Ser mulher em 2017 está ainda mais difícil, revela relatório mundial

9 de novembro de 2017 - Por

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A sensação de que os direitos, especialmente os das mulheres, estão sofrendo retrocessos não é apenas impressão: o Relatório de Desigualdade Global de Gênero – o maior do mundo – deste ano mostrou que está ainda mais difícil ser mulher em 2017. Esse levantamento é feito anualmente pelo Fórum Econômico Mundial.

De acordo com os números, apenas alcançaremos a equidade daqui a 100 anos nas áreas analisadas – empoderamento político, saúde e sobrevivência, participação econômica e acesso à educação. Ano passado, a estimativa era de 83 anos.

Para o Fórum Econômico Mundial, a piora nas condições femininas é um reflexo da perda de igualdade de gênero que aconteceu nas maiores economias do mundo. Por exemplo, no ano passado, os Estados Unidos ocupavam a 45ª posição. Este ano, caíram para o 49° lugar dentre os 144 países analisados. Há 11 anos, a potência ocupava a 23ª posição.

Já a China ocupa a 100ª posição. Quando o assunto é saúde da mulher, a potência asiática amarga o 144° lugar, ou seja, o último. As trabalhadoras desse país ganham apenas 64% do que os homens recebem.

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Brasil também andou para trás

Infelizmente, as más notícias também alcançaram o País que, do ano passado para esse, caiu da 79ª para a 90ª posição no ranking de igualdade de gênero. Em relação a 2006, quando aconteceu a primeira edição do relatório, o Brasil caiu 23 lugares no ranking. Tamanho retrocesso nos fez amargar a pior posição desde 2011.

Segundo o relatório, a principal causa da queda de 11 posições é a diminuição da participação feminina na política. Para que se tenha ideia, ocupamos o 110° lugar dentre 144 países. Questões econômicas também influenciaram.

“A crise econômica afeta mais rapidamente as pessoas menos favorecidas. Em uma sociedade em que há significativas desigualdades de gênero, a situação tende a se agravar quando falamos sobre o acesso ao trabalho e, consequentemente, ao exercício efetivo do direito à igualdade”, diz Marco Antonio dos Anjos, professor de direito civil do Mackenzie Campinas.

Por outro lado, o Brasil foi um dos únicos países da América Latina a acabar com a disparidade educacional – ou seja, as mulheres alcançaram o mesmo grau de instrução dos homens. Porém, para o professor, isso não significa necessariamente que haverá oportunidades iguais de emprego e condições de vida para os gêneros.

“Essa situação é vergonhosa para o Brasil, considerando-se que o país, apesar da crise, ainda tem um PIB significativo e posição economicamente relevante no mundo”, finaliza.

Fotos: Fotolia

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Ana Paula de Araujo
Ana Paula de Araujo
Repórter, produz o conteúdo multimídia do Finanças Femininas e é fã da Mulher Maravilha. Divide a vida de jornalista com a de musicista e tenta ajudar o máximo de pessoas nas duas profissões.
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