Selic cai para 2,25% ao ano; expectativa de corte fez Bolsa disparar nesta quarta-feira

17 de junho de 2020 - Por

Selic cai para 2,25% ao ano; expectativa de corte fez Bolsa disparar

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Este texto faz parte da cobertura do Finanças Femininas para traduzir o que está acontecendo com o mercado financeiro durante a pandemia do coronavírus. Ajudamos você a se informar com uma linguagem simples, sem economês e sem pânico!

Ibovespa: +2,16% (95.547 pontos)

Dólar: +0,55% (R$ 5,26)

Casos de coronavírus: 934.769 confirmados e 45.585 mortes*

Resumo:

  • Comitê do Banco Central reduz taxa Selic para 2,25% ao ano;
  • expectativa de corte empurra Bolsa para disparada; dólar sobe;
  • alta no Ibovespa fez índice se descolar do exterior, que caiu por conta do medo de uma segunda onda do coronavírus;
  • com pandemia, setor de serviços tem tombo recorde de 11,7% em abril;
  • trabalhadores que tiveram Auxílio Emergencial negado poderão contestar decisão por meio da Defensoria Pública;
  • queda de preços na crise é menor para famílias de baixa renda, mostra Ipea.

O mercado financeiro fechou às 17h, portanto, antes do horário que o Comitê de Política Monetária (Copom) divulgou o corte da taxa Selic – conforme você verá adiante. Porém, os investidores passaram o dia de olho na expectativa de que fosse feito um novo corte de 0,75 ponto percentual, fazendo o Ibovespa se descolar das quedas das bolsas internacionais.

Cortar a Selic é uma das medidas do Banco Central (BC) para estimular o consumo das famílias. Por isso, ações ligadas à dinâmica econômica interna operaram em alta – especialmente aquelas do bloco das varejistas, por causa da expectativa de que o BC seja bem-sucedido nas suas intenções.

Também ajudou na disparada o fato de que, com a taxa básica de juros mais baixa, os investimentos de renda fixa passam a não render tanto assim. Isso aumenta a demanda por ações, ajudando os preços a subirem. Mas é preciso deixar claro: isso não significa que você deva sair correndo para a renda variável, ok?

Ainda no radar dos investidores estava a fala de Paulo Guedes, ministro da Economia, que revelou o plano de privatizar quatro estatais ainda este ano: a Eletrobras, os Correios, o Pré-Sal Petróleo S.A e o Porto de Santos.

Lá fora, o medo de uma segunda onda do coronavírus fez alguns índices caírem, caso do S&P 500, de Nova York (-0,36%). A cautela acontece depois do surgimento de novos casos em países asiáticos que já haviam controlado a contaminação, assim como nos Estados Unidos.

Comitê do Banco Central reduz taxa Selic para 2,25% ao ano

Comitê do Banco Central reduz taxa Selic para 2,25% ao ano

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, em reunião encerrada na tarde desta quarta-feira (17), reduzir a taxa básica de juros de para 2,25% ao ano. Antes da decisão de cortar 0,75 ponto percentual, a Selic estava no patamar de 3% a.a. – o menor nível da história até então. Com o novo corte, o Copom renova a mínima histórica.

O principal principal papel da taxa Selic dentro da política monetária brasileira é controlar a inflação. A crise diminuiu bruscamente o consumo das famílias, especialmente daquelas que enfrentaram perda de renda – e, com isso, a inflação também vem caindo.

Ao cortar a taxa básica de juros, o Banco Central pretende estimular a demanda por crédito e o consumo das famílias, um dos possíveis combustíveis para fazer a economia girar e atenuar a crise.

Com pandemia, setor de serviços tem tombo recorde de 11,7% em abril

Depois dos números do comércio – que comentamos aqui –, o setor de serviços também enfrentou um baque, com queda recorde de 11,7% no mês de abril ante a março. Houve perdas generalizadas em todas as atividades, mostram os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

“Esse é o terceiro recuo consecutivo e o mais intenso da série histórica, iniciada em janeiro de 2011”, destacou o IBGE.

Em comparação a abril do ano passado, a queda foi de 17,2%.

Como o isolamento social começou na segunda quinzena de março, esta foi a primeira vez que a pesquisa refletiu o mês inteiro de restrições impostas como medida para controlar o coronavírus.

Já a receita real dos serviços prestados às famílias caiu 44,1% em abril, em comparação a março. Este é o pior resultado da série histórica da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), iniciada em 2001.

Os segmentos que mais sofreram foram os de alojamento e alimentação, cuja baixa foi de 46,5% na receita real em abril. O grupo chamado “outros serviços às famílias” — que inclui curso de idiomas, salão de beleza, academia de ginástica, entre outros — teve queda de 33,3% no mês.

Trabalhadores que tiveram Auxílio Emergencial negado poderão contestar decisão por meio da Defensoria Pública

Trabalhadores que tiveram o Auxílio Emergencial negado poderão, a partir da próxima segunda-feira (22), contestar a decisão por meio da Defensoria Pública do seu município. A medida resultou de um acordo entre o órgão e o Ministério da Cidadania.

Desta forma, segundo o ministério, os afetados não precisarão judicializar o processo para solucionar o caso – tudo tramitará por meio administrativo.

Para recorrer da decisão, o cidadão deverá procurar a Defensoria Pública de sua região tendo em mãos os documentos que comprovem que ele é elegível para receber o benefício. Para saber o endereço da Defensoria Pública da sua região, acesse: https://www.dpu.def.br/contatos-dpu.

Queda de preços na crise é menor para famílias de baixa renda, mostra Ipea

Uma das consequências da crise provocada pela pandemia do coronavírus foi a queda de demanda interna que, por sua vez, provocou deflação em todas as faixas de renda em maio. Porém, as famílias de renda mais baixa perceberam baixas de preço menores do que as famílias de alta renda. A descoberta foi divulgada nesta quarta-feira no Inflação por Faixa de Renda, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Enquanto as famílias de renda muito baixa experienciaram deflação de 0,19%, o Ipea apurou 0,57% para aquelas com renda mais alta. Já nas famílias de baixa renda, a queda de preços em maio foi de 0,26%; nas de renda média baixa, de 0,34%; nas de renda média, de 0,42%; e nas de renda média alta, de 0,39%.

De acordo com o Ipea, isso aconteceu porque, na prática, os serviços e preços que tiveram maior queda de preço durante a pandemia são mais consumidos por famílias de renda alta – caso de itens como passagens aéreas (-27,1%) e combustíveis (-4,6%).

Por outro lado, na pandemia, houve aumento de consumo de alimentos – e a alta dos preços como consequência da alta demanda. Itens da cesta básica são mais consumidos por famílias de menor renda, apontou o Ipea. O grupo Alimentação contribuiu com +0,08 ponto percentual na variação de preços percebida entre as famílias com renda mais baixa, no mês passado, informou o instituto.

*Até o fechamento do texto. Fonte: levantamento feito por jornalistas de G1, O Globo, Extra, Estadão, Folha e UOL a partir de dados das secretarias estaduais de Saúde

Fotos: AdobeStock

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter e produtora, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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