Roupas usadas podem virar moeda de troca

14 de dezembro de 2015 - Por

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*Marina Colerato

Recentemente, tivemos em São Paulo a segunda edição do Projeto Gaveta. Para quem não conhece, o projeto é das meninas Giovanna Nader e Raquel VittiLino e funciona da seguinte maneira: você vasculha o que está no seu guarda-roupa sem uso, separa tudo e manda para elas. Roupas em boas condições e com apelo estético viram moedas, que podem ser trocadas por outras roupas, de outras pessoas que desapegaram. O que não for trocado, vai para o Gaveta Na Rua, o braço solidário do Projeto.

Eu já tinha ouvido falar do Gaveta como um destaque entre iniciativas de moda consciente que visam dar vida nova a roupas sem uso, cada projeto à sua maneira. Nunca tinha participado de nenhum deles, mas a segunda edição do Gaveta aconteceu em boa hora, pois junto com a minha mãe, eu tinha acabado de tirar 300 peças do armário e estava, da maneira mais consciente, dando o melhor destino a todas elas.

Algumas peças, sem condição de uso, incluindo lingeries e meias, foram para o Ponto De Entrega Voluntária mais perto da minha casa. Uma segunda pilha foi direto para doação, enquanto outras deixamos no bazar de um orfanato próximo. Porém, eu ainda tinha quase 100 peças que poderiam arrumar novos destinos sem necessariamente deixá-las em um brechó, mas sem tanto apelo para vendê-las eu mesma, e foi ai que o Gaveta não poderia ter acontecido em melhor hora.

Das cerca de 100 peças que deixamos, 25 viraram moedas para troca e lá fomos nós no dia 28/11, no horário marcado (14:30hr), trocar as moedas. As araras são reabastecidas a cada leva de pessoas para troca. No meu horário, não tinham muitas coisas do meu gosto e tamanho, mas consegui garimpar algumas peças mesmo assim.

projeto-gavetaProjeto Gaveta/reprodução Facebook

 

No final, eu troquei 8 moedas e o resto deixei por lá, isso por dois motivos: Não tinha mais nada que realmente me interessasse e eu não queria atolar meu armário novamente. O objetivo principal de levar as minhas peças para o Gaveta, não era pegar mais roupas para colocar no lugar, era realmente abrir espaço no armário.

Eu sou formada e trabalho com moda há mais de 5 anos, o que sempre fez minha relação com a moda ser estreita e descomplicada. Era raro eu comprar coisas e não usar, e a limpeza e desapego sempre foi feita com frequência. Nunca pensei em trocar roupas por roupas ou ganhar dinheiro com as peças que não gostava mais. Porém esses são dois caminhos interessantes, principalmente quando você quer roupas novas, mas não quer gastar dinheiro com isso. E/ou quando você entende o tamanho do impacto ambiental da produção de vestuário e não quer ser um consumidor irresponsável.

É claro, não será tarefa fácil encontrar uma peça incrível ou algo que estava no seu radar há algum tempo. Para isso, realmente é necessário economizar uma graninha e comprar em algum brechó especializado ou em alguma loja. Mas é bem provável você encontrar peças que goste. É uma maneira de abrir espaço para o velho e entrar com o novo, mesmo que ele não seja tão novo assim, sem gastar nada pra isso.

*Marina Colerato é fundadora da plataforma de moda e consumo consciente Modefica. Acredita que um mundo melhor depende das pequenas atitudes diárias e das nossas escolhas de consumo. Não consegue mais pensar em moda sem pensar em ativismo.

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