Selic cai para 4,25% ao ano e Copom sinaliza fim do ciclo de cortes

6 de fevereiro de 2020 - Por

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) cortou a taxa Selic pela quinta vez consecutiva, que agora passou de 4,5% para 4,25% ao ano. A decisão anunciada na última quarta-feira (5) já era esperada pelo mercado financeiro, segundo o boletim Focus.

Desta vez, o Copom sinalizou o fim do ciclo de cortes iniciado em julho do ano passado. “O Copom entende que o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela na condução da política monetária. Considerando os efeitos defasados do ciclo de afrouxamento iniciado em julho de 2019, o Comitê vê como adequada a interrupção do processo de flexibilização monetária”, diz o texto.

Entretanto, a nota indica que os próximos passos dependem da evolução da atividade econômica, balanço de riscos, projeções e expectativas de inflação. Veja o comunicado completo aqui.

Impacto da Selic na economia

A taxa básica de juros é a principal ferramenta da política monetária para controlar a inflação. Em termos gerais, quando a inflação está alta, o Banco Central sobe a taxa de juros, resultando em queda da produção e no consumo da população para segurar o aumento dos preços.

Por outro lado, quando a inflação dá sinais de desaceleração, o BC corta a taxa de juros, estimulando o consumo, a produção e, consequentemente, o crescimento da economia.

Em 2019, a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechou em 4,31%, impulsionado pela alta do dólar e o preço da carne, mas ainda dentro do limite de variação estabelecido pelo governo.

O Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu a meta da inflação em 4% para 2020, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. Portanto, pode variar entre 5,5% e 2,5%. As estimativas do boletim Focus indicam que o IPCA deve fechar o ano em 3,4%.

“É importante compreendermos que o corte de juros não oferece um efeito reversivo tão imediato na economia. Muitas vezes estas mudanças de taxa levam alguns meses para atingir toda a economia, segundo pesquisas. Porém, os efeitos sobre a percepção do consumidor são sentidos pela propaganda do comércio que, frequentemente, se antecipam em comparação à concorrência oferecendo melhores condições de financiamento para a compra de bens e serviços”, explica Flávio Riberi, coordenador do curso de MBA contabilidade e finanças da Fipecafi.

Taxa Selic a 4,25%: como ficam os juros à consumidora?

A taxa Selic é utilizada como parâmetro para as outras taxas de juros do país, como empréstimos e investimentos. Com a queda da Selic, alguns bancos anunciaram reduções nos juros cobrados à consumidora nas operações de crédito.

Para a Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac), o corte terá uma efeito muito baixo. “Este fato ocorre uma vez que existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas de juros cobradas aos consumidores, que na média da pessoa física atingem 113,43% ao ano”, afirmou a instituição em nota.

Enquanto a Selic está em 4,25%, os juros médios do cheque especial atingiram 302,5% ao ano em dezembro, enquanto o rotativo do cartão apresentou aumento de 0,6% ponto percentual, de 318,3% para 318,9% ao ano, segundo dados do Banco Central.

Vale lembrar que a nova regra do cheque especial estabelece taxa de juros de até 8% ao mês sobre o valor utilizado.

Fotos: AdobeStock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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