Setembro amarelo: por que as mulheres sofrem mais com depressão e ansiedade?

19 de setembro de 2019 - Por

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Nos últimos anos, os transtornos mentais ganharam mais atenção, especialmente, a depressão e ansiedade, que tem afetado cada vez mais pessoas. Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas no mundo são acometidas pela depressão, segundo a Organização Mundial da Saúde. No Brasil, 5,8% das pessoas sofrem com a doença, que representa 11,5 milhões de pessoas. É a maior taxa da América Latina.

O quadro é ainda mais alarmante para as mulheres que são duas vezes mais propensas ao diagnóstico de depressão do que os homens. A doença é mais comum entre 5,1% das mulheres do que os homens 3,6%, de acordo com a OMS. Em relação à ansiedade, 18,6 milhões (9,3%) de brasileiros sofrem com o transtorno. No recorte de gênero, o transtorno de ansiedade atinge 7,7% da população feminina e 3,6% dos homens.

Diversos estudos apontam os fatores do número elevado para as mulheres, que podem estar relacionados com questões sociais que envolvem o mercado de trabalho, a sobrecarga de tarefas e as mudanças hormonais.

Sobrecarga de trabalhos e machismo

Trabalhar fora e encarar a desigualdade de gênero no mercado de trabalho é um teste de resistência diário vivenciado por muitas mulheres. Somado a isso, as mulheres ainda dedicam, em média, 21,3 horas por semana com tarefas domésticas e o cuidado de pessoas, segundo o IBGE. Sendo assim, todo o trabalho de planejamento, organização e tomada de decisões fica sob responsabilidade da mulher.

“Vivemos numa sociedade machista e regida pelo patriarcado. Diante disso, recai sobre a mulher muitas responsabilidades, tarefas e muitas vezes a desvalorização no mercado de trabalho. A mulher não se preocupa só com o seu trabalho, mas com os filhos que deixou em casa e todas as atribuições que terá quando chegar em casa. Tudo isso gera um excesso de cobranças e a pessoa acaba ficando doente”, pondera a psicóloga Alexandra Lelis dos Santos.

A sobrecarga de trabalhos e o acúmulo da função social, acabam proporcionando poucas horas de sono e má alimentação que podem contribuir com o aparecimento da depressão e ansiedade, alerta Melina Cury Haddad, psicóloga e instrutora de Mindful Eating da Care Plus. “Com mais funções e menos tempo para se cuidar, você acaba pensando nas necessidades dos outros e adoecendo”, completa.

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Qual a relação com os hormônios?

As fases hormonais do ciclo das mulheres também colaboram com o aparecimento da depressão e outros transtornos mentais. “No período menstrual começa uma alteração hormonal e muitas mulheres tem uma síndrome muito parecida com a depressão, no período que antecede a menstruação. Isso altera o humor, a irritabilidade aumenta, ela fica mais impaciente e  depois passa quando ela menstrua”, explica Haddad.

Durante a gestação, os hormônios também passam por mudanças importantes que podem levar a transtornos mentais. Após o nascimento da criança, cerca de 25% das mães brasileiras podem desenvolver depressão pós-parto, segundo pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

Suicídio e transtornos mentais

A depressão pode causar grande sofrimento e afetar o desempenho no trabalho, escola e nas relações sociais. No pior cenário, a depressão é responsável pelo suicídio. Aproximadamente 800 mil pessoas morrem por suicídio a cada ano e estima-se que em 90% dos casos, as pessoas tinham algum transtorno mental, como depressão.

O suicídio é a segunda principal causa de morte das meninas adolescentes de 15 a 19 anos, após condições maternas,  entre os jovens de 15 a 29 anos também. “Acredito que mais importante do que falar dos números, é pensar o que podemos fazer enquanto política pública e tratamento para depressão. As pessoas precisam olhar para o tema quebrando o tabu, tirando esse estigma social de que a depressão é preguiça, frescura e falta de força de vontade. Não é assim, a gente sabe que tem uma mudança neuroquímica no cérebro. É uma doença que precisa de cuidados e tratamento adequado”, enfatiza Haddad.

Para debater o assunto sem medo e  conscientizar as pessoas sobre a prevenção do suicídio, surgiu a campanha Setembro Amarelo em 2015, idealizada pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Durante todo o mês são realizadas inúmeras ações no país para divulgar informações sobre o suicídio, como ajudar alguém que está passando por uma situação difícil e estimular o debate para evitar mais mortes.

Quais os sintomas da ansiedade e depressão?

A depressão pode ser resultante de fatores sociais, genéticos e bioquímicos. A pessoa que está deprimida perde o prazer e o interesse, sente culpa, desesperança em relação ao futuro e pode ter alterações no sono e apetite. “Ela acaba ruminando muitos pensamentos e têm uma tendência a ficar se culpando por coisas que já aconteceram”, destaca.

Já o Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) é caracterizado pela preocupação excessiva com o futuro e muitas vezes com situações que, talvez, não aconteçam. Sentir um pouco de ansiedade é bom, porque te coloca fora da zona de conforto e em busca de coisas novas para a vida. Contudo, em excesso prejudica o desenvolvimento das tarefas cotidianas.

A TAG também pode provocar sintomas físicos como palpitações, taquicardia, suor excessivo, mãos e pés frios. Também deixa a pessoa apreensiva, achando que alguma coisa vai acontecer e com medo. “No TAG, a preocupação é desproporcional e isso realmente interfere na qualidade de vida e no social, ela não consegue trabalhar, se relacionar com outras pessoas e isso é sinal de que precisa de ajuda”, diz Haddad.

Como eu posso te ajudar?

A pessoa que apresentar sintomas de depressão ou ansiedade por mais de três semanas, com dificuldade de realizar atividades rotineiras, deve buscar apoio de um psicólogo. A depressão sempre começa devagar e aumenta lentamente.

Se você tem alguma amiga ou familiar passando por essas situações, é importante ter uma conversa livre de julgamentos e acusações. Seja empática e escute o que a pessoa tem a dizer. “Como eu posso te ajudar? É uma pergunta muito boa para iniciar um diálogo, porque muitas vezes ela não tem força para procurar um médico, por isso, é importante estar ao lado de quem precisa, marcar a consulta e, se necessário, ir junto ao médico”, orienta.

Onde procurar ajuda?

O primeiro passo é buscar ajuda de um profissional de saúde, seja um psicólogo ou um psiquiatra. Em geral, o tratamento envolve terapia medicamentosa junto com a psicoterapia. Mudanças no estilo de vida, alimentação e inclusão de atividade física também podem colaborar com a saúde mental.

É muito importante dar apoio a quem precisa para superar essa dificuldade.

Entre em contato com o CVV (Centro de Valorização da Vida)
Telefone: 188 – ligações gratuitas a partir de qualquer linha fixa ou de celular.

Site: www.cvv.org.br/quero-conversar

Foto: AdobeStock.

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Carol Nogueira
Carol Nogueira
Repórter do Finanças Femininas, fã de David Bowie e John Coltrane. Passa o tempo livre pesquisando textos da Sylvia Plath e assistindo séries na Netflix.
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