Selic cai para 5%: entenda os impactos nos juros que você paga

31 de outubro de 2019 - Por

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A Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, sofreu corte de 0,5 ponto percentual e caiu de 5,5% para 5% ao ano. Foi a terceira redução consecutiva de 2019 anunciada ontem, 30, pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC).

Em comunicado, o Copom afirma que a recuperação do cenário econômico e o controle da inflação justificam o novo corte. O colegiado também sinalizou possível redução na última reunião do ano que acontece nos dias 10 e 11 de dezembro.

O Comitê ainda alerta “ o atual estágio do ciclo econômico recomenda cautela em eventuais novos ajustes”. Dessa forma, enfatiza “os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação”. Leia o comunicado completo clicando aqui.

A taxa básica de juros serve de instrumento para controlar a inflação, mas com os baixos níveis do IPCA e as projeções dentro da meta do governo federal que é de 4,25%, não há razões para elevar a Selic. De acordo com o relatório Focus – publicação online semanal do Banco Central – publicado no dia 28 de outubro, a Selic pode alcançar o patamar de 4,5% em dezembro.

Selic em queda, como ficam os juros bancários?

A taxa Selic é utilizada como parâmetro para as outras taxas de juros do país, como empréstimos e investimentos. No entanto, apesar do corte na Selic, a consumidora não deverá sentir os efeitos nos juros cobrados pelos bancos tão cedo.

Enquanto a Selic está no menor nível da história, os juros médios no cheque especial estão em 307,6 % ao ano, o rotativo do cartão de crédito atingiu 307,8% e o crédito pessoal, em 51,3%, segundo dados do Banco Central. “Há um abismo enorme entre as taxas de juros das aplicações financeiras e aquelas cobradas por empréstimos para pessoas físicas”, afirma Valdir Domeneghetti, coordenador de MBA da Faculdade Fipecafi, no período de

Na análise de Domeneghetti, quando a Selic saiu de 14,25% em outubro de 2016 para 5% em outubro de 2019, o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) – modalidade de empréstimo para fazer compras – teve redução de 48,22% nos juros. O CDC para aquisição de veículos caiu 35,4% e o rotativo do cartão de crédito teve queda de 19,14%. “O cheque especial não reduziu, ou seja, as taxas aumentaram 13,26% em relação a taxa média praticada em 2016”, explica.

De acordo com Domeneghetti, com esses juros médios, a redução de 5% da Selic não deverá afetar o consumidor final. “Os juros cobrados pelos empréstimos bancários são tão altos e não seguem, nem de perto, os movimentos de redução que ocorreram com a taxa de juros de 2016 a 2019”, destaca.

Por que os juros são altos?

O altíssimo spread bancário no Brasil é uma das explicações para as taxas de juros elevadas. O spread é a diferença entre as taxas que as instituições financeiras pagam para captar recursos, que são mais próximas à Selic e as que cobram dos clientes.

A inadimplência também aparece como justificativa para os juros altos. O Brasil tem 63,4 milhões de inadimplentes, segundo a Serasa Experian. Com o risco de calote, os bancos elevem as taxas.

No entanto, Domeneghetti acredita que a concentração bancária no país favorece a manutenção dos juros elevados. A queda da Selic não vai influenciar a redução dos juros, mas o aumento da concorrência pode pressionar as instituições financeiras a reduzir as taxas, segundo o coordenador.

“O que pode ter impacto nos próximos meses é a abertura acelerada do mercado financeiro brasileiro com as fintechs e os bancos cooperativos. Eles serão autorizados a fazer empréstimo e, hoje, o banco cooperativo já cobra uma taxa menor do que os bancos de varejo comerciais”, pondera.

Bancos prometem diminuir os juros do crédito

Seguindo o corte de 0,5 ponto percentual da Selic, alguns bancos anunciaram reduções nos juros das operações de crédito. As mudanças começam a valer a partir da próxima segunda (4).

Sem especificar o percentual, o Bradesco informou que vai reduzir as taxas de juros da suas principais linhas de crédito. De acordo com o Itaú Unibanco, o corte de 0,5 ponto percentual será repassado integralmente aos clientes nas suas operações de crédito.

A redução para pessoa física será no empréstimo pessoal, enquanto para pessoa jurídica será no capital de giro. Contudo, os valores podem variar de acordo com o perfil do cliente e o relacionamento com o banco.

O Banco do Brasil também vai diminuir os custos para pessoa física e jurídica. O crédito para financiar a compra de veículos terá redução de 0,77% para 0,60% ao mês na faixa mínima. Para aquisição de outros bens na modalidade crediário, a taxa mínima cai de 3,27% para 3,15% ao mês.

Redução dos juros para comprar imóveis

Segundo o Banco do Brasil, a taxa na compra de imóveis nas linhas Carteira Hipotecária e Sistema Financeiro da Habitação (SFH) terá variação de acordo com o prazo da operação e o perfil do cliente. A redução do custo dos financiamentos pode chegar a 0,82 ponto percentual ao ano.

A Caixa Econômica Federal informou o corte de 0,75 e 1,0 ponto percentual nas taxas de juros das linhas de crédito imobiliário. Em ambos, a taxa efetiva mínima será a Taxa Referencial (TR) atualizada mais os juros de 6,75% ao ano e a taxa máxima será a TR mais os juros de 8,5% ao ano.

A redução se aplica aos imóveis do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e Sistema Financeiro Imobiliário (SFI). As novas taxas valem para novos contratos e estarão vigentes a partir do dia 06 de novembro.

Foto: AdobeStock

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.

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