Taxa Selic a 4,5% ao ano: quais os reflexos nas aplicações de renda fixa?

12 de dezembro de 2019 - Por

Taxa Selic a 4,5% ao ano: quais os reflexos nas aplicações de renda fixa?

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Na última reunião do ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,5 ponto percentual, de 5% para 4,5% ao ano. Em 2019, a taxa básica de juros passou por um ciclo de cortes iniciado em julho e fecha o ano com um novo piso histórico, que seguiu a projeção do boletim Focus – publicação do BC – divulgado no dia 9 de dezembro.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Banco Central, a recuperação da economia brasileira “ganhou tração” em comparação com primeiro trimestre de 2019. “O cenário do Copom supõe que essa recuperação seguirá em ritmo gradual”.

“À medida que são aprovadas as reformas propostas pelo governo, vamos ter uma retomada da confiança dos agentes econômicos como um todo, tanto por parte dos empresários quanto dos trabalhadores. Para os trabalhadores, quando começar a melhorar o emprego, aumenta a confiança para consumir mais”, diz José Carlos Domingos da Silva, professor do curso de Ciências Econômicas da FECAP.

O que a Selic tem a ver com a inflação?

O Banco Central utiliza a Selic como ferramenta para controlar a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Todos os anos, o Conselho Monetário Nacional (CMN) determina a meta da inflação que em 2019 é de 4,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Portanto, deve ficar entre 2,75% e 5,75%.

O IPCA de novembro fechou em 0,51%, representando o maior resultado para o mês desde 2015. Segundo o IBGE, o preço da carne que registrou alta de 8,09%, estimulou a alta da inflação que no acumulado do ano marcou 3,12% e, nos últimos 12 meses, ficou em 3,27%, ainda abaixo da meta.

Dessa forma, quando a inflação está alta, o BC aumenta a taxa de juros para reduzir o consumo, a produção e forçar a queda dos preços. Por outro lado, quando a inflação está controlada ou abaixo da meta, a Selic é reduzida para estimular o consumo e, consequentemente, aquecer a economia.

Para o próximo ano, o Comitê ainda sugeriu mais um corte na Selic, considerando as expectativas para a inflação. “Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 4,50% a.a, reduz-se para 4,25% no início de 2020, encerra o ano em 4,50% e se eleva até 6,25% a.a em 2021”, afirma. Leia a nota completa clicando aqui.

O CMN fixou a meta da inflação em 4% para 2020, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual.

No vídeo a seguir, a Carol Sandler explica como a queda da Selic impacta a sua vida. Assista até o fim.

Qual o impacto nas aplicações de renda fixa?

Quando a Selic cai, uma das principais preocupações dos investidores é o reflexo nas aplicações de renda fixa, já que a taxa básica de juros serve de parâmetro para a rentabilidade dos investimentos.

Com o corte da Selic, os investimentos como Tesouro Selic, títulos indexados ao CDI e prefixados terão queda na rentabilidade. Para quem tem aplicações em renda fixa ou pretende começar a investir utilizando o 13° salário, é necessário ter calma para não tomar decisões precipitadas. De acordo com Rebeca Nevares, CEO da Ella’s Investimentos, a renda fixa sempre terá espaço da carteira das investidoras.

“O Tesouro Selic é uma opção para reserva de emergência, mas se estamos falando de outros objetivos de investimentos, a investidora precisa pensar em outras alternativas para potencializar os ganhos”, afirma Nevares.

Investidoras com perfil conservador podem optar por títulos privados que têm isenção do Imposto de Renda, como debêntures incentivadas, CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários), CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) e LCI que podem garantir mais rentabilidade, segundo Nevares. “Não tem como definir uma rentabilidade, pois depende de cada título. Mas dá para manter algo em torno de 5% a 5,5% ao ano”, destaca.

Se você tem perfil que tolera um pouco mais de risco, pode buscar opções na renda variável. “Investidoras moderadas podem e devem migrar para outras aplicações para conseguir melhores rendimentos, como Fundos Multimercados, Fundos Imobiliários e ações que devem ser levadas em consideração”, conclui.

Vale salientar que é muito importante conhecer o seu perfil de investidora e definir seus objetivos antes de tomar qualquer decisão sobre como aplicar o seu dinheiro. Para te auxiliar, você pode contar com o time da Ella’s Investimentos.

Foto: AdobeStock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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