Quanto custa uma laqueadura particular?

13 de fevereiro de 2020 - Por

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A cirurgia de “ligadura das trompas” popularmente conhecida como laqueadura, é um dos métodos contraceptivos escolhidos por mulheres que não querem ter filhos. As condições de realização do procedimento constam na lei 9263/96, que versa sobre o planejamento familiar e estabelece que mulheres maiores de 25 anos, ou mais jovens com pelo menos dois filhos vivos estão aptas ao processo de esterilização.

Com esse pré-requisito, mulheres casadas ou com união estável ainda precisam ter autorização do cônjuge, aguardar o prazo mínimo de 60 dias entre a manifestação da vontade ao médico e a cirurgia – período no qual as mulheres devem frequentar reuniões do planejamento familiar para receber informações sobre os riscos do procedimento, possíveis efeitos colaterais, dificuldade de reversão e outras alternativas de métodos contraceptivos. Além dessas regras, a lei permite a realização da laqueadura em casos de risco à vida ou à saúde da mulher, mediante um relatório médico.

A cirurgia é realizada gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) ou pelo plano de saúde, conforme resolução da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) publicada em 2008, que incluiu a laqueadura no rol de procedimentos que devem ser oferecidos pelos convênios. Na rede pública de saúde, foram realizadas 73.658 laqueaduras em 2019, segundo dados do DataSus, do Ministério da Saúde.

Quanto custa uma laqueadura particular?

Na rede privada, os custos podem variar de acordo com a estrutura. “As laqueaduras geralmente variam de R$ 5.000 a R$ 10.000, dependendo do médico, hospital, equipe e da técnica utilizada. Nesses valores estão inclusos os honorários médicos, como cirurgião, anestesista e auxiliar. Além da cirurgia em si e todos os materiais”, explica Henri Korkes, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp/Sorocaba).

Fazer a laqueadura particular vai exigir um planejamento financeiro para pagar um valor tão alto. Lembre-se que apesar da possibilidade de parcelamento, pagar à vista é a melhor opção para evitar o endividamento e ainda permite que você negocie e peça descontos.

Para ajudá-la a fazer cirurgia, utilize a técnica do parcelamento invertido que em vez de parcelar no seu cartão, você vai se planejar para poupar dinheiro e investir mensalmente como se fosse uma parcela. Saiba mais aqui.

Apesar da lei, mulheres enfrentam dificuldades para fazer a laqueadura

Na internet e em grupos nas redes sociais, muitas pacientes relatam barreiras que impedem a realização da laqueadura. É o caso da agilista Malu Lopes, que tentou fazer a cirurgia pela primeira aos 18 anos, teve o pedido negado, não recebeu orientações sobre o procedimento, idade adequada e legislação para que pudesse tentar no futuro.

Mais tarde, com 27 anos, Lopez procurou um médico para fazer a cirurgia, mas novamente teve o pedido negado. “Eles simplesmente se recusaram justificando que não poderiam fazer porque era proibido. Outros diziam que eu só poderia fazer se eu tivesse filhos e um marido para assinar a autorização. Nenhuma das justificativas estava dentro da lei, mas na época eu ainda não conhecia a legislação. Os médicos não te orientam direito, tentam interpretar a lei da maneira deles e se recusam a fazer por achar absurdo uma mulher não querer ter filhos”, conta.

Alguns médicos que atendem mulheres sem filhos podem ter receio de realizar a laqueadura e depois receber um processo mesmo com a lei, segundo Ilza Maria Urbano Monteiro, ginecologista e vice- presidente da comissão nacional de anticoncepção da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“O processo pode acontecer se a paciente se arrepender e alegar que não foi bem informada. Muitas mulheres acreditam que a laqueadura pode ser reversível, quando na verdade a ideia é ser irreversível”, afirma.

Após as rejeições dos profissionais de saúde, Lopez procurou orientações, descobriu grupos de mulheres nas redes sociais – em que são compartilhadas informações e experiências sobre a laqueadura – e teve acesso a uma lista com poucos médicos em São Paulo que fazem a cirurgia.

“Ano passado marquei uma consulta pelo meu plano de saúde e foi super tranquilo. Ele não questionou os motivos da minha decisão e não tentou me fazer desistir. É muito restrito o número de médicos que orientam as paciente e seguem a lei”, diz.

Mesmo sem médico ou hospital disponível para realizar o procedimento, uma resolução da ANS determina que a operadora do plano é obrigada a indicar um profissional ou instituição ainda que fora da rede conveniada e custear o atendimento. Em caso de dúvidas, procure os canais de relacionamento da agência reguladora.

Fotos: AdobeStock.

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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