento certo para você tentar começar um ciclo novo, com um melhor controle das suas contas pessoais e familiares. Faça uma avaliação fria da sua situação financeira atual. Ou seja, analise seu nível de despesas, seus rendimentos mensais e observe como está o equilíbrio entre essas duas contas. Perceba o quanto disso representa dívidas contraídas, estude a natureza das suas despesas e veja se algo pode ser revisto”, conclui Pellegrino.

Fotos: Fotolia

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Gabriella Bertoni
Gabriella Bertoni
Repórter, produz matérias para o Finanças Femininas. Apaixonada por livros e por contar histórias, é recém-chegada em São Paulo e ainda está completamente perdida, mas adorando a cidade.
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